~ welcome to america {FECHADA}

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~ welcome to america {FECHADA}

Mensagem por Caribe Arnesen em Ter Maio 29, 2018 9:41 am



welcome to america
a roleplay é iniciada pelo post de caribe arnesen, seguindo por sophie czaevich brahms. estando, portanto, FECHADA para os demais. passando-se esta em 29 de maio, subúrbio do queens. o conteúdo é livre. atualmente, as postagens estão EM ANDAMENTO.



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Re: ~ welcome to america {FECHADA}

Mensagem por Caribe Arnesen em Ter Maio 29, 2018 9:51 am


cherry bomb
com @SOPHIE CZAREVICH BRAHMS

É sabido o quão a vida pode ser impiedosa. E Caribe descobriu da pior maneira.

Oriundo de família pobre composta por quatro – um pai alcoólatra que gasta o pouco dinheiro que tinham em jogos de azar, uma mãe viciada em drogas e uma irmã mais velha incumbida de assegurar sua sobrevivência em uma sociedade hostil – sequer teve tempo para aproveitar a infância.

Tudo se resumia em garantir o que comer hoje e não se preocupar com o amanhã. Desde mais moço ocupava-se com bicos para ajudar em casa e no tratamento hormonal de Dolores – assumidamente transexual e que parecia contar somente com seu apoio - ora auxiliar de mecânicos em oficinas ora escort para festas. Bonito, a aparência contribuía bastante para determinados serviços e ele nunca teve vergonha de nenhum deles desde que o pagassem bem.

Apesar dos problemas do dia a dia (e quem não tem?) conseguiam manter uma renda razoavelmente estável. E tudo seguia nos trilhos até que a irmã desapareceu. Sem ter como pagar um detetive e levando em conta o descaso da polícia porto-riquenha para com a comunidade lgbtqa+ ele teve de agir por conta própria.

Foram dias a finco em busca da ente querida que tanto amava; pedidos de ajuda nas redes sociais com centenas de compartilhamentos graças a Nossa Senhora de Guadalupe, pôsteres distribuídos pela cidade – procura-se amada irmã, favor comunicar no telefone xx-xxxx-xxxx – e doses de esperança e fé.

Doze semanas depois, Dolores foi encontrada – o corpo estraçalhado jogado numa lixeira em um bairro violento no sul da cidade, com mensagens de ódio gravadas num papel que a enfiaram pela boca. “Não toleramos aberrações em Porto Rico. Morte aos filhos de satã!” e Dolores passou de irmã amada, gentil e com o grande sonho de um dia ser uma artista à uma mera estatística no gráfico de transfobia no país.

Caribe quebrou. Não conseguia acreditar da malevolência do ser humano – menos ainda naqueles ditos cristãos. Pegou o pouco que tinha e as economias que sobraram e foi embora para bem longe. Não sem antes dar um funeral digno a sua irmã. Aqui jaz Dolores, boa demais para esse mundo, grafou na lápide puída.

Os Estados Unidos, porém, não é muito diferente e ele constatou quando foi assaltado no primeiro mês. Passa a carteira, viadinho, e ele afundou um soco na cara do marginal – entre esse espaço de tempo, vinha descobrindo seus dotes sobrehumanos consequentes a anos em exposição ao rio poluído que corria às margens de casa em Porto Rico. Os dejetos radioativos que boiavam na superfície eram tóxicos e, se não o mataram, o deixaram mais forte.

À Arnesen era preciso se manter, era preciso sobreviver, era preciso assegurar mais um dia. Agora podia se preocupar com o futuro e foi com esse pensamento que em uma tarde fria e nublada de maio decidiu procurar por emprego.

Foram horas gastas recebendo vários nãos. Tendo dificuldades com o inglês, língua materna daquela nação, muitos dos cargos visados não o serviam. Tinha em mente algo que não requeresse oratória – o que pode ser difícil mas não impossível porque Caribe é um rapaz destemido e teimoso que não desiste fácil. Conseguiu, no entanto, encontrar alguma coisa, já no final da tarde. “Contratamos”, o The Princess, bar no subúrbio do Queens, pela fachada, dava indícios de ser um lugar exótico.

Adentrou o estabelecimento e desceu os degraus que o levariam ao subterrâneo. Oh, céus, não é hora para ter um episódio de claustrofobia, Caribe. E suando como uma alma moribunda presa ao inferno – e talvez realmente estivesse nele – constatou a ausência de movimentação no recinto; o ambiente grande, de estrutura antiquada mas bem preservada e cheiros e odores inquietantes o lembrando de sua casa. Ele gostou, de imediato.

Olá?” voz rouca e carregada de sotaque castelhano tentando sobrepor-se ao som eletropunk advindo de algum canto por ali. “Estoy interessado em um serviço. A placa lá fuera diz que buscam por funcionários” e os olhos tão claros e puros quanto sua lama vasculharam o perímetro, intuindo encontrar qualquer um que pudesse atendê-lo.

Alguém aí?” e suspirou, desabando numa banqueta alocada ao balcão principal. Arnesen baixou a cabeça nos braços cruzados sobre a madeira e tentou não chorar. Tão cansado, tão exausto, tão desgastado. Céus, o que seria da sua vida?
tks

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