[RP ATEMPORAL] I bet these memories follow you around

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[RP ATEMPORAL] I bet these memories follow you around

Mensagem por Brooke Rousteing-Herring em Qui Set 29, 2016 1:40 am

Say, you'll remeber me.
a roleplay é iniciada pelo post de Romee Bouchard, seguindo por Sisyphos Wieffering. estando então, fechada para os demais. passando-se esta em new york/metropolis, quatro anos atrás da atualidade. o conteúdo é livre. atualmente as postagens estão em fase de andamento.


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Re: [RP ATEMPORAL] I bet these memories follow you around

Mensagem por Brooke Rousteing-Herring em Qui Set 29, 2016 2:51 am

esc
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"Romee, você é doente!"

As palavras saltavam da boca da minha mãe, sempre pintada com aquele tom rubro muito vivo, fazendo sobressair aqueles lábios finos e perfeitamente arqueados. As íris de um azul brilhante se assemelhava a um lago de águas cristalinas – principalmente pelo fato dela possuir lágrimas enchendo-lhe os olhos. Recuada no canto da sala de estar, ela me encarava, como se visse uma aberração sobrenatural que não deveria existir mas que estava bem ali, a sua frente, se mostrando.

Já o meu olhar estagnado se alternava, dela para o visor da televisão que mostrava um telejornal local, estampando o trio de faces bastante conhecidas por mim. malditos!

*

Outubro de 2012. Upper East Side, New York.

Minha mente mantinha viva as imagens dos momentos que antecediam aquele em que eu corria, no meio daquela estranha e solitária madrugada nova-iorquina, e era algo completamente involuntário. Da reação repulsiva de minha mãe, até o telejornal noturno exibindo um trio de garotos de aparência débil, com seus respectivos responsáveis alegando um ataque de teor agressivo o suficiente para instabilizar suas sanidades mentais; e tendo a mim como responsável. Eu não fazia a mínima ideia de como aqueles bastardos haviam encontrado qualquer informação sobre mim – talvez não fosse tão difícil, quando se é filha de um casal da alta sociedade da cidade e tem seu rosto exposto em um ou outra revista de entretenimento. Eles haviam me encontrado e exposto um ataque que não era totalmente verídico. Sim, eu havia os atacado, mas e quanto a parte em que eles tentaram me atacar? E quanto a parte em que eles tentaram estuprar a uma menina aparentemente vulnerável? Malditos bastardos. Eles sairiam impune, era óbvio. Ninguém acreditaria em mim, não quando se tinha um trio de garotos mentalmente perturbados após serem atacados por mim.

Minha mãe não havia acreditado; então, quem mais acreditaria? Era questão de horas até que minha face estivesse exposta nas folhas de jornais, nos blogs de fofoca, nas páginas das revistas; "herdeira, acusada de ataques psíquicos enlouquece jovens garotos". Obviamente, meus pais não se sentiam nem um pouco satisfeitos com está nova, e má, fama que possivelmente os cercariam; não foi difícil enxergar nos seus olhares de desespero que eles não queriam ter associação a mim.

Bom, eles não teriam. Não mais.

A mochila que pendia em minhas costas pesava o suficiente para fazer minha corrida pelas ruas escuras de Manhattan exaustiva demais. Eu ofegava, tremia, tonteava; não havia ingerido qualquer alimento desde fim da manhã daquele dia e isso estava se refletia na minha fraqueza momentânea. Cada nova lágrima grossa que rolava dos meus olhos pareciam um pouquinho de força se esvaindo. Cada sopro de ar que saia dos meus lábios era um pouco menos de resistência; mas eu não deixei de correr, não até que eu estivesse longe o suficiente – mas, o qual longe uma menina magricela e faminta podia ir a pé? Eu estava perdida, e sozinha.

Ou talvez não tão sozinha assim.

A cada nova curva para o mais longe possível de Upper East Side as ruas se tornavam perigosamente mais escuras e isoladas, isso até que eu virasse uma esquina, depois de muitas outras, e me deparasse com ele. Eu teria gritado, se tivesse forças para isso. Nossos corpos se chocaram as cegas, fazendo-me cessar a corrida e cair contra o asfalto duro, quicando com a cabeça ali. A tontura se tornou nauseante, pontos negros se instalaram na minha visão, enquanto eu tentava focar na figura robusta que se curvava diante a mim. Olhos profundos, azuis quase acinzentado como uma névoa espessa. Seus traços faciais, ainda que na penumbra, eram bastante definidos, e belos. Seria ele o anjo da morte? Eu estava morrendo? Eu teria acreditado naquilo, se não houvesse uma incerteza pairando em minha mente perturbada: não se esbarra com anjos em esquinas.

Então, quem era ele?

Sua voz soava distante, o suficiente para que eu não conseguisse me concentrar nela e sim em como seu olhar preocupado me trazia segurança. Aquele olhar, deveria ser aquele o olhar dos meus pais, huh? Não repulsa, não medo da queda social. As lagrimas insistentes escaparam dos meus olhos, naquele instante até chorar parecia doloroso demais. E então, em uma última concentração de força eu sussurrei para ele. Pedi. Implorei.  

— Me tire daqui. Me tire dessa cidade, por favor.

*

Metropolis.

Quando meus olhos se abriram, o céu negro manchado com estrelas se tornou uma visão tão próxima que parecia possível tocá-lo. O vento que soprava era forte, e o calor que me acolhia me impedia de sentir o frio. Sonolenta, meus olhos buscaram por algo que fosse no mínimo concreto e então o mesmo par de olhos azuis que eu lembrava ter visto surgiram. Um grito ficou preso em minha garganta, enquanto eu associava seus braços prendendo-me seu colo e nós dois atravessando o ar como pássaros em um vôo tranquilo.

Vôo!

Novamente um grito arriscou saltar de minha boca, assim que a realidade clareou em minha mente. Eu estava voando, nos braços de um homem desconhecido. Se aquela era a minha realidade, eu estava mesmo morta e aquele homem era um anjo da morte? Anjos voam, certo? Mas, porquê eu teria morrido? Mortos não seriam capazes de sentir o aperto daquele abraço, nem o frio no estômago enquanto cruzavam o céu, huh? Eu estava viva.

— Onde eu estou? E quem é você? — Perguntei, tentando ignorar o fato de estar tão distante do chão e da normalidade que minha vida deveria ser. Homens que voam, eu e Enchantress. Nada mais era normal, afinal.



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