AHLE, Mitzie Ebërl

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AHLE, Mitzie Ebërl

Mensagem por Fênix em Qua Out 05, 2016 2:23 pm

You know I've seen a lot of what the world can do, and it's breaking my heart in two, because I never wanna see you sad, girl. Don't be a bad girl
Originada da transformação, Mitzie Ebërl Ahle foi a nomenclatura dada por aqueles que a conceberam, porém, aos olhos da sociedade corrupta é conhecida como Tier. Natural da Alemanha. Tende a ser confundida com Marta Piekarz. A seleção natural mostrou-a ser dessemelhante em vista aos terceiros, uma Meta-Humana. O registro da sua data de nascimento é anotada como em 02 de fevereiro de mil novecentos e noventa e nove, ou seja, tem as solas dos pés tocadas ao solo da Terra há dezessete anos. O seu conceito moral de bem x mal a caracterizou como um CHAOTIC NEUTRAL, o que permitiu se transformar em uma INJUSTICE LEAGUE.

* Como descendente da evolução, a sua habilidade primária é a capacidade de Mimetismo Animal, usando para a bel-prazer, afim de saciar a própria satisfação; entretanto, também é dona da Mímica Animal.

Invejada por sua especialização de enérgico. cinco é a medida exata aplicada na Força do ser em questão; o exímio intelecto é algo reparável pela pontuação de sete em Inteligência; segura de si como uma parede, a escala até então de resistência é nove; tão inalcançável como o vento, imperceptível como a sombra, a velocidade vitoriosa atinge atualmente em sete; a vitalidade é definida pelo vigor, e está nivelado em dezoito; carisma é sinônimo de cativar as pessoas, ou subjugá-las com a lábia, e chega a quatro.

"Ela é uma pessoa que me deixou intrigado. Lendo o seu histórico, pude notar que os seus feitos são admiráveis, mas quero saber mais." Respeitável público!

O burburinho causado pelo número anterior, dos palhaços com o minifusca roxo, vai cessando à medida que o coordenador do espetáculo e dono do circo pede atenção. A mão protegida por uma luva está erguida no sinal claro de Albert. O silêncio solicitado não demora a tomar o ambiente protegido pela típica tenda vermelha e branca, que abriga cerca de 300 pessoas. As crianças, todas elas, se calam. Os bebês não ousam chorar e dos adultos mal dá para ouvir a respiração. Nem mesmo os homens que vendem amendoim e pipoca se atrevem a anunciar seus produtos nesse curto período em que Albert pede a atenção de todos. Os bebês terão tempo para chorar depois, as crianças terão tempo de rir depois e os adultos terão tempo de fazer sabe-se-lá-o-que depois. Agora, tudo que eles querem ver é a atração principal do Espetáculo de Elischer, que a pouco fora descoberta em uma das ruas sujas da Alemanha, no último tour pela Europa.

Agora, tenho o prazer enorme de anunciar...

O coração de Mitzie palpita fortemente no peito, ameaçando quebrar a caixa torácica que o resguarda. Seus dedos tiram a malha apertada, demasiadamente colorida e justa do vão da bunda enquanto os lábios são mordiscados até ficarem vermelhos além da maquiagem forte que carrega seu rosto ainda meio infantil. Ela já apresentou o seu número diversas vezes desde que sua habilidade fora descoberta por Albert, mas o nervosismo sempre aparece. Principalmente nesse número. Principalmente depois da conversa de ontem a noite com Albert. Pensar nele lhe dava arrepios. A ameaça fora clara e bem frisada. Ela simplesmente precisa arrasar hoje, e no sentido bom. Caso contrário... As consequências serão desastrosas. O pensamento lhe dá dor de cabeça – ou será que isso é efeito colateral do coque puxado que lhe foi feito no topo da cabeça? Não há como saber. E, também, a dor de cabeça é o menor dos problemas agora.

...Nossa principal atração deste sétimo tour do Espetáculo...

O peso dessas palavras recai nos ombros de Mitzie. É insano pensar que de uma mendiga alemã ela virou o espírito do espetáculo do circo de Albert Elischer. Ainda é fresca em sua memória a dificuldade que passou durante os seis anos em que morou nas ruas da capital alemã. Até os sete anos, vivera com sua mãe, uma mulher magrela e frágil como os ossos que a compunham, e seu pai, um beberrão violento que criava coragem conforme bebia. Ainda hoje, com uma roupa fantástica, aguardando para encher os olhos de uma plateia enorme com seus encantos e habilidades, ela se lembra das surras que via sua mãe receber todos os dias, no chão sujo da pequena cozinha deles. Lembra-se de quando as surras foram transferidas para ela e quando tudo se tornou impossível. Ela tinha apenas sete anos. Parece mentira, mas ela ainda sente os tapas fortes do pai nas costas, no rosto, no peito. As costelas nunca sararam direito e até hoje doem.

Lembra-se de quando voltou do mercadinho com uma sacola de papel pardo em mãos a pedido de sua mãe e ela não estava lá em lugar algum. Nem na cozinha onde sempre estava. Nem no quarto onde nunca entrava. Nem no banheiro sujo que nunca limpava. Nem ela nem nenhuma de suas coisas. Era como se ela nunca tivesse habitado aquela casa. Mitzie se recorda com facilidade da surra que tomou do pai quando este chegou depois de um dia de bebedeira desenfreada e não encontrou nem a mulher e nem respostas com a "tapada de sua filha". Não é difícil de esquecer, também, a sua fuga, que aconteceu alguns meses de abusos depois. Com uma mochila pequena nas costas, Ahle partiu de casa para nunca mais voltar. Preferia viver das ruas, da pobreza e da sua própria sorte, do que no mesmo lugar que o pai. Afinal, não poderia ser tão ruim, poderia? Pelo menos, não pior.

...Vinda diretamente da Alemanha!...

E de fato, não foi. Ela passara fome, frio e fora machucada, mas sempre se virara bem. Mitzie tem um instinto de sobrevivência que raramente falha. Sua intuição é sua maior benção e ela sempre sabe a hora de partir. Soube com o pai. Soube quando Albert encontrou-a, após o boato da menina que vira animais. E sabe agora. De alguma forma, uma voz grita dentro de sua cabeça que ela precisa ir embora. Que não é seguro. Que Albert não é mais a âncora que, por muito tempo, ela não tivera.  Ele não é mais família. Uma família é unida e não mantém relações abusivas. Os Ahle nunca foram uma família. O Espetáculo de Elischer... Ela começa a duvidar das aparências. Albert ameaçou-a por conta de dinheiro. Se o fez com ela, que a pouco está no barco, o que não fez com outros? Com as antigas estrelas? Em algum momento, elas viraram antigas. Por quê? O que ele falara? Mitzie duvida que tenha sido tão mais simpático do que foi com ela.

...Ela, a fantástica, fenomenal, animalesca...Literalmente!...
Mitzie não é uma pessoa apegada. Partir nunca foi problema. Sempre foi embora quando precisou. Não é do tipo que confia cegamente e tampouco entrega a vida em prol de qualquer pessoa ou causa. Ou seja, desapegar da vida relativamente boa que tem no circo não será difícil. É difícil mantê-la presa. Ela tem um instinto animal. Domá-la não é algo possível. Ahle não é domesticável. E definitivamente não confia em quem tenta torná-la uma “cadela de apartamento”, que faz truques e obedece. Não é do tipo submissa. Ela ouve apenas a si mesma e a seu instinto. E o instinto diz “vá”. Ou melhor, grita. Berra. Canta. Sussurra. Murmura. Implora. Suplica. E Mitzie vai. Não espera ao fim das apresentações fabulosas de Albert e fecha os olhos. Seu poder é estranho enquanto age. Ela sente os ossos aumentarem à medida que a pele estica e muda de forma. Há um comichão. O nariz cresce, a coluna entorta, as mãos aumentam e tornam-se patas. E ela vira um elefante. Não muito veloz, mas forte o suficiente para fazer um estrago, que é o que ela quer. Grande o suficiente para mandar o recado que ela quer.

MIIIIIIITZIE, A MENINA QUE VIRA ANIMAIS!

Hora do show.


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