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Mensagem por Penelope Modzelewski em Ter Mar 21, 2017 7:34 pm

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A roleplay é iniciada pelo post de Penelope Modzelewski, seguindo por Kwan Wittgenstein. Estando, portanto, FECHADA para os demais. Passando-se esta em 15.JAN.2017, UNIVERSIDADE LOCAL. O conteúdo é LIVRE. Atualmente, as postagens estão EM ANDAMENTO.


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Mensagem por Penelope Modzelewski em Ter Mar 21, 2017 7:37 pm



You know, you know I hid the red child

Os meus cabelos louros e cacheados tocavam ligeiramente o tampo da mesa da carteira quando inclinei levemente o meu rosto para frente conforme o lápis rabiscava várias vezes as margens das folhas de meu caderno de arame. Minhas feições eram muito sérias e meus traços estão duros como se tivessem sido esculpidos em pedra, como se nada no mundo pudesse acontecer para tirar aquela fisionomia de meu rosto tão cedo. Podia sentir meu coração bater muito forte e eu mal conseguia esconder as mãos. A minha cabeça parecia encher-se de informações e toda essa saturação intoxica-me de forma que a fazia me sentir morta aos poucos. Já havia adiantado todas as etapas possíveis de minhas tarefas, ensaios, trabalhos e relatórios que deviam ser entregues, por isso não tinha nada em que me concentrar naquele horário vago que não fosse meus próprios pensamentos confusos. Eu estava fazendo o meu máximo para parecer estar agindo apenas como alguém arduamente concentrada em minha atividade, muito embora tudo o que eu estivesse fazendo naquela hora era desenhar. Várias flechas com uma letra “N” com serifas logo abaixo. No fim meus desenhos saem da margem e se espalham pela folha preenchida apenas com linhas, e preenchem toda a folha.

É o tipo de coisa que eu praticava sempre que eu estava uma pilha de nervos, pois todas as pessoas precisavam de algo para orientar. Um norte. Eu achei há um bom tempo que havia encontrado um norte; um alicerce em quem poderia encontrar algum apoio. Contudo nos últimos meses eu tenho achado que o meu alicerce era muito questionável, afinal as lembranças que não exatamente me pertenciam voltavam cada vez mais constantemente. Sussurros que vinham de meus lábios, mas que claramente nunca foram vividos em meus vinte e dois anos, assolavam minha cabeça e me faziam desejar depositar tanta energia em minha cabeça a ponto de explodir meus miolos para me isentar de tantos problemas assim. “Sem mais mutantes.” No fim, eu tinha desenhado cento e quarenta e sete símbolos que indicavam o norte para frente da sala, logo no nível em que ficava o professor de anatomia avançada para aplicar suas aulas; que hoje seria puramente teórica. Fechei momentaneamente os olhos e escondi minhas mãos dentro das mangas cumpridas de meu suéter azul marinho, atentando-me aos sons externos que indicassem alguma aproximação, o que não seria difícil já que o corredor daquele bloco em questão ainda estava vazio, apesar de minha cabeça ainda estar baixa.

Meus ouvidos se atentaram a entrada de uma única pessoa na mesma sala em que eu estava, vendo que não havia menos de meia hora antes da seguinte aula começar, a pessoa também devia estar muito adiantada. Mas a caminhada da pessoa não durou muito, já que pude escutar o som dos sapatos alheios soltarem um barulho típico de solas que se arrastam no piso com um escorregão. Algum babaca devia ter deixado o chão cheio de neve na aula anterior, dando esse resultado para o sujeito que parecia pretender se sentar em uma fileira próxima. Inevitavelmente meus olhos escuros fitaram curiosamente a figura que não caiu no chão, mas parecia estar inclinada para frente e com as mãos bem seguras nas carteiras que se faziam presentes em seus dois lados. Encarei seu perfil e percebi no mesmo segundo quem era o indivíduo que adentrara. Estava sem seus óculos costumeiros na face e seus olhos estavam semicerrados, possivelmente tendo os perdido assim que seu corpo fora para frente. Havia conseguido se segurar, mas seus óculos não tivera a mesma sorte. Sem nem ao menos pensar duas vezes, levantei-me de meu lugar e fui de encontro ao moreno de pele pálida e olhos muito castanhos.

Revirei meus olhos e não pude conter o sorriso, balançando a cabeça negativamente enquanto ajeitava minha saia e abandonava meu assento para ir até o garoto paea ajudá-lo.

Pude escutar o som de minhas próprias botas ecoarem no piso enquanto eu ia até a fileira em que ele estava, semicerrando os olhos em busca de suas lentes que o permitiam enxergar com clareza. Enquanto isso, eu enxergava perfeitamente onde estavam seus óculos; que haviam deslizado para uns bons três metros longe dele. Parei bem fronte ao artigo oftalmológico e postei-me fronte ao rapaz, oferecendo-o de volta o que era seu. — Não deu tempo de avisar. O cara que saiu daqui deixou o piso cheio de neve. O chão estava todo molhado. — Soltei um pigarro, levando meu punho livre fronte aos meus lábios avermelhados ao notar que minha voz tinha algum vestígio de bom-humor repentino. Apesar disso, meu tom de voz ainda era convicto e muito confiante; coisa que eu não tinha antes de retomar a minha vida. Eu poderia ter entregue seu par de óculos diretamente em suas mãos, mas instintivamente meus dedos ajeitaram as hastes do objeto e posicionaram os mesmos para acomodá-los novamente fronte ao rosto de meu amigo. Poderia ser um toque íntimo demais para duas pessoas que não se conhecem há muito tempo, mas não é algo que me deixa desconfortável. É instintivo cuidar de alguém querido para mim. Eu não o havia conhecido simplesmente no antro acadêmico; havia conhecido-o no hospital enquanto ele passara anos em coma desde quando comecei meu estágio.

Fora a maior surpresa quando os olhos dele se abriram justamente quando eu estava cuidando dele e verificando se ele estava bem; esperando que ele fosse permanecer inconsciente, ele despertou e eu fui o primeiro rosto que ele viu em anos. A situação não poderia ser mais estranha para nós, mas formamos uma relação estranha de familiaridade um com o outro. Soltei as hastes de seus óculos e coloquei uma das mãos na cintura enquanto a outra trabalhava em afastar a cortina de mechas louras que insistia em tentar cobrir meus olhos. — Ótimo jeito de começar o dia. Bom dia, Kwan. — Murmurei, tentando educadamente esconder minha vontade de gargalhar, a medida que cobria novamente meu pulso direito com a manga de minha blusa para erguer o antebraço e limpar uma manchinha branca na lente de meu amigo.


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Mensagem por Kwan Wittgenstein em Qua Mar 22, 2017 1:38 am


O costumeiro headphone jaz sobre sua cabeça e envolviam as orelhas alheias com seu acolchoado, o tom azulado predominava sobre o aparelho que é um dos pertencentes a coleção do jovem mutante que mantém o mais distante possível de seu furão que explora toda a residência pertencente a família americana de descendência inglesa. A melodia instrumental acompanhava o seu humor nesse dia em específico, ligeiramente entediado pela falta de afazeres e entretenimento que tampouco conseguia ocupar a mente que trabalha inconsequentemente mais rápido do que as pessoas em torno em conta de sua superinteligência — ou "super-sabichão" como Kai prefere chamá-lo quando demonstra um terço de sua capacidade mental em sua rotina nada convencional. Os trabalhos ou qualquer outro meio de dever determinado pelos seus então mestres haviam sido entregues com antecipação, assim como seus afazeres extras que se encontram no meio do caminho. Os profissionais acreditam que em menos de dois anos o moreno poderia se encontrar com seu diploma em mãos e enfim se especializar na área de seu bel prazer pela facilidade que administra as informações que lhe são apresentadas e armazenadas como se detivesse de uma incrível memória fotográfica. Brilhante. Descrevem-no. O primeiro de sua turma e presente no top 10 de estudantes pertencentes a universidade. Seria o primeiro se não reprimisse parte de suas notas para não atrair mais atenção do que faz sem esforço algum. Se eles soubessem o segredo que resguarda em seu âmago, duvidava que fosse tão admirado por seu intelecto como é agora.

Kwan guarda metade do peso sustentado por sua mochila dentro de seu armário em plena desorganização devido o contáveis materiais escolares e semelhante número de anotações que entregavam respostas dos possíveis próximos exames. Vez ou outra, no ápice de sua generosidade, se prontificava de auxiliar as turmas de reforço mesmo tendo a certeza que nenhuma delas possuem a capacidade de chegar ao fim do curso se a sorte não os acompanhasse. Outrora jamais empenharia sua crença de tal forma, mas depois de tudo que lhe ocorreu, não há nada que possa explicar o seu despertar. A não ser, é claro, a moçoila de longas madeixas douradas que admira sempre que pode quando não se perde nos pensamentos da própria. Sentia-se um idiota por ter ganho a amizade da garota enquanto ainda se comporta como um verdadeiro idiota quando na maioria das vezes se encontra sobre a presença da mesma. Contudo, não há ninguém que conseguirá arrancar tamanha informação em relação ao sentimento que nutre pela mulher em sua boa vontade. Talvez seu irmão seja o único que possa sugerir a presença do sentimento com fundamentos por conhecê-lo como ninguém o faz. Aos observadores a química entre ambos é evidente, mas os atritos frequentes impedem que o fato se concretize aos demais. A questão é que a loira significa mais para ele do que admite para si próprio, pois seu rosto fora seu primeiro vislumbre desde que retornou do coma.

Droga. — Murmura em um tom quase inaudível, como um grunhido pela ausência do ruído que o cerca e por temer que saia mais alto do que a música que ocupa seus ouvidos contém sua voz somente para si mesmo entremeio a reação impetuosa. Mal percebera que chegou a sala onde ocorreria a próxima aula e por tamanha falta de informação que seus pés derraparam pela superfície lisa do piso que encontra-se perigosamente escorregadia pela umidade que o toma na falta de cuidado de algum infeliz ou dos próprios funcionários direcionados à área limpeza do prédio da instituição acadêmica. Em relevância aos sentidos aguçados, conseguira estabilidade quando ambas as palmas vão ao encontro das carteiras que compõem duas fileiras delas. No entanto, uma falha em seus cálculos acarreta na falta de seus óculos que o obrigam a semicerrar os olhos para conseguir encontrá-los entremeio a armadilha que se enfiou. Com o corpo inclinado da maneira que o faz, não conseguira cogitar quanto tempo aguentaria em tal posição sem que fosse entregue a queda eminente. Impossibilitado de afastar os fones de ouvidos que ainda seguem a tocar as músicas pertencentes a playlist, tenta captar com sua má visão a presença de outrem na sala esperando que fosse socorrido ou que pelo menos se submetesse a primeira opção sem passar vergonha alguma.

A voz doce e melódica feminina é alta suficiente para que se sobreponha a música que ainda toca por conta do aparelho, e o alívio o toma instintivamente; ele reconheceria aquela voz de qualquer lugar, circunstância ou tempo. Poderia ser um tanto quanto extravagante assinalar o fato de maneira tão convicta, mas não se pode mentir ao sentimento que invade seu peito ao toque alheio que então o faz endireitar sua compostura como se tivesse cometido o maior deslize de sua vida. O esforço de manter suas maçãs do rosto com o rosado natural é falha, pois se tornam cada vez mais rubras na medida em que abre as pálpebras vagarosamente e se depara com o rosto dela tão próximo do seu. Cabisbaixo se torna quando repara que a encara por tempo demais, e o olhar recaem para a mão da segunda que firma em sua cintura fina que se realça mesmo com a presença do suéter ligeiramente largo em seu corpo curvilíneo. — Poppet. — Saiu mais como um sussurro do que uma repreenda, pois estava evidente que ela estava com uma vontade imensa de rir em conta da situação que conseguira se meter. Ele prende a respiração com a seguinte aproximação; Kwan está tão acostumado com as pessoas quererem cuidar dele que não recua. Principalmente por ser ela. Caso fosse um de seus irmãos ou seus próprios progenitores haveria de protestar, mesmo que compreendesse o porquê das pessoas que ama se sentirem dessa maneira em relação a ele. Se fosse do contrário ele faria o mesmo. — Bom dia pra você também.

Aa owari tsugete hoshii no sa seijatachi;

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Re: + wonderwall

Mensagem por Penelope Modzelewski em Qua Mar 22, 2017 8:54 pm



You know, you know I hid the red child

Poucas pessoas são próximas o suficiente de mim para terem intimidade o suficiente para dirigirem-se a mim pelo meu apelido carinhoso adotado primeiramente por minha chefe no hospital. As pessoas mais distantes que tentam se aproximar geralmente encurtam meu nome para algo clássico demais, algo como “Penny” ou “Penn”, como se estivessem com muita preguiça de simplesmente falar o nome “Penelope”, ou mesmo se tivessem engasgado meu nome no meio dele. Eu nunca digo nada para não soar mal humorada ou mesquinha, contudo minhas caretas denunciam muito bem o fato de não gostar de nenhum destes apelidos convencionais. Escutar a voz quase sussurrada e tímida de Kwan pronunciar minha alcunha coincide com um som afável que faz com que eu me sinta completamente à vontade, existindo um carinho genuíno em cada sílaba proferida pelo rapaz. Apesar de há poucos segundos meus lábios estarem selados e seus cantos franzidos para que um riso não escapasse de meus lábios, eles finalmente se abrem gradativamente em um sorriso leve e genuíno. Depois de muito tempo convivendo com Kwan, apesar de nossas discussões serem algo frequente, a sua índole amável nunca me deixa de surpreender. Sendo assim, meus próprios sorrisos sempre me pegavam de surpresa nos momentos em que eu prestava atenção até demais nos atos dispersos do moreno.

Minhas mãos foram até atrás das costas e minha destra agarrou o pulso de minha outra mão, balancei meu corpo levemente como uma criança despreocupada quando o escutava desejar-me bom dia. Meu dia de forma alguma havia começado bem, contudo a aparição do homem me fizera dispersar dos motivos que me levavam a ser tomada por minhas crises de pânico. Sinto com convicção absoluta que meu dia havia acabado de melhorar. Dei de ombros e segurei um de seus pulsos com minha mão canhota no intuito de conduzi-lo até a fileira em que eu me encontrava para que se sentasse próximo a mim. — Vem comigo, senhor sabichão. — Sentei-me em minha respectiva carteira à medida que esperava que ele se acomodasse no assento logo atrás de mim. Antes que eu pudesse me virar para poder começar um diálogo com o moreno, a primeira coisa que eu fiz foi esconder a folha com os estranhos desenhos com indicadores para o norte. Por mais que fossem desenhos comuns, um padrão repetido mais de cem vezes não poderia ser considerado uma coisa muito normal. Caso ele questionasse, eu nunca saberia responder sem parecer esquisita. Mais do que eu já sou. Se eu te explicasse nada mais que a verdade, passaria a achar que eu sou louca.

Me virei de ímpeto para trás e segurei com minhas duas mãos ao encosto de minha cadeira enquanto inclinava-me levemente para frente, assistindo meus cachos caírem justamente na superfície da mesa de Kwan a medida que eu o mirava com meu olhar desconfiado, desviando completamente a atenção de meus próprios pertences. Se havia algo que eu ainda não havia tido oportunidade de questionar ao rapaz desde quando as notas de uma das provas haviam sido divulgadas pela docente mais megera que nossa grade oferecia era sobre como ele havia se sobressaído tanto. — OK, eu preciso te perguntar como você conseguiu aquela nota alta em Genética. — Uma das primeiras coisas que eu havia admirado sempre em Kwan fora a sua inteligência. Tudo bem, eu estou mentindo. A primeira coisa que me chamou atenção no rapaz foram seus olhos absurdamente castanhos, olhos que eu encarei pela primeira vez quando ele acordou do coma há muitos meses atrás. Lembro-me de ter demorado mais do que deveria para chamar Dra. Lethermann quando notei seu despertar porque estava deslumbrada demais com aquele tom de castanho, mas a segunda coisa que me chamou a atenção foi a sua inteligência.

Como alguém podia ser tão bom em absolutamente toda a grade? Uma de minhas mãos começou a mexer instintivamente em uma de minhas mechas cacheadas por puro hábito de alguém muito pensativa e reflexiva. — Eu estudei todos os intervalos que me foram possíveis e ainda tirei um sete. Um sete. — Enalteci como isso fosse um ultraje, balançando a cabeça negativamente para o mesmo. — A maior parte da nossa turma praticamente bombou nesse exame, então pode se preparar porque todos vão vir preferir tirar dúvidas com você do que tentar reclamar notas com a megera. — Instantaneamente a minha cabeça se direcionou novamente para a visão de alunos indo até Kwan e pedindo um suporte para estudos. Quando está muito disposto a ajudar quem busca por alguma orientação, o garoto organiza várias pessoas e tira dúvidas em aulas de reforço. Eu havia presenciado uma dessas aulas e não consegui me concentrar em uma palavra do que ele dizia por um motivo muito particular. Muito firme quando se trata do antro acadêmico, Kwan parece muito mais seguro de si por estar aparentemente em sua zona de conforto. Sua inteligência o torna interessante. Seu par de óculos o acrescenta um ar intelectual muito atraente. Sexy, eu diria. Apoiei o cotovelo em sua mesa e minha bochecha na mão elevada, acrescentando: — Eu queria saber como você consegue essa proeza.


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Re: + wonderwall

Mensagem por Kwan Wittgenstein em Sex Mar 24, 2017 7:13 am

 
O mutante segue o comando por puro instinto, com suas íris a perderem-se pelas curvas que se destacam na medida em que ela se movimenta em direção ao seu assento em um gingado hipnotizante e entorpecedor, quase o fazendo perder, por pouco, um detalhe que seu intelecto brilhante jamais o faria na ausência da loira a quem resguarda tão profundo sentimento. Os desenhos são repetitivos e as linhas disformes entregam as emoções distintas das mãos que os fizeram; a direção entrega ao norte e tamanha informação é armazenada com extrema importância vinde a ligação existente entre ambos e especialmente o pensamento que o acompanha. Ele o capta com certa dificuldade, e se a mesma soubesse da existência de seus poderes tomaria consciência de que ele se infiltrava em sua mente pelo movimento ligeiro ao retirar o headphone que anteriormente envolvia suas orelhas para aumentar o desempenho da própria concentração — uma tarefa árdua levando em conta o quão disperso consegue se tornar quando Poppet toma seu campo de visão. Ele sente a mesma emoção de ter visto seu rosto pela primeira vez, e não só pelo fato dele ter sido o primeiro que avistou quando despertou, mas pela beleza de seus traços que instigam sensações jamais despertas antes mesmo que esteja rodeado de moçoilas de idade semelhante. Não que Kwan seja o galão da vez, veja bem, ele se encontra em um antro acadêmico donde abriga um número incontestável de jovens como ele e dentre todas as adolescente que tomam os corredores nenhuma delas consegue despertar vossa atenção de maneira indescritivelmente intensa como a loira que jaz defronte a si que se acomoda em uma das carteiras.  
 
O esforço que exerce em manter o contato visual é notório, visto que a mulher consegue intimidá-lo mais do que Kai que parece ter semelhante poder ao seu ao deduzir suas ações e pensamentos na maioria das vezes em momentos principalmente inapropriados, ocasionando em discussões frequentes e calorosas entre ambos que logo se resolvem devido o fato de não conseguirem parar de falar um com o outro por mais de dois minutos. Irmãos. As madeixas douradas alheias repousam sobre sua carteira e por algum motivo que desconhece sente as articulações pertencentes as palmas se voltarem contra seu joelho e consequentemente se alojarem ali ao torcer o tecido de seu jeans a manter a compostura outrora incólume antes de seu "acidente". A fisionomia concentrada se torna frustrada com a seguinte sentença que entrega as verdadeiras intenções da aproximação de sua amiga que são completamente voltadas ao seu desempenho acadêmico em relevância ao exame a qual fora a exceção de sua turma a se sobressair dentre os demais — o fato se tornou tão comum que tampouco demonstra alguma importância em relação a tal. Contudo, é constantemente relembrado de suas capacidades pelos olhares tortos e os raros de admiração dos estudantes e docentes quando seu intelecto é testado. A resposta poderia ser curta e franca se não envolvesse as pessoas que mais ama em todo o mundo: seus irmãos. Apesar da sociedade ter ciência da existência de seres "anormais" vivendo entremeio a eles, não é nada seguro revelar sua verdadeira natureza vide que nem todos relevam o fato de pessoas como ele existirem. Expor-se é o pior que poderia acontecer, em exceção ao fazer conscientemente o mesmo com seus irmãos. Ele jamais se perdoaria se os colocassem em perigo. Nunca.  
 
Você é um idiota se acha que ela estava realmente interessada em você. Se não fosse por deter tais poderes psicológicos não seria capaz de prender sua atenção nas palavras proferidas por Poppet que se encontra frustrada com seu próprio desempenho acadêmico se comparado com o moreno que mantém suas notas impecáveis sem apresentar esforço algum. Ao invés buscar uma solução para os problemas da amiga — e realmente busca por ser capaz de prender-se a mais de um assunto mentalmente — a aparência de outrem lhe parece muito mais interessante do que as informações que lhe são jogadas pelos lábios cheios e rosados, com seus dentes alinhados e brancos a movimentarem-se em conjunto. Os traços delicados e angulosos que dão formato a face formidável, a coloração castanha que compõe as íris alheias e os cílios escuros e espessos que lhe dão um ar sensual; seus cabelos dourados são brilhosos e graças aos seus sentidos aguçados é capaz de sentir o aroma doce que exala deles sem a necessidade de uma aproximação. A derme é levemente bronzeada, macia e sem dúvida alguma quente; como se houvesse uma energia em torno da mulher que a mantivesse em tal temperatura. E seu corpo? Bem, outra coisa viria a enrijecer caso viesse a se atentar a ele mais do que o normal. Como ela não percebe? É tão ingênua a ponto de não perceber o quão seu melhor amigo é apaixonado por ela?  
 
Como...? Quer dizer, claro. Ham... — Wittgenstein balança sua cabeça negativamente, em um movimento abrupto que é quase capaz de desfazer o habitual desalinhamento que permanece os fios escuros em um topete garboso, por assim dizer. As palmas que anteriormente se encontravam pousadas em seus joelhos retornam a se remexer pela inquietação que invade seu âmago na falta de uma resposta coerente e que realmente a convencesse. Duvidava que pudesse fazê-lo, já que a mesma o conhece tão bem quanto sua própria família. E mentir nunca foi seu forte e tampouco o faria com ela, omitir, no entanto, não era uma opção. A tese que o gene mutante é repassado pela genética tornou-se convicta desde que cientistas a confirmaram por via de experimentos que não viera a público; e Kwan lamenta pelos mutantes que tiveram seu gene explorados de forma tão abusiva. Então por que não respondê-la com a verdade?Eu não sei te responder essa pergunta. Eu simplesmente sou assim. — Ele dá de ombros em um gesto despreocupado e o indicador da destra empurra seu óculos em contato com o centro sustenta ambas as lentes de grau. Um sinal que se encontra ligeiramente nervoso, pois se encontra em uma situação pra lá de desconfortável. Talvez fosse normal tamanho comportamento, visto que o contato social ainda lhe é uma dificuldade. Por mais que seja carismático, ainda não sabe como lidar com as pessoas e quem dirá com o sexo oposto — principalmente por aquele que se sente especialmente atraído. — Não há um método de estudo que eu possa te apresentar que você não conheça, mas posso te oferecer ajuda. Como faço com os grupos de reforço.
 
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Re: + wonderwall

Mensagem por Penelope Modzelewski em Sab Mar 25, 2017 11:01 pm



You know, you know I hid the red child

Eu juro com todas as minhas forças que eu não fazia ideia do fator que me fizera não me desprender do moreno de olhos castanhos desde quando eu o vi finalmente consciente, contudo eu podia ter certeza que à medida que o tempo passou; ele se recuperava e logo depois disso passou a frequentar a universidade, o único fator se transformou em vários. Havia aprendido com o tempo a me controlar em vários aspectos, como expressões e até mesmo muitos de meus pensamentos em função de telepatas. Eles poderiam estar em qualquer lugar e a ideia de que algum deles pudesse ler minha mente me assustava profundamente, pois eu mesma possuo um dom como este. Nem sempre entrar na cabeça das pessoas é uma boa ideia, pois nem sempre é o que desejamos ouvir. Os sussurros de ódio reprimido, toda a dor e todos os segredos. Contudo depois de muito tempo eu havia adquirido um alicerce e ao mesmo tempo um ponto fraco; e este é Kwan. Todos os mínimos gestos de Kwan me tiravam do sério e eu não fazia ideia do motivo, mas abalavam as minhas estruturas mentais e me expunham de tal maneira que eu não conseguia deixar de me constranger por isso. E apesar de sua existência em si tirar meu campo de defesa, o fato de enxergar seu rosto todos os dias me dava uma nova perspectiva. Se ele fora forte e depois de anos em coma havia se recuperado, por que eu não poderia controlar a mim mesma e aos meus poderes letais?

Mesmo que ele não se sentisse tão vinculado a mim quanto eu me sentia a ele, eu sentia a forte ligação que eu havia estabelecido com Kwan. Sempre que ele marcava presença em meu dia, eu me sentia mais forte como se ele fosse a peça-chave para que eu conseguisse manter a sanidade. E assisti-lo era um de meus passatempos favoritos nos últimos tempos, mesmo que ele não soubesse disso. Era uma enorme tentação ler os pensamentos do rapaz, pois eu havia prometido a mim mesma que jamais usaria meus poderes que não fossem dentro do segundo trabalho que eu tinha como mutante. Mas então a minha curiosidade quase me consumia, e com muito pesar eu me aventurei uma ou duas vezes em sua mente complexa. Ok, ok! Três vezes e não mais que isso. Tudo isso para escutar sua cabeça concentrada em seus deveres e obrigações e então eu me arrepender profundamente de ter feito isso. Vê-lo responder com um gesto tão desprendido com um dar de ombros me fez sorrir instintivamente; não um sorriso fechado e contido como eu sempre dava para a maioria das pessoas. Kwan consegue arrancar os sorrisos mais amplos como ninguém jamais fez na vida. Ouvi-lo oferecer ajuda para os meus estudos fez com que eu assentisse sem nem ao menos pensar no assunto, afinal não era nenhuma novidade o fato de eu não conseguir me concentrar nas palavras de Kwan quando ele tentava me explicar o conteúdo, afinal meus olhos insistiam em passear pelos traços do rapaz sem nem ao menos disfarçar meu interesse.

— Oh, claro. Eu adoraria estudar com você. — Baixei meus olhos para a carteira que estava na frente dele e escondi minhas íris castanhas por baixo dos meus cílios pesados, franzindo meus lábios de forma pensativa. Como poderia estudar novamente com ele se nada em sua aparência me permitia prestar atenção exclusiva à genética? Vendo uma de suas mãos acima da mesa depois de ajeitar seus óculos na ponte de seu nariz, meus dedos pararam sob os dele de modo quase impulsivo, pois suas mãos sempre me chamaram a atenção e desde quando me entendo por sua melhor amiga, eu amava mexer com elas. Por quê? O motivo me ainda é desconhecido. — Kwan, eu preciso te fazer outra pergunta muito importante. — Eu ainda tentava imaginar se seria ou não uma boa ideia questioná-lo sobre isso, contudo eu já havia anunciado que interpelaria-o por alguma razão. Se eu acabasse soltando uma banalidade qualquer, me acharia uma idiota. E a possível curiosidade no olhar dele estava fazendo com que minhas bochechas começassem a adquirir uma coloração mais quente. E se ele disser “não”? Meu dedo indicador e o polegar começaram a mexer com o dedo anelar de meu melhor amigo, e depois passaram do dedo médio até chegar ao polegar, que foi quando me atrevi virar sua palma para cima e desenhar as linhas ali marcadas e das dobras de suas falanges com o mesmo dedo de forma terna e cuidadosa. — O que você acha de fazermos alguma coisa depois que você me ajudar a estudar? — Depois de finalmente conseguir formular a questão, voltei a olhá-lo de relance.

Como se estivesse soltando um longo suspiro aliviado, respirar profundamente e dei de ombros, como se não tivesse conseguido expressar com clareza o que eu queria dizer. Sem soltar seu pulso, levantei-me da cadeira somente para ajoelhar-me em meu próprio assento e me acomodar como se fosse uma criança despreocupada se ajeitando na tentativa de encontrar uma melhor postura para escutar o que viria a seguir de forma ansiosa. — Digo... Ahn... O que você acha de... — Senti que além de minhas bochechas ferverem com o sangue que subia diretamente para eles, minhas orelhas estavam começando a formigar. Poppet, você é tão boba! Instantaneamente soltei a mão do moreno e ajeitei um de meus cachos para que ele ficasse atrás de minha orelha. Percebi que nunca iria conseguir questioná-lo da forma certa se continuasse a mirar o tampo da mesa, por isso precisei erguer o rosto e dar de ombros para fingir algum nível de descontração. — Ah, Kwan. Eu acho que eu estou te convidando pra sair. É isso! Pronto, falei.— Mantive meus olhos grudados aos dele. Podia sentir que de alguma forma as minhas íris possuíam alguma empolgação contida enquanto encaravam a cor chocolate e brilhantes de Kwan, que mesmo por trás das lentes dos óculos não perdiam o encanto hipnotizante que tomavam conta daquelas turmalinas intensas que ele usava para ver. Inclinei levemente minha cabeça para o lado, exibindo novamente um dos meus costumeiros sorrisos enigmáticos, fechados e tímidos.

Cocei minha nuca com uma das mãos e desviei minha visão para outro canto que não fosse meu melhor amigo, antes de erguer as mãos como se me sentisse rendida antes mesmo de receber uma resposta. — Tudo bem, eu sei que existem muitas outras meninas em Manhattan que estão interessadas em você e que não seria uma boa ideia andar com a garota esquisita de origem desconhecida. Mas... Bem... Eu pelo menos tentei, não é? — Tudo o que eu queria nessa vida era enfiar minha cabeça em uma cratera por ter sido tão obtusa. Ele é seu melhor amigo, Penelope. Ele nunca vai aceitar seu pedido, esquisita! Balancei a cabeça negativamente e revirei os olhos, dando risada de minha própria compostura e sentindo vergonha. — Por favor, eu sei que você quer me mandar calar a boca, então faça isso. — Ele poderia arranjar qualquer garota melhor do que a "loura esquisita". Eu sei o que as pessoas pensam sobre mim, e quase não precisava ler os pensamentos delas para saber o que tinham em seu subconsciente sobre Penelope Modzelewski. Nenhum deles sabia de nem um centésimo de minha história, mas as pessoas são maldosas quando o assunto é montar as mais diversas teorias sobre as pessoas das quais elas não sabem nenhum histórico e nem uma informação. São todos quase cruéis. "Ela é tão estranha." Quando eu cruzava um corredor. "De onde essa figura anormal saiu?" Muitos deles presenciaram o início de meus ataques de pânico, e era assim que as blasfêmias só aumentavam. Nenhum deles confiava totalmente em mim; e realmente não deveriam. Kwan merece algo melhor do que alguém como eu. "Ela é uma vadia pirada que faz tudo isso por atenção."



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Re: + wonderwall

Mensagem por Kwan Wittgenstein em Ter Mar 28, 2017 2:30 am

 
A resposta positiva pareceu animá-lo — alegria semelhante a de uma criança que acabara de ganhar o presente almejado na manhã natalina — mas se continha; por que o fazia? O inconsciente de Kwan adoraria admitir que é o mais puro orgulho, mas o sentimento que o detém de demonstrar o que realmente sente pela garota é o medo de seu coração sair "quebrado" ao fim da relação de amizade que ambos desenvolveram entremeio a altos e baixos, porém genuína. Amizade é a palavra que usariam como termo alheio, mas o que resguarda em seu âmago é algo mais intenso e expansivo do que o significado do laço oferece. A expressão de surpresa passa por seu rosto quando os dedos alheios pousaram acima de suas mãos que pararam de se mover para seguir com os movimentos da menor que nunca lhe pareceu tão apreensiva como agora. Ele estava ansioso, para ser mais precisa. Em níveis comparáveis quando tomou consciência e solicitou pela presença de sua família no recinto hospitalar. Kwan é incapaz de proferir qualquer palavra por mais insignificante que seja, ao contrário disso ele prende a própria respiração e assente positivamente com a cabeça a aguardar pela questão que estava prestes a ser feita pela loira.   

"Cara, você precisa mesmo se acalmar." Por que seu inconsciente tem a mesma voz que a do seu irmão? Ah, não sei. Talvez porque eles sejam gêmeos univitelinos!? A intensidade que mira os olhos da adolescente é quase intimidadora quando guiada pela curiosidade que faz parte de suas características e por hora é uma de suas desculpas por seu desempenho intelectual genial. As maças do rosto de Poppet ruborizam e o moreno morde o lábio ínfero ao se vislumbrar com a significância da reação da segunda que o torna mais envergonhado e contraditoriamente mais confiante devido ao fato de ser a causa de tal efeito. As íris castanhas retornam ao movimento feito pela mesma com seus próprios dedos, sentindo cargas elétricas a cada toque executado por ela que lhe é reconfortante em conjunto de sensações que é incapaz de distinguir. A seguinte revelação que outrora levou uma eternidade em sua visão a ser dita fez com que seus olhos se arregalassem e os lábios se entreabrissem em reação as palavras que ecoam por seus ouvidos ainda que mentalmente ao ter considerável dificuldade de digeri-las. Tudo o que ela disse não fazia o menor sentido em sua mente genial, que trabalhava a todo vapor enquanto considerava todos os motivos e condições que pudera levá-lo a este momento e se decepciona a não conseguir se recordar de outro momento que não fosse quando a viu pela primeira vez. Seria tão pateticamente clichê admitir que se apaixonara por Penelope desde que o momento em que a viu?
 
O "não" tentou sair de seus lábios, mas não conseguira proferi-lo pela perplexidade que predomina sobre sua capacidade mental de relacionar causa e efeito da decisão tomada pela loira. "Vamos, Kwan. Não seja um covarde." Quer calar a boca, Kai? Debateu seu subconsciente com certa irritabilidade, provocando o franzir de suas sobrancelhas escuras e grossas que consequentemente se unem. Ele balança a cabeça negativamente ao ouvir os argumentos absurdos que escapam dos lábios cheios e rosados da loira e de sua mente escapa o seguinte pensamento que fora transmitido contra sua vontade: Se você soubesse...Não seja tola, Penelope. — O mutante a interrompe da pior maneira possível, pois poderia ter seguido um caminho mais romântico e abusado a tomar com suas palmas o rosto alheio e selar enfim seus lábios aos seus. Contudo, tamanha ação não faz o seu estilo. Ele nunca a desrespeitaria de tal maneira, principalmente por nutrir sentimento tão intenso resguardado em seu cerne em relação a Poppet. Contudo, não escondia o quão satisfeito se encontra e igualmente contrariado pela visão errônea que a moçoila tem de si mesma. Ela não faz ideia do quão maravilhosa é, e Kwan adora todos os seus traços, costumes e características que formam a pessoa que ela é. — É claro que eu sairia com você.
 
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Re: + wonderwall

Mensagem por Penelope Modzelewski em Sex Mar 31, 2017 12:52 am



You know, you know I hid the red child

Inevitavelmente o meu coração começou a disparar gradativamente e minhas mãos passaram a ficar geladas. Se minhas mãos ainda estivessem nas de Kwan, seria impossível conseguir fingir algum nível de descontração e disfarçar a ansiedade que se agita em meu âmago. É inexplicável, eu não conseguia identificar os motivos por trás do meu nervosismo, e eu simplesmente me sentia incapaz de classificar o que está acontecendo comigo. Um sentimento completamente novo que apenas tomou meu íntimo aos poucos e tomando espaço em mim de forma que a única coisa que eu fiz quando me deparei com este foi abraçar essa sensação e me deixar guiar pela emoção. Uma péssima ideia quando isso se trata de alguém como eu, cujos poderes sempre atuam em torno da emoção. Qualquer emoção em excesso fazia com que minha magia se manifestasse involuntariamente, e exceder as sensações — independentes de serem boas ou ruins — não eram bons sinais. Mas toda vez que eu via Kwan e todas as coisas passavam a se tratar dele, eu esquecia absolutamente tudo. Ele vale a pena qualquer risco e qualquer perigo que eu pudesse me envolver. Meu coração ainda estava a mil com a espera por uma resposta. Poderia ser apenas um centésimo, mas meu cérebro interpretava como uma eternidade inteira.

Eu fazia um grande esforço para não invadir a mente de Kwan e vasculhar seus pensamentos em busca de uma confirmação que me deixasse menos nervosa. Qualquer pessoa em meu lugar não hesitaria em ler a mente alheia em busca de uma resposta. Pessoas que possuíssem meu poder não hesitariam em mexer com as probabilidades e fazer com que a pessoa dissesse um “sim”, mesmo que não fosse da vontade da pessoa. Pessoas de má fé abusariam dos recursos que eu possuo, e essa não é uma minoria. Muito embora eu não seja uma boa samaritana, eu preferia não multiplicar a quantidade de pecados à minha lista infinita de erros incorrigíveis. Ao menos alguns princípios eu precisei adotar para mim mesma para tentar diminuir o peso de minhas ações, e apesar disso era tentador demais a possibilidade de conseguir escutar o que Kwan pensa sobre mim, o que ele achava de minhas atitudes e o motivo pelo qual ele não desistia de mim por mais que eu fosse alguém cheia de segredos e um passado que além de esconder, mais do que tudo na vida eu queria esquecer. Desejava uma nova história com todas as minhas forças, e inventava um novo passado, tentando convencer a mim mesma de que este era o real. Este e não os eventos que antecederam a minha alta.

Eu estava prendendo a respiração quando aconteceu. Lembro-me claramente de estar no controle o suficiente para não deixar com que minha capacidade mental saísse de controle. Mas mesmo assim... Mesmo assim eu tinha a impressão de ter cometido algum deslize. Isso não devia ter acontecido. Não devia ter ocorrido em hipótese alguma, mas eu escutei. Escutei a voz de Kwan em minha cabeça pouco antes de manifestar-se verbalmente. Isso é impossível. Mas como? Mas o maior questionamento não era esse. E se eu soubesse sobre o quê? E se eu soubesse sobre o quê, Kwan? Dificilmente eu teria uma resposta. E dificilmente eu conseguiria me focar na hipótese de ter lido sua mente sem querer pelas próximas duas horas, pois eu estava concentrada demais nos atos de meu melhor amigo para na deixar sua resposta passar. A resposta afirmativa fez com que meus olhos se abrissem levemente enquanto eu digeria a informação. Ele disse sim?! É! Ele disse que sim! — V-você... Você sairia mesmo com...? Eu não... Você... — Agitei levemente a cabeça a medida em que eu recuperava um pouco de minha racionalidade. Precisava ordenar minha cabeça antes de conseguir proferir alguma frase que tivesse algum sentido.

Meu coração não parava de bater contra minha caixa torácica com toda a força, e a única oração que meu timbre conseguiu entoar foi: — Você é fantástico. Você é incrível! — Instintivamente a primeira coisa que eu acabei fazendo foi meio impensada e eu me arrependi logo depois. Não por ter feito isso, e sim pelas consequências que isso poderia ocasionar. Ergui-me de meu assento e inclinei meu corpo para além da carteira que separava nós dois, segurando o queixo do rapaz com uma de minhas mãos e lhe dando um beijo em sua bochecha esquerda. Meus lábios não cobriram os dele totalmente por centímetros. Eu queria poder ter extinguido esta mísera medida, contudo isso tudo só conseguiria deixá-lo ainda mais tímido ainda. Ou não. Mas eu não pude ver sua expressão no momento, pois com a surpresa encarei seus olhos por tempo demais sem saber como interpretá-los. Eu sou ridiculamente impulsiva às vezes, e isso me frustrava demais. Não sabia como as pessoas reagiriam mediante a intensidade de minhas ações que sempre eram gratuitas. Meus dedos gelados soltaram o queixo de Kwan e eu endireitei o corpo de forma que permaneci ajoelhada na cadeira, de costas para o quadro na frente da sala. — Desculpa, eu... — Minhas bochechas estavam extremamente vermelhas enquanto eu pedia perdão.

Nesse mesmo instante, três pessoas que pretendiam antes adentrar a sala para ocupar seus lugares visaram à cena e me encararam com estranheza. Pude perceber que eles se entreolharam de forma nada discreta e esboçaram fisionomias diferentes entre elas. Um apenas arqueou uma das sobrancelhas e sorriu com desdém em minha direção, balançando a cabeça e parecendo desacreditar de minha compostura. Eu já havia lido a mente dele uma vez: o rapaz achava que pessoas como eu deviam chamar o mínimo de atenção possível. O outro desviava o olhar e assoviava como se não estivesse vislumbrando a cena que ali se desenrolava, enquanto o outro simplesmente torcia seu semblante e analisava criticamente a mim antes de encarar Kwan por meio segundo. Pessoas como essa, com a mente que praticamente berra questionamentos era praticamente impossível de ignorar. “Por que ele está na companhia dessa aberração?” Fechei momentaneamente os olhos e virei o rosto, percebendo que todo o sangue havia descido de meu rosto para baixo. — Idiotas. — Apesar de estar com os dentes travados e minha face esboçasse traços rígidos, por dentro aquilo sempre me destruía. Por motivos como esse eu não havia revelado para meu melhor amigo sobre minha antiga vida. O que ele pensaria de mim sobre soubesse sobre Karma? E a Feiticeira Escarlate então? Perdê-lo em função de meu passado era a última coisa que eu desejava nessa vida. Voltei a me acomodar na cadeira, dirigindo um sorriso amarelo para Kwan enquanto meu humor novamente se tornava acuado. — Não queria invadir seu espaço. Eu exagerei.



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Re: + wonderwall

Mensagem por Kwan Wittgenstein em Sab Abr 01, 2017 11:19 pm

 
O primogênito Wittgenstein permaneceu imóvel enquanto seus sentidos desenvolvidos a níveis distintos se comparados ao de seres humanos comuns lhe permitiu ouvir os batimentos cardíacos da loira que jaz defronte de si a se tornar caótico devido a resposta positiva que dera. Contudo, em sua mente outrora incontestavelmente brilhante nada da reação alheia parecia fazer algum sentido. Veja bem, as crenças de Kwan já fora guiada por fatos e mesmo que creia atualmente no sobrenatural é um tanto quanto desconcertante ser capaz de causar tamanho rebuliço na garota que faz parte da sua vida desde que despertou. Ou renasceu, como seus pais dizem. Um milagre; pela figura angelical que se transforma quando concentra seu poder mimético e não apenas em sua "superinteligência" — a segunda acredita ser apenas um dom complementar, mesmo que detenha de um conjunto de habilidades psíquicas.  

Sua cabeça foi separada do corpo assim que Modzelewski envolve seu queixo com seus dedos finos e delicados e desfere um beijo em uma bochecha esquerda, consequentemente deixando a marca de seus lábios na derme pálida pelo tom claro de batom que usa naquele momento. O rubor colore a face do jovem mutante que continua estático pelas ações da menor que conseguira desestabilizar suas estruturas físicas e psicológicas. Como alguém tão bonita, interessante e enigmática como Penelope se interessou por alguém como ele? Os lábios dela estiveram tão próximos dos seus que pareceu que uma descarga elétrica percorreu seu corpo a concentrar-se em seu membro mantido abaixo de seu jeans azuis. Estava excitado, confuso, extasiado e mais um conjunto de adjetivos que não fazem jus ao efeito que a mesma causa nele só pelo fato de se encontrar no mesmo ambiente. Seu físico necessitava de um toque mais intenso, íntimo e contraditoriamente abusado pelas atitudes que toma; no entanto, as informações eram tantas que se quer conseguira formular alguma sentença para reconfortar a amiga que se tornou notoriamente frustrada por seus atos.

Mais uma atitude dessas e eu deixo de te ajudar no reforço, Kevin.Sério mesmo? Esta é a melhor ameaça que você consegue fazer? Ah, claro. Poderia muito bem tomar a forma de uma figura angelical de mais de dois metros de altura e jurar o inferno ao trio que conseguira arrancar qualquer traço de felicidade da loira apenas com olhares críticos. Esse tipo de "gente" não intimida o moreno que passara por situações de perigos maiores quando responde por seu alter-ego a qual é reconhecido como herói. Mas é claro que essa parte de sua vida não diz respeito aos seus então "colegas" de classe que não fazem a mínima ideia que o mesmo pode invadir vossas mentes e saber os podres que ali resguardam. Condição que se abstém de fazê-lo ao ocupar seus ouvidos com headphones mesmo em horário de aula, onde as mentes alheias trabalham com um esforço maior pela informação que é jogada contra elas. Ambas suas sobrancelhas se uniram e os lábios se apertaram em uma linha firme enquanto as veias de seus braços em conjunto das marcas causadas por descargas elétricas ramificadas — a quais esconde com blusas de manga longa — se tornam evidentes. Ele percebe que tivera arregaçado as mangas e assim que repara volta a cobrir a derme exposta até seus dedos. — São uns idiotas, Poppet. Acredite em mim. — Se dirigiu a amiga como a quem segredasse, em um sussurro contido para que somente ela o ouvisse. Assim que termina de proferir tais palavras, uma nova presença toma a sala. O professor chama a atenção dos alunos que ali residem, obrigando-os a sentar e prestar a devida atenção no docente. Suas íris castanhas, no entanto, não conseguem se desviar da loura por um segundo se quer. E prometeu que a partir dali jamais o faria, pois a vida é curta demais para não apreciar tamanha beleza existente no mundo.
 
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