EVOLVE, Michael L.

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EVOLVE, Michael L.

Mensagem por Adam Warlock em Seg Out 17, 2016 2:18 am

Suco de amora
Originado da transformação, MICHAEL LEECH EVOLVE foi a nomenclatura dada por aqueles que o conceberam, porém, aos olhos da sociedade corrupta é conhecido como Leech. Natural de Estados Unidos. Tende a ser confundido com Chandler Riggs. A seleção natural mostrou-o ser dessemelhante em vista aos terceiros, um meta-humano. O registro da sua data de nascimento é anotado como em cinco de março de mil novecentos e noventa e cinco, ou seja, tem as solas dos pés tocadas ao solo da Terra há vinte e um anos. O seu conceito moral de bem x mal x caracterizou como um LAWFULL EVIL, o que permitiu se transformar em umx Injustice League.

Como descendente da evolução, a sua habilidade primária é a capacidade de Mimetismo empático, usando para a bel-prazer, afim de saciar a própria satisfação; entretanto, também é dono da Evolução reativa.

Invejado por sua especialização de intelectual. DEZ é a medida exata aplicada na Força do ser em questão; o exímio intelecto é algo reparável pela pontuação de VINTE em Inteligência; seguro de si como uma parede, a escala até então de resistência é DOZE; tão inalcançável como o vento, imperceptível como a sombra, a velocidade vitoriosa atinge atualmente em QUINZE; a vitalidade é definida pelo vigor, e está nivelado em OITO; carisma é sinônimo de cativar as pessoas, ou subjugá-las com a lábia, e chega a CINCO.

"Ele é uma pessoa que me deixou intrigado. Lendo o seu histórico, pude noter que os seus feitos são admiráveis, mas quero saber mais." Para Michael, o mundo não era muito maior que a base científica onde cresceu. Com toda sua infância, ele não foi capaz de explorar cada sala que havia ali, apesar de ter experimentado os mais variados tipos de experiências científicas possíveis para a imaginação humana. E, embora sua vida fosse uma grande rotina de sofrimento e solidão, nunca havia cultivado o desejo pela liberdade. Talvez porque não conhecia o significado da palavra.
A educação que recebeu dos cientistas focava as áreas consideradas importantes por eles: matemática, física, química, biologia, inglês, espanhol e, por pouquíssimo tempo, engenharia. Diariamente era levado a centro de treinamento físico, onde fortalecia seu corpo e aprendia combinações de artes marciais. Tudo era feito sem haver um propósito, intrigando o garoto que não tinha mais de oito anos. Haviam outras perguntas além dessa. O que ele era? O que queriam exatamente dele? Quem eram as outras crianças?
Depois de permanecer questionando por um longo tempo, foi acrescentado algo novo em sua agenda semanal, uma psicóloga. De início foi muito difícil para Michael se adaptar a precisar conversar sobre seus pensamentos tão pessoais com alguém até o presente desconhecido, entretanto, a senhorita Massri merecia o mérito por ser tão amigável, ou viva, diferente dos demais funcionários daquele lugar. Por causa disso, Michael passou a enxerga-la como algo além de sua psicóloga. Quando tinha dezessete anos, ele acreditava possuir alguma espécie de vínculo com aquela mulher, algo similar ao laço familiar que os homens de branco diziam ter com ele. Em sua cabeça, sua família era apenas a senhorita Massri.
No inverno de dois mil e doze, um novo tipo de experimento era testado diariamente. Em um grande tanque de água no meio de uma sala repleta de homens de branco, o jovem, com agora dezoito anos, mergulhava suavemente até o fundo sem equipamentos para respirar, havia apenas um que monitorava seu cérebro. Era assustador para ele, já que a cada vez que repetiam aquilo, mais tempo ele precisava permanecer submerso. Chegou a desmaiar três vezes, adquiriu uma forte dor de cabeça que não passava e depois de muitos dias reproduzindo o que os cientistas queriam, ele pôde notar mudanças drásticas e repentinas em seu humor.
Durante a noite, o garoto era atormentado por sonhos. Não eram pesadelos, e sim sonhos, alguns muito bons inclusive. Todavia, não eram sonhos dele. Por algum tempo, manteve isso em segredo de seus médicos, até mesmo da psicóloga. Havia a possibilidade de aquilo estar ocorrendo devido seus mergulhos e, não desejando interromper o progresso da pesquisa, permaneceu em silêncio sobre seus devaneios noturnos até o dia em que superou todos os seus recordes de tempo dentro da água.
Os homens de branco observavam boquiabertos Michael dentro do tanque. Ele não sabia, mas estava calmo por mais de quinze minutos sem ajuda de equipamentos ou saídas para recuperar seu fôlego. Um dos homens se aproximou do tanque e com sua mão, bateu no tanque, chamando a atenção do jovem com o som, visto que não havia nitidez dentro do tanque. Alguma coisa era dita por ele, mas não era fácil ouvir, não de início. Após alguns instantes de insistência por parte do cientista a se comunicar, uma voz começou a alcançar os ouvidos de Michael, até o ponto em que ele fosse capaz de compreender e reconhecer seu dono, o insistente.
— Você está bem? — Perguntava o homem aparentando desespero, ele enxergava sua filha no lugar do Michael e, por um momento, o jovem enxergava a garota ali dentro também. — Os monitores cerebrais devem estar com problema. Não é possível ele suportar tanto tempo! Retirem ele do tanque. Agora!
Assustado com a menina que se agonizava em sua frente, Michael não dava mais atenção aos gritos dos observadores — ou família, como eles diziam ser. Em um instante, surgiu mais outra pessoa naquele espaço, um garoto no qual não conhecia, mas sentia algo por ele, como se fosse importante. Logo mais um estava lá, e mais outro, mais uma menina, até mesmo uma idosa. Quando se deu conta, sentia-se mal e tremia enquanto era retirado do tanque por duas pessoas. Sua vista havia começado a escurecer lentamente, mas antes de tudo se apagar por completo, ele escutara:
— Levem-no ao setor dois. Ele conseguiu o que queríamos. Ele é um deles...

Após oito meses do exame do tanque d’água, o jovem encontrava-se em uma nova rotina. Seus estudos foram retirados da agenda, juntos das atividades físicas que possuía com professores e outras pessoas da sua idade. Apesar de não ser permitida a comunicação durante os treinos, ele sentia falta de estar perto de gente com vida em seus olhares, aquele visto nos outros jovens. Os cientistas agora se vestiam de preto e mantinham seus corpos ocultos sobre uniformes incomuns. Não era possível diferenciá-los, nem mesmo pela altura que era semelhante em todos. E os seus experimentos no jovem eram mais elaborados, envolvendo não apenas a sua resistência física, mas a sua capacidade de resolver problemas, velocidade motora e, por parte da psicóloga Massri — a única pessoa que ele sabia reconhecer pelo seu jeito de ser —, suas respostas para questões morais.
“Entre se divertir em uma festa e salvar crianças em perigo por causa de um cachorro raivoso, o que você escolheria? ” “Se algum de nós o ordena a atirar em algo ou alguém, você atira ou hesita? ” “Água ou suco de amora? ” Eram inúmeras perguntas que não faziam sentido. O objetivo delas, na verdade, era descobrir a reação do ouvinte e as palavras que escolhia para responder. Se ele apenas usasse as mesmas que estavam nas questões, sendo direto, significaria que não pensava muito, não hesitava, o que sugere grande confiança em si mesmo e até mesmo egocentrismo. Caso formulasse frases maiores e respondesse com tom de indecisão, seria anotado que possuía dificuldade em fazer próprias decisões, incapacidade de funcionar em seu melhor em situações sob pressão, embora pudesse ser bom em seguir ordens. E Michael sabia de tudo isso porque eram os pensamentos de Massri enquanto o encarava.
Diferente das demais pessoas que trabalhavam ali, a psicóloga tinha um conhecimento maior sobre as habilidades de Michael. Não era necessário ter visão de alguém para ele sentir o que o outro sentia, ou, como descobrira depois que foi levado para aquele lugar, saber o que estavam pensando. A psicóloga — que na realidade era psiquiatra, porém não quiseram fazer com que Michael imaginasse ser um maluco devido aos estereótipos da verdadeira profissão da doutora —, enquanto fingia estar do lado dos cientistas fazendo as perguntas que queriam que fizesse, dialogava com o mais novo por um meio que não fosse possível bisbilhotar: telepatia.
Durante as sessões com a falsa psicóloga, Michael continuou aprendendo através da mente dela. Haviam muitas disciplinas que até o então eram desconhecidas por ele, como filosofia e arte. Em um certo dia, conseguiram dividir as lembranças de livros que Massri já havia lido durante sua vida. Muitos estavam na língua da terra natal dela, hindi, mas Michael conseguia entender perfeitamente. Dessa forma ele leu indiretamente livros incomuns que não ensinavam algo específico como livros de matemática, e sim as histórias que a imaginação humana é capaz de criar, como o monstro de Frankenstein. Nesse episódio de leitura, um livro em especial acabou o interessando, a bíblia. Não apenas o que estava ali, mas também o que a doutora conhecia sobre o cristianismo, especialmente o catolicismo. Esse novo conhecimento despertou algo novo nele, a fé.
Quando os cientistas diziam ser noite e hora de dormir, não havia como contestar, pois não haviam janelas para saber se o Sol já havia se posto. Em uma noite, Michael estava em seu quarto, ou sua cela, deitado em sua cama, mas não dormia. Dentro da sua cabeça, lembrava das histórias que havia conhecido. Ele acreditava que Deus tinha um plano, um grande plano para todos. Nada era por acaso. Michael não estava fora dele, mas se perguntava se foi esquecido ou ignorado. Então levou seus joelhos ao chão e iniciou uma oração desejando conseguir atenção do Todo Poderoso. Não queria permanecer mais um minuto sequer ali, aprisionado por ser quem é, por ser como o Pai o moldou.
A porta da cela foi aberta. Havia ninguém ali, nenhum homem de preto. Ele ouviu suas preces? Michael acreditava que sim. Sem perder tempo, seguiu para o corredor fora de seu quarto. Uma voz começou a guia-lo para onde ele imaginava ser a saída. As portas abriam conforme ele se aproximava, deixando-o contente por ter finalmente chegado o dia que conheceria o mundo. Depois de passar por mais uma porta aberta, avistou meia dúzia de homens sem os uniformes de praxe. Todos viram o jovem liberto e entraram em pânico. Michael não sabia o motivo para isso, até uma voz sussurrar mais uma vez em seu ouvido: Toque todos eles.
No fim de um corredor, havia uma porta diferente de todas as outras, pois era negra com gravuras vermelhas que tinham luz própria. De alguma forma ela atraía Michael, convencia-o a girar a maçaneta e entrar ali. Ele o fez. Havia somente escuridão e silêncio. Quando pensou em voltar, a porta não existia mais atrás dele.
— Está pronto para ser livre, Michael Evolve? — Era a voz da doutora Massri vindo de sua frente. O som de seus sapatos pôde ser escutado quando, aparentemente, ela se aproximou iluminando somente os dois ali dentro com uma luz de origem misteriosa. Sua mão direita estava esticada aguardando pela resposta.
Ao escutar aquela pergunta, Michael levou um momento para repassar sua vida num flashback. Sua infância em laboratórios e aulas intensas para o amadurecimento precoce, sua juventude isolada de outras pessoas ao ponto de fazê-lo nunca compreender completamente a ética daquelas pessoas ao seu redor e o início da sua vida adulta onde nunca pôde saborear a liberdade de ter controle de si mesmo, de suas escolhas. Tudo havia mudado nesse dia em que se encontrava numa sala fora do espaço. Ele havia experimentado de tudo um pouco, desde a saída de laboratórios até o toque na pele de pessoas. Com suas próprias mãos, arrancara a vida de muitas pessoas que o fizeram o que elas queriam fazer. Poderia julgá-las como gente de má índole, mas se não o tivessem feito, Michael não seria capaz de ser o que era agora e, consequentemente, não conseguiria seguir os Grandes Planos.
Michael levou sua mão a da doutora, apertando-a.
— Suco de amora — murmurou. — Suco de amora.


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