Getting Sick

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Getting Sick

Mensagem por Blake Darkcastle em Sex Mar 31, 2017 4:27 pm

Getting Sick
A ROLEPLAY É INICIADA PELO POST DE Blake Darkcastle, SEGUINDO POR Steven Abraham O'Keefe. ESTANDO, PORTANTO, FECHADA PARA OS DEMAIS. PASSANDO-SE ESTA EM 31 de março, sexta, 22:38, numa loja em um shopping de Manhattan. O CONTEÚDO É SOMENTE PARA MAIORES. ATUALMENTE, AS POSTAGENS ESTÃO EM ANDAMENTO.


avatar
VILÕES
25

Manhattan, New York, EUA.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Blake Darkcastle em Sab Abr 01, 2017 9:34 pm



I'm running out of time
Era como se cavalos selvagens galopassem dentro de minha mente, atordoando-me, deixando-me à deriva dentro de um profundo oceano de poucas esperanças. Durante toda a minha vida eu havia sido o líder, o grande rei de um império falido que fora soerguido mais uma vez, trazendo alegria novamente para o meu povo. E então, o que fazer depois que sua missão está completa? Alguns diriam “tirar uma folga”, mas não é isso o que heróis fazem, nem reis. “Buscar uma nova missão, depois outra, e outra”, era isso que sempre buscamos, não é mesmo? Nos distrair em uma profunda ode recheada de aventuras, histórias de caráter heroico e donzelas a serem salvas. Infelizmente este não era o meu caso, eu via as coisas como elas realmente eram e eu não iria simplesmente entregar-me à típica rotina heroica de salvar pessoas e nunca buscar algo maior.

Desde que havia vindo para a cidade de Nova York, novas portas haviam surgido. Já estava em fase de negócios para construir um prédio que estamparia o nome de minha empresa, e em breve iria formar alianças com outros empresários e muitos outros nomes importantes. Não iria apenas formar um império na Eslovênia, não quando eu poderia expandir meu nome pelo mundo inteiro, não é mesmo? Pois bem, depois de um café reforçado e de uma roupa social e não muito formal saí em direção a um shopping discreto em Manhattan. Utilizei um carro não muito chamativo e fui para lá encontrar-me com um rapaz que iria ser minha nova fonte. Meia hora depois, já havia chegado ao shopping, estacionado o carro e já esperava pelo tal Cody numa loja de livros onde iríamos discretamente negociarmos. Para a minha sorte, havia apenas um pequeno grupo de universitários que logo saíram, restando apenas a atendente do local e eu. Quinze minutos depois e o infeliz chegava com um largo sorriso, seus longos cabelos pretos soltos e o ar hippie dele trazendo o leve cheiro de maconha.

— Olá, Cody. Demorou mais do que deveria, era para ter chegado 22:30. — Adverti-o, pondo de volta o livro que eu lia desinteressado em seu lugar.

— Eu sei, me desculpe por isso, senhor, fiquei preso no trânsito. O que você pediu... eu trouxe! — falou baixo o moreno, retirando o pacote feito de papel ofício, atraindo a minha atenção. Peguei o pacote e guardei-o dentro de meu paletó, assentindo para o jovem e entregando-lhe o dinheiro.

— Espero que as fotos estejam em boa qualidade, ou não irei conseguir o que eu quero e você sabe muito bem o que acontece, não é mesmo? — deixei a ameaça no ar, estreitando os olhos de forma intimidadora e fazendo-o sentir medo por rápidos segundos. Encostei minha mão em sua face barbuda e beijei-o nos lábios, deixando-o surpreso. — Vá para a minha casa mais tarde. 00:30, e não se atrase! Agora vá embora logo! — falei de forma plácida, deixando-o contente, e após dispensá-lo respirei profundamente, folheando alguns livros, afinal eu sempre gostei bastante de ler, alimentar minha mente.

E então, um jovem chegou. Tinha cabelos brancos e era albino, mas diferentemente da maioria dos albinos, este era absurdamente lindo, seus longos cabelos eram notáveis, e ele parecia completamente distraído entrando na loja e procurando por livros de seu interesse. Saí do local onde estava – por detrás de uma estante alta cheia de livros de horror – e fui até o mesmo, cutucando uma única vez seu ombro esquerdo e abrindo um leve sorriso para o jovem, entregando-lhe um livro de suspense.

— Recomendo, caso goste de suspense. — Sugeri, apontando para a capa obscura do livro de Anne Rice, “Menoch”, e abri um leve sorriso. — Pode parecer bizarro o Diabo apaixonado por um vampiro, mas o livro é poeticamente lindo, apesar dos temas. — Sorri um pouco tímido, percebendo que comumente eu falava bem menos. Por fim, esperei o jovem albino aceitar o livro.
copyright 2013 - All Rights Reserved for DiLua
avatar
VILÕES
25

Manhattan, New York, EUA.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Steven Abraham O'Keefe em Dom Abr 02, 2017 7:20 pm



Adorador de Gaiman

▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄
“Nossa existência deforma o universo. Isso é responsabilidade” – Delírio.


Em algum momento da adolescência, é normal haver a ideia utópica que viver longe de casa e da superproteção dos familiares são metas incríveis. Poder dormir até mais tarde, ter suas refeições em horários aleatórios condizentes com o metabolismo de cada um, não precisar usar fio dental ou deixar a tampa do vaso abaixada são alguns dos incontáveis sonhos juvenis. Não era o meu caso. Nem sequer recordava bem da minha adolescência, efeito colateral de muitos remédios para esquizofrenia e outras drogas que eu arranjava. Contudo, eu vivia esse sonho dos jovens. Um homem livre e sem preocupações além das proporcionadas pela sua pequena sanidade mental. “Karma”, eu costumo dizer quanto a isso. Precisava haver equilíbrio cósmico e espiritual, ou algo do tipo.
Numa sexta, eu estava a caminho de um shopping para buscar mais livros com capas interessantes e sinopses que não fizessem dormir. Sim, eu julgava livros apenas por esses dois quesitos, pois a função deles sempre foi cativar os clientes a compra-los. Agora, o motivo pelo qual eu iria até a loja no lugar de fazer a compra online era bem simples: equilíbrio na balança do azar. Não que eu acreditasse em algo assim, mas também não conhecia pesquisar que confirmassem a não existência disso. Consequentemente, ao término das sagas que costumava comprar, eu retornava às livrarias a pé para que assim não abusasse demais de toda minha sorte por ter uma vida repleta de comodismo. Eu nunca fui um príncipe para abusar tanto das mordomias.

Um dos problemas em ser telepata era ser albino também. Na internet é muito comum as pessoas postarem sobre como poderia ser triste possuir a capacidade de leitura de mentes, visto que assim ouviriam tudo de ruim a seu respeito que os outros pensassem bem em sua frente. Todavia, isso não era tão incômodo quanto escutar as surpresas por verem alguém de cabelos brancos ou se questionarem se todos os meus pelos possuem aquela coloração. A imagem de seus pensamentos era enviada até minha cabeça tão forte quanto uma frigideira sendo usada como arma ao estilo dos desenhos animados antigos.
“Que cara estranho”, pensou um rapaz quase da minha idade ao passar pelo meu lado. “Pensava que essa gente não pudesse sair de casa”. A ignorância de alguns era tamanha que confundiam albinos com retardados como eles.

Por fim, dentro da livraria, eu analisava diversas capas com meu olhar crítico baseado em nada com coisa alguma. Buscava algo que me interessasse e que ao mesmo tempo não houvesse visto algo similar antes, o que se provou difícil nessa era de livros para somente uma faixa etária que amava ler livros com relacionamentos heterorromânticos, distopias clichês e escolas com protagonistas sempre iguais. Bom gosto se tornara uma raridade nesse século.
Quando estava levando minhas mãos a um livro que me chamara atenção, fui surpreendido por um toque em meu ombro. Algo incomum, pois os moradores da minha cabeça não costumavam interagir comigo em mundo físico.
— Por que eu acharia bizarro? — Fingi que não havia me assustado com a aproximação do outro, embora ainda sentisse o frio na espinha que me havia percorrido. — Exceto pelos vampiros antigos do cinema, essas criaturas foram muito retratadas como muito belas. Precisavam ser, era uma das técnicas deles para arranjar alimento. — Com o tempo em que falava, analisava a figura que segurava o livro Menoch. Parecia nada como as outras pessoas que encontrei pelo shopping, não somente pela sua beleza, mas também pelo fato dele ser um telepata. — Irei comprar o que está recomendando, parece ser interessante — disse sem deixar explícito ao que, ou quem era interessante. — Tem mais algum livro para sugerir?
Era necessário agir com cautela, pois caso houvesse um combate psíquico, ninguém seria capaz de me socorrer se necessário. Antes que pudesse ser feito algo, eu poderia cair no chão com a consciência destruída, uma mente destruída, embora alguma outra pudesse tomar o meu lugar. Não seria uma boa ideia deixar que meu corpo fosse assumido pelas outras personalidades, a segurança dos civis estaria em grande perigo. Portanto, decidi não me posicionar de modo agressivo, aliás, o loiro parecia saber tanto sobre mim quanto eu dele.


personalidade — Steven

I'm you, I'm me, I'm everything you wanna be

_________________


help
Alguém consegue me ouvir? Claro que não, é uma mensagem de texto, mas eu a escrevo pensando, é difícil... Por favor, salve-me. Não sei por quanto tempo conseguirei me esconder daquela coisa... daquele monstro. Socorro!

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Blake Darkcastle em Seg Abr 03, 2017 12:48 am



I'm running out of time
Parecendo não se surpreender pela minha sinopse curta demais do livro, o jovem de longos cabelos brancos parecia simpático, apesar de permanecer bastante reservado, como se ele sempre vivesse em estado de alerta, ocultando-se dos outros e evitando falar com qualquer um ao seu redor. Bem, essa era a minha aposta, afinal eu não queria invadir a mente do jovem e descobrir nada que eu não quisesse arrancar dele conversando de forma civilizada. Com sua pergunta inicial sobre o porquê dele achar bizarro, curvei o lábio inferior pensativo.

— Bem, confesso que esses tipos de livros não agradam muito, a maioria está acostumada com vampiros cobertos por luz do sol e criaturas bonitas demais, legais demais, entende? Mas que bom que não acha perturbador... — expliquei-o, segurando o livro enquanto olhava de soslaio para a distraída atendente, mais preocupada em tirar uma selfie do que ler todos os livros ao seu redor, sendo ela a mais perfeita imagem da sociedade atual – e do quão horrível ela estava se tornando.

Algo no outro me atiçou a curiosidade, havia um ar exótico nele e isso não era completamente advindo apenas de seus longos cabelos brancos e de seu jeito um pouco tímido e retraído, e sim de algo a mais. Não precisei necessariamente utilizar os meus poderes para sentir de alguma forma que ele acabava de descobrir que eu era telepata e que eu também havia descoberto sobre quem ele era. De sobrancelhas unidas numa leve expressão de dúvida, engoli em seco e estendi-lhe o livro, parando para pensar um pouco sobre sua pergunta sobre sugerir outros livros.

— Bem, recomendo que leia todos os livros da saga, são treze volumes, cada um único a seu modo, é impossível ficar entediado. Esse que recomendei deve ser o sexto volume. — Recomendei com um pequeno sorriso, lembrando apenas agora de apresentar-me para o belo albino. Estendi a mão com um pequeno sorriso, ocultando minhas habilidades miméticas pois não faria sentido eu copiar um poder que eu já possuía – a telepatia.

— Prazer em conhece-lo, sou Blake Darkcastle. — Apresentei-me formalmente, assentindo para o jovem que eu de alguma forma já sabia que encontraria novamente.


copyright 2013 - All Rights Reserved for DiLua
avatar
VILÕES
25

Manhattan, New York, EUA.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Steven Abraham O'Keefe em Ter Abr 04, 2017 2:17 pm



Adorador de Gaiman

▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄
“Nossa existência deforma o universo. Isso é responsabilidade” – Delírio.


Em algum momento durante meu tempo naquela livraria, acabei por me perder em devaneios. Isso era algo em que já estava acostumado, mas não era agradável despertar olhando para alguém que estava me encarando. No caso, eu estava segurando um livro estranho e segurando a mão de um desconhecido — muito bonito, por sinal. Pude sentir um desconforto muito grande com a vergonha no momento, o que deve ter me proporcionado uma ruborização nas maçãs do rosto.
Para que meus leitores não se sintam muito mal ao se imaginarem na minha pele, vou descrever um pouco das coisas e lugares que visitei em minha fuga rápida da realidade. Eu sempre penso no melhor para os outros.

●●●

Encontrava-me abraçando um cachorro muito grande e peludo que me lambia com sua língua, encharcando-me com sua saliva. Seus pelos eram tantos que eu conseguia me limpar ao abraça-lo, embora ele me molhasse outras vezes após isso. Isso me arrancava algumas gargalhadas, e o cachorro ria também. Sim, ele ria como um ser humano. E falava.
— Você é um bom menino — disse o cão.
Com meu rosto entre a floresta de pelos marrons do quadrúpede, eu pude apenas fazer alguns sons que deveriam significar “Eu sou”.
Quando fizemos uma pausa naquela troca de carinhos, eu pude prestar mais atenção no cenário ao redor. Estávamos em uma espécie de gramado multicolorido que se estendia até o horizonte de todas as direções. Havia apenas grama, um cão e seu humano no centro. E o céu púrpura com três luas, algo digno de uma pintura valiosa. Então me veio uma dúvida.
— Eu estou no céu?
O cão de quase dois metros riu de minha pergunta, o que me fazia rir também em consequência. Um focinho quase encostou em meu nariz quando o olhar do animal se cruzou com o meu.
— O paraíso não é tão criativo quanto eu, posso afirmar — disse o canino. — Não, estamos em sua cabeça, meu amigo. Mais uma vez, como todo dia fazemos — explicou para mim, mas fez uma breve pausa antes de concluir — e todo dia você esquece...
Fiquei confuso com aquilo. Vários pensamentos passaram-se pela minha cabeça. “Todo dia? Minha cabeça? Como assim eu esqueço? Eu esqueceria de um lugar como esse? Quem é você? Esse lugar existe fora daqui? Eu sou um cachorro também?”
O cão me observou com um grande pesar em sua feição, então levantou uma de suas patas, deixando a palma para cima. Compreendi que ele queria que eu a segurasse. Segurei sua pata e, quando estava prestes a enxergar seu rosto mais uma vez, eu fui surpreendido por uma pele bronzeada e cabelos louros.

●●●

Depois de alguns instantes apertando a mão do maior, eu pude recuperar as lembranças sobre o que estava fazendo dentro de uma livraria. Buscava livros para meu entretenimento e o outro me recomendava um de uma saga.
— Sou o Steven — apresentei-me também.
A pior situação possível para um antissocial estava ocorrendo comigo naquele instante. Havia acabado de me apresentar para alguém que nunca vira antes e agora não possuía assunto com ele. Um fracasso, eu sei que sou.
— Veio comprar livros também? — perguntei ao loiro com um pouco de vergonha ainda em minha voz. Talvez eu me transformasse em um avestruz e enterrasse minha cabeça no chão a qualquer instante.


personalidade — Steven

I'm you, I'm me, I'm everything you wanna be

_________________


help
Alguém consegue me ouvir? Claro que não, é uma mensagem de texto, mas eu a escrevo pensando, é difícil... Por favor, salve-me. Não sei por quanto tempo conseguirei me esconder daquela coisa... daquele monstro. Socorro!

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Blake Darkcastle em Ter Abr 04, 2017 8:08 pm



I'm running out of time
Enquanto estava completamente distraído conversando sobre a minha saga favorita de livros, pude notar certa ausência do rapaz, como se ele estivesse muito mais empenhado em distanciar-se da conversa e ir para um mundo imaginário. Tentei ao máximo não utilizar meus poderes para xeretar o que ele estava vendo ou pensando, mas não resisti e dei uma leve espiadinha. A primeira coisa que pude sentir foi a grama macia nos meus pés descalços, o céu estava coberto por um tom forte de púrpura e iluminado pelo brilho suave e encantador das três luas posicionadas em fileira. Sorri, sendo tragado para o mar de sensações felizes, sentindo lambidas em meu pescoço, e ao me virar vi uma enorme sombra negra de pé, maior do que qualquer pessoa que eu já tenha visto, mudando constantemente de forma. Automaticamente reconheci que havia alguém ou alguma coisa dentro do pobre albino, dominando-o. Seja lá quem fosse, fazia o menino ficar quase que petrificado sonhando acordado. Quando voltei à realidade, ouvi a voz do garoto, que estava apresentando-se como Steven e me perguntava se eu havia ido ali comprar livros.

— S-sim, eu vim sim, mas... eu não sei o que... o que tem na sua cabeça? — perguntei engolindo em seco, gaguejando um pouco enquanto sentia-me estranho. A sensação era similar a de quando eu tocava alguém e copiava memórias, traços de personalidade e poderes, entretanto eu havia verificado e sabia com cem por cento de certeza de que eu havia bloqueado o poder antes de tocar na mão do telepata de longos fios brancos. Então o que era essa sensação de... formigamento? Não, infecção! Como a estranha sensação física de apertar a mão de alguém gripado – a de nojo, como se o vírus estivesse impregnando em você também.

Precisava reorganizar melhor meus pensamentos, estava muito distraído com o jovem intrigante à minha frente e eu precisava me recompor – não entendia muito bem o porquê considera-lo jovem se eu também o era – antes que ambos pudéssemos fazer coisas nada agradáveis combinando a estranha loucura infecciosa e nossos poderes mentais. De repente, ri, dando alguns passos para trás animadamente e então bati as palmas de minhas mãos. Uma música começou a tocar, uma conhecida e que eu adorava, que maravilha! Sentia-me tão eufórico que bati repetidamente meus sapatos fazendo os sons de sapateado. Assim que parei, peguei a bengala que me fora atirada e dancei. O som típico de jazz parou, e sem nenhum apoio musical, comecei a cantar.

— Birds flyin' high, you know how I feel, Sun in the sky, you know how I feel, Breeze driftin' on by, you know how I feel, It's a new dawn, it's a new day, it's a new life for me. — Cantei suavemente, sentindo minha voz sair de mim com um belíssimo tom encantador, enquanto aproximava-se do rapaz e então, finalmente a musicava começava. — And I'm feelin' good. — Cantei, ao iniciar do instrumental, puxei-o pela cintura e guie-o como a mulher da dança, segurando sua cintura e sua mão, enquanto guiava-nos pela biblioteca, cujas prateleiras eram empurradas para longe com poderes desconhecidos.

A música estava tão incrivelmente gostosa que já estava repetindo o seu instrumental viciante mais uma vez, enquanto largava o outro e retirava o blazer, lançando-o longe, abrindo os braços e exibindo um enorme sorriso, ainda dançando no ritmo da música, e então mordiscando o lábio inferior, mexi os ombros ritmicamente.

— I’m you and you live in me, and I’m feeling good! — acrescentei ao findar, a música terminou e então abri os braços, ouvindo os aplausos que vinham sabe-se lá de onde.

E então, minha cabeça doeu. Pisquei os olhos fortemente como quem acaba de acordar de um sonho ruim e tenta se adaptar à realidade normal, fechando para sempre a porta para aquele pesado. ”Mas foi tão divertido!”, ronronou uma voz feminina. Espera... quem falou isso? Steven? Encarei-o, olhando o local ao meu redor e arregalando os olhos, boquiaberto. O que diabos havia acontecido com as estantes? Estavam todas destruídas, com minúsculas lascas de madeira espalhadas pelo chão, uma pequena haste de suporte da estante estava enfiada na cabeça da atendente, o que me fez engolir em seco, olhando para lá fora e percebendo que as pessoas no shopping iam e vinham sem se darem conta de nada.

— O que porra foi isso? O que você é? Algum tipo de ser poderoso que faz as pessoas enlouquecerem? — perguntei pegando meu blazer coberto por poeira e pedacinhos de madeira, batendo o mesmo e enrolando-o nos meus braços cruzados junto ao meu abdômen.

copyright 2013 - All Rights Reserved for DiLua
avatar
VILÕES
25

Manhattan, New York, EUA.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Steven Abraham O'Keefe em Qui Abr 06, 2017 11:44 pm



Adorador de Gaiman

▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄
“Nossa existência deforma o universo. Isso é responsabilidade” – Delírio.


Eu fiquei confuso. Sério. Mas não por causa da minha esquizofrenia, e sim pela loucura que tomou conta do homem que falava comigo. Era difícil de acreditar que alguém tão certinho como ele aparentava, fosse iniciar uma dança no meio de uma biblioteca e ainda me convidar para fazer parte daquilo enquanto os livros e suas estantes eram empurrados para longe. Todavia, acabei por me levar naquela situação, acompanhando os passos do outro como se houvéssemos treinado a coreografia anteriormente. A telepatia ajudava muito a não pisar nos pés um do outro.
— Você canta bem — afirmei para ele enquanto cantava uma canção que era desconhecida para mim até o então. Não importava, eu me sentia tão eufórico como o loiro. Estávamos numa pista de dança, ou no palco de uma apresentação e nós éramos a atração da noite. Era possível sentir os olhares de nossos fãs, assim como seus gritos e palmas nos melhores momentos da dança.

Pela primeira vez em minha vida, senti-me em um filme dos anos oitenta, ou eram noventa? Não importava, apenas parecia como uma discoteca, ou poderia ser. O nome combinava com o local que ocorria, apesar de ser uma livraria, e não uma biblioteca.
Blake acabou por lançar seu blazer para longe, permitindo-se executar passos mais ousados que precisavam de maior agilidade. Fiz o mesmo com meu casaco azul com capuz, deixando-o sobre uma pilha de livros infantis. Não podia ficar para trás, ou talvez fosse trocado por algum funcionário da loja e lançado para longe como as estantes.

Enfim a música alcançou seu final. Aplausos, inclusive meus, ecoaram pelo lugar. Blake parecia um verdadeiro astro do pop, ou do jazz, nesse caso. Entretanto, o momento musical terminou deixando o loiro aturdido, preocupando-me.
— Está tudo bem? — Minha pergunta foi em vão, pois Blake estava muito conturbado com o que havia feito. O que me lembrava de quando esquecia do que havia feito, meus apagões.
O cenário ao nosso redor estava destruído, embora o teto permanecesse intacto e as paredes dos cantos da loja também. Todos — por exceção dos funcionários da livraria, Blake e eu —, pareciam não notar a destruição dali.
Quando o loiro perguntou o que eu sou, pude finalmente ligar os pontos sobre o que havia acontecido. Um dos maiores erros que um telepata pode cometer, até para os mais poderosos: ler a minha mente. Blake devia ter feito isso. Eu não havia notado, talvez ele tenha tentado acessar apenas superficialmente, mas era o bastante. Minha mente, de maneira rude de se explicar, é como a Caixa de Pandora, bastava uma pequena fresta para um mal daquele tamanho ser libertado.

Senti-me envergonhado com a situação ainda mais constrangedora que se formara. O clima era tenso. Aquele homem devia me enxergar como uma espécie de aberração fora da jaula, assim como eu me via.
— Eu sinto muito por isso. Desculpa — murmurei olhando para ele com medo de receber algum olhar de repreensão no retorno. — Não enlouqueço as pessoas. Eu que sou... louco expliquei com cuidado para não falar rápido demais. — Tenho esquizofrenia e você viu o que não devia aqui dentro. — Fiz com que meu indicador direito apontasse para minha têmpora.
Direcionei minha cabeça para baixo, evitando contato visual. Não conseguiria encarar o maior sem saber como ele se sentia em relação a mim ao saber daquilo tudo. Poderia achar graça desse acanhamento se não fosse por algo tão sério para mim. Era por esse motivo que eu evitava pessoas, não desejava ser maltratado por fazer algo que não tenho controle.

“Não sei como posso me chamar de herói”, pensei enquanto meus olhos quase se enchiam de lágrimas. Com as costas de minhas mãos, impedi que começasse a chorar. Aquilo somente pioraria minha situação, então decidi fazer algo a respeito da loja de livros.
Utilizando meu dom telecinéticos, fiz com que as prateleiras e seus livros flutuassem para seus lugares de antes. O que estava quebrado foi consertado, a poeira se reuniu em esferas para rolarem até as lixeiras e até o meu casaco retornou ao meu corpo quando estiquei os braços para permitir a passagem.
— Eu também sou telepata e telecinético — expliquei a Blake antes que ele me perguntasse, mas ainda olhava para todos os cantos possíveis, menos para a face dele. Ao menor sinal de ataque que ele pudesse fazer, eu me teletransportaria no mesmo instante para longe daquele shopping.


personalidade — Steven

I'm you, I'm me, I'm everything you wanna be

_________________


help
Alguém consegue me ouvir? Claro que não, é uma mensagem de texto, mas eu a escrevo pensando, é difícil... Por favor, salve-me. Não sei por quanto tempo conseguirei me esconder daquela coisa... daquele monstro. Socorro!

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Blake Darkcastle em Sex Abr 07, 2017 9:47 am



I'm running out of time
Por um momento precisei de tempo para processar o que estava acontecendo. Ele tinha esquizofrenia? Na minha opinião todos os telepatas eram isentos de doenças mentais, afinal éramos, bem, telepatas! Mas pelo visto minha noção de realidade acerca da telepatia estava deturbada. Prendi a respiração com a aproximação do outro e pela primeira vez em muito tempo me sentia realmente mal por ter falado algo. Não deveria falar em loucura, havia pressionado uma ferida já aberta no albino e não havia sido minha intenção. Ele mal me olhava nos olhos, desculpando-se. Percebendo que ele chorava, pus minhas mãos em seus ombros e puxei-o para um forte abraço amigável, o primeiro que eu dava desde a morte de meus pais.

— Não sou muito sentimental mas confesso que fiquei com certo ressentimento por ter falado a palavra “loucura”. Sinto muito, não quis ofendê-lo, Steven. — Falei no pé de seu ouvido, desfazendo o abraço e segurando suas mãos nas minhas enquanto observava que a mulher morta ao ter o crânio transpassado por um pedaço de ferro agora continuava tirando selfies normalmente – provavelmente foi alucinação minha.

— Não há nada que eu possa fazer para lhe ajudar? Digo, sou telepata, mas também tenho poderes relacionados à aura e... bem, não me orgulho disso, mas já retirei poderes antes, eu poderia, sei lá, ajudar você, caso seus poderes sejam a fonte de seu problema. — Sugeri, apesar de já desconfiar de que a resposta seria não. Ser mutante ou meta-humano não era nada fácil, porém mesmo que fosse dada a chance de retroceder e poder se tornar humano, provavelmente ninguém aceitaria, por pior que fossem as consequências de seus poderes – seja por amor aos poderes ou a necessidade de não se livrar daquilo que faz quem você é.

— Bem, se precisar de um amigo, estou aqui, Steven. Posso ajuda-lo a lidar com sua esquizofrenia com tudo o que tenho. — Abri um sorriso genuíno para o jovem de longos cabelos albinos.

— O que acha de sairmos daqui e irmos tomar um café? Pelo visto a livraria já está em ótimo estado mais uma vez. — Comentei observando tudo perfeitamente nos conformes.

copyright 2013 - All Rights Reserved for DiLua
avatar
VILÕES
25

Manhattan, New York, EUA.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Steven Abraham O'Keefe em Sex Abr 07, 2017 2:01 pm



Adorador de Gaiman

▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄
“Nossa existência deforma o universo. Isso é responsabilidade” – Delírio.


Detestava quando permitia ser visto como alguém que facilmente cai perante as próprias emoções. Tristeza era o que eu sentia por me chamarem de maluco, ou louco, ou doente mental. Sinônimos ou não, referiam-se a algo em mim que eu não tinha controle ou culpa. As vozes dentro de minha cabeça eram poderosas demais para serem submetidas a minha vontade. Isso me trazia a dúvida se elas estão presas na minha mente ou eu estou amarrado a elas.
Blake pareceu se importar comigo, preocupando-se como eu estava me sentindo depois de suas perguntas rudes. Seus braços me contornaram para me apertar em um abraço amigável, um pedido de desculpas também foi feito no processo. Eu, todavia, não fazia questão de algo como aquilo, pois nada dito por ele foi mentira.

Contive o rubor de meu rosto depois do sussurro em minha orelha e o contato com o corpo do maior. Ali não era hora e nem lugar para deixar ideias tão libidinosas se formarem em minha cabeça. Seria incapaz de me esconder se o telepata escutasse meus pensamentos naquele instante.
— Tudo bem, não se preocupe — aceitei o pedido de desculpas dele com meu rosto afundado em seu ombro. Eu parecia uma criança sendo acalmada por um adulto após machucar os joelhos numa queda.
Então, como uma forma para reparar seus erros, Blake propôs retirar meus poderes com as habilidades que ele tinha. Aquela informação me deixou surpreso por um instante, visto que pensava que ele fosse somente um telepata. Porém, eu era um telepata e também possuía uma gama muito maior de poderes que apenas psíquicos.
Fora do abraço do maior, eu cruzei meus braços, deixando minhas mãos fora de vista ao escondê-las entre os tecidos do agasalho. Essa era minha típica pose de quem quer evitar aproximação com pessoas por não saber me aproximar adequadamente.
Levei alguns segundos para pensar em uma resposta para o loiro. Precisava tomar cuidado com cada palavra para dizer nada ambíguo que poderia piorar a situação incômoda.
— Não... obrigado mesmo assim — recusei sua oferta olhando para seu rosto. — Por favor, não entre em minha cabeça de novo.

Por mais seguro que fosse viver sem a capacidade de derreter gente inocente, ou transformar cães em patos de borracha com espirros, eu não poderia arriscar em tentar algo tão ousado. Bastava lembrar como a livraria ficara após uma simples espiada no meu interior. O caos me usava como seu receptáculo e, enquanto estivesse dentro de mim, ele provocaria poucos danos ao mundo. Blake, por mais que aparentasse ser forte, não suportaria tudo que anda comigo desde sempre.
Meus poderes não seriam apagados.

— Agradeço sua ajuda — disse quanto a ele ser meu amigo e me ajudar com a esquizofrenia. Sabia que não haveria eficácia em me tratar, mas eu estava sempre aberto a novas amizades que soubessem me tratar bem, ou um pouco bem. — Espero que possamos ser amigos então.
Blake sugeriu que saíssemos dali para tomar um café, e eu aceitei quase de imediato. Ficar ali de pé estava se tornando um desafio após o apagão, a dança e as lágrimas. Precisava sentar, beber alguma coisa e parar de me desprezar por uns minutos.
Para não precisarmos encarar as funcionárias da livraria após toda aquela confusão, puxei uma das mãos do loiro enquanto sorria e fiz com que sumíssemos dali. Levei-nos até o lado de fora do shopping, em um canto longe do campo de visão de todos por perto. Então aguardei alguma reação do maior quanto a descobrir que eu também era capaz de teleporte.
— Sim, eu também posso fazer isso — afirmei rindo.



personalidade — Steven

I'm you, I'm me, I'm everything you wanna be

_________________


help
Alguém consegue me ouvir? Claro que não, é uma mensagem de texto, mas eu a escrevo pensando, é difícil... Por favor, salve-me. Não sei por quanto tempo conseguirei me esconder daquela coisa... daquele monstro. Socorro!

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Blake Darkcastle em Sab Abr 08, 2017 9:14 am



I'm running out of time
A culpa sempre foi um sentimento incômodo. Geralmente – na verdade, quase nunca – eu não sentia culpa por quaisquer atos ou dizeres meus, mas agora sentia o peso de tudo em meus ombros, como se eu estivesse ditando a um suicida a melhor forma de se suicidar. Sabíamos que nenhum podia utilizar seus poderes um com o outro, pelo menos os telepáticos, então aproveitei-me disto para pensar se talvez Steven algum dia tivesse a terrível ideia. Será que ele tinha parentes que o apoiassem? Pelo visto, ele estava bastante sozinho, ou talvez ele fosse solitário – a diferença era tênue, mas impactante, visto que os solitários se sentem assim mesmo numa multidão, o que eu achava que era o caso de Steven. Ao ouvir o pedido do outro para não invadir sua mente novamente, sorri, dando de ombros.

— Que pena, estava aqui pensando nas próximas músicas que eu iria dançar e cantar. — Brinquei, e então estávamos do lado de fora do shopping. Impressionante! Sorri para o outro, passando a mão por seus cabelos, deixando-os bagunçados.

— Ah, não sei fazer isso, apesar de que eu poderia copiar por um tempo. Digo, não que eu queira, afinal eu iria acabar puxando um pouco de seus amiguinhos pra minha cabeça, um pouco de quem você é... Bem, acho que a coisa mais legal que eu sei fazer é monumentos de água, mas isso depois te mostro. — Falei ponderando as possibilidades em voz alta, apesar de eu não estar realmente querendo copiar nada. Eu nunca havia copiado o poder de ninguém, até porque poucos meta-humanos e mutantes estiveram em meu caminho, mas eu sabia que podia, assim como eu sabia dos poderes relacionado ao controle de mutações. No fundo, era realmente assustador as possibilidades de tantos poderes.

Caminhando um pouco enquanto aspiravam o ar puro do local, logo chegamos à deliciosa cafeteria. Pedi um café simples e adicionei o açúcar, enquanto esperava o rapaz fazer seu pedido. Enquanto seu pedido não chegava, decidi puxar mais conversa.

— Você tem poderes relacionados ao gelo? Agora olhando toda a brancura em você te imaginei controlando o gelo, tipo a Elsa, ou algo assim... — brinquei, parando para pensar quantos poderes o outro deveria ter.

copyright 2013 - All Rights Reserved for DiLua
avatar
VILÕES
25

Manhattan, New York, EUA.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Steven Abraham O'Keefe em Sab Abr 08, 2017 6:57 pm



Adorador de Gaiman

▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄
“Nossa existência deforma o universo. Isso é responsabilidade” – Delírio.


Quando há uma grande quantidade de indivíduos atuando em uma mesma região, é comum haver alguém que os lidere. Como acontece em alcateias. Existe uma hierarquia de comando onde pode se encontrar os mais fracos e descartáveis, os úteis e necessários — embora numerosos —, os mais fortes e sábios, os líderes. Assim é mantida a ordem entre essas criaturas selvagens. Contudo, há outros tipos de cadeias de comando; operárias, soldados e rainha de colmeia de abelhas, por exemplo. Na espécie humana, podemos citar a monarquia.
Alguns filósofos não acreditam na necessidade de existir uma pessoa para decidir as normas e os ideais de uma comunidade, visto que humanos são diferentes, cada um com sua própria maneira de pensar e sentir o mundo. E por essa razão a liberdade é tão aclamada por eles, além de desejada de forma utópica em um mundo democrático.
Bobagem.
No castelo em que vivo, vulgo mente de meu albino preferido, eu sou que se encontra no topo da pirâmide hierárquica. Nenhum dos outros aqui são aptos a controlar esse corpinho tanto quanto eu sou. Vejamos se eles têm algo a dizer contra isso:
— ...
Muito bem, permanecerei como a rainha Ymir dessa cabeça. Oba!
Agora vamos voltar a programação normal...

●●●

— É melhor não copiar mesmo — disse o albino para Blake, usando sua forma infantil de agir como uma criança andando ao lado de alguém que lhe prometeu sorvete. — Não mesmo...
O loiro não percebeu que nesse instante eu entrei em cena. Precisava esticar minhas pernas um pouco e deixar Steven no banco de reserva — lugar que poderia permanecer até o Sol esfriar.
Estar no controle sempre foi algo muito agradável para mim. Para você ter uma ideia, seria como passar semanas prendendo sua respiração enquanto é apertado por incontáveis seres insignificantes e incapacitado de escutar os próprios pensamentos por conta dos gritos ao seu redor, e então ser libertado dessa prisão, sendo jogado em um jardim do paraíso.
Mentira. Era exatamente isso que eu passava.

Durante a caminhada até a cafeteria que o homem me levava, aproveitei para aspirar o máximo possível daquele ar enquanto esticava meus braços. Uma cena um tanto engraçada de se ver num dia comum para gente comum era aquela, jovem albino se espreguiçando no meio da rua. O que posso dizer? Um tubarão não se importava com o que as sardinhas pensam dele.
Todavia, eu usei meus dons cênicos para andar como Steven anda. Encolhido, braços cruzados e olhar em direção ao chão. Um caso sério de ansiedade social, de acordo com a Doutora — uma amiga minha.

Enfim alcançamos a maldita cafeteria que decidi de chamar de “Último Café Antes de Cair na Beirada do Mundo”. Não pense que estou exagerando, pois andei para porra com essas pernas fracas que tinha disponível.
Blake pediu algo deveras incomum para o lugar, um café normal. Quase o xinguei por me levar até um lugar desses para vê-lo beber algo que poderia conseguir na padaria da esquina, mas me contive, Steven não agia dessa forma.
— Uma limonada, por favor — disse em minha melhor voz doce. Gostaria de receber uma cerveja ou algo melhor, porém, como já deve conseguir imaginar se você possui pelo menos um par de neurônios, o “dono” desse corpo tem um gosto, quase fetiche, por sucos naturais.
“Por que está se passando pelo Steven?”, você me pergunta agora.
Bem, eu gosto de fazer isso de vez em quando, pois assim não sou notada. Preciso de mais tempo para poder controlar esse reino branco por completo, por isso posso apenas tomar as rédeas por um curto período de tempo. É a vida.

Antes que meu pedido de água azeda com açúcar chegasse, fui marretada com uma pergunta muito escrota. Não pude conter uma risada, ou melhor, uma gargalhada. Acabei perdendo o fôlego por um momento.
— Puta que pariu. Nunca viu um albino antes, cara? — Meu disfarce foi por água abaixo e eu nem me toquei, acabei voltando a ser eu mesma e me mantive assim até notar meu erro. Olhei assustada para o loiro em minha frente. — Acho que você já me conhece... digo, prazer, sou a Ymir, mas pode me chamar de Ymir — brinquei com ele. Não temia que ele soubesse sobre mim, porque já desejava dizer algumas coisas a ele.
Nossos pedidos chegaram e foram colocados em nossas mesas por uma garçonete tão bonita que pude imaginar seu QI negativo estampado na testa. Por qual outra razão alguém como ela estaria num fim de mundo como esse sem ser um completo idiota?
— Valeu, gostosa. — Peguei aquele copo e o levei a minha boca, jogando o canudo fora antes. Dei apenas um gole naquilo antes de virar o resto do conteúdo no chão, cerca de mais da metade da limonada. — Detesto essa coisa — disse ao outro na mesa que já deveria estar confuso a essa altura do campeonato. — Vou explicar para você uma coisa, querido, preste bem atenção. — Apoiei minhas mãos naquela mesa para me erguer um pouco da cadeira e encarar Blake mais de perto. — Nunca mais machuque os sentimentos de Steven. Ele pode ser um adulto que parece uma criança, mas ninguém pode deixa-lo triste, ou com raiva, ou com qualquer porra que não seja boa! Fui clara? — Minha voz se alterou no término da frase, fazendo com que a voz meio aguda do corpo do albino parecesse com a pertencente de um demônio.
É, eu não sou legal quando estou de mau humor.


personalidade — Ymir
(Manipulação da Realidade)

I'm you, I'm me, I'm everything you wanna be

_________________


help
Alguém consegue me ouvir? Claro que não, é uma mensagem de texto, mas eu a escrevo pensando, é difícil... Por favor, salve-me. Não sei por quanto tempo conseguirei me esconder daquela coisa... daquele monstro. Socorro!

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Blake Darkcastle em Seg Abr 10, 2017 10:09 am



I'm running out of time
Por um momento, o alerta de Steven de que não era melhor eu copiar seus poderes me fez pensar se ele havia de alguma forma “mudado”. Ele estava diferente, como se tivesse levado um choque e estivesse tentando agir normalmente após o susto. Pude até notar certo nervosismo no garoto. Estava sua mente alterada mais uma vez? Com minha inocente pergunta, mais uma para uma brincadeira, na verdade, acabou fazendo o outro gargalhar. Alto, escandaloso, sarcástico. Todos os outros clientes nos fitaram desconfiados, mas me esforcei rapidamente para fazê-los voltarem a suas tarefas de antes. A frase do outro com direito a palavrão fez-me estreitar os olhos e franzir o cenho, uma ruga de dúvida na testa provavelmente formou-se. Fechei a mão direita em punho, encarando o ser à minha frente – poderia ser qualquer pessoa, exceto Steven. Poderia conhece-lo recentemente, mas definitivamente aquele não era ele. Ele, ou pior, ela, apresentou-se como Ymir. Chamou a garçonete de gostosa, fazendo-a olhar feio e com nojo para ele em resposta assim que saiu de perto do mesmo. Mais um pouco de telepatia e ela esqueceu do incidente que poderia render uma bela acusação de assédio sexual.

— Ótimo... — sussurrei vendo o outro piorar a situação derrubando praticamente toda a limonada no chão. Isso eu não poderia fazer nada para ajudar Steven. A garçonete voltou, perguntando meio sem graça se havia algo de errado. Rapidamente olhei para a mesma, e ela nos ignorou, indo limpar a limonada e indo embora rapidamente, bem a tempo de eu ser ameaçado por ter magoado os sentimentos de Steven.

— Primeiramente; que porra de nome é Ymir? E eu não feri os sentimentos de Steven, ele que vive triste por você e provavelmente outra centena de personalidades habitarem sua mente. Ele nem sequer fala com as pessoas ao redor dele, tudo porque tem medo de você ou qualquer outro surgir e estragar as coisas. — Retribuí o olhar ameaçador, porém com um pequeno sorriso de canto ao ouvir sua voz aparentemente demoníaca falando.

— Se acha que sua voz alterada e sua ameaça vão me afugentar, se enganou feio, Ymar, Ymir, sei lá. — Dei de ombros fingindo errar o nome da mulher, tomando um gole de café e encarando-a com calma. Iria procurar ajudar o Steven. Eu tinha a capacidade de absorver memórias, personalidades e poderes, e eu havia sofrido muito quando tocava em alguém e vivia remoendo suas lembranças e agindo como se fosse ela, às vezes me perdendo.

— Já passei por uma fase de distúrbio de personalidade e sei pelo o que Steven passa. Eu serei amigo dele, Amir, e eu não vou me afastar dele. Então sugiro que trate de se comportar pois, caso me machuque, você vai magoar Steven, e como você já deixou claro, você é a personalidade protetora dele, estou certo? Logo, não deveria me machucar nem ficar fazendo coisas como derramar limonada no chão, me ameaçar ou assediar sexualmente uma funcionária... — terminei de explicar a situação para Ymir enquanto tomava meu café, cruzando minhas pernas e sorrindo levemente para a mesma.

copyright 2013 - All Rights Reserved for DiLua
avatar
VILÕES
25

Manhattan, New York, EUA.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Steven Abraham O'Keefe em Seg Abr 10, 2017 3:44 pm



Adorador de Gaiman

▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄▄
“Nossa existência deforma o universo. Isso é responsabilidade” – Delírio.


Parei de dar ouvidos ao loiro atrevido assim que ele começou a reparar os danos de meus feitos, evitando que chamássemos atenção a nós dois. Somente um herói medíocre se importaria com trivialidades como aquelas, ou talvez se tratasse de algum novo meta-humano preocupado em manter seu disfarce de integrante da classe alta da sociedade. Em todas as possibilidades, eu me imaginava vomitando por tamanha baboseira.

Estalei meu pescoço algumas vezes enquanto fingia que escutava o loiro. Apesar desse corpo jovem não ter permanecido imóvel por semanas, sentia dores fantasmas de um corpo que existia agora somente em minha imaginação. Todavia, o som dos estalos passava a existir assim que eu desejava produzi-los, assim como uma garrafa de cerveja surgiu no espaço que existia em uma das minhas mãos. Precisava daquilo muito mais do tanto que Steven necessitava de água para suportar esse mundo desagradável.

Algumas poucas coisas acabaram sendo captadas pelos ouvidos do albino que eu usava. Blake parecia não se decidir sobre o que falar, visto que compreendi alguma espécie de crítica quanto ao meu nome, a presença de centenas de personalidades na cabeça de Steven — o que ele estava certo em afirmar —, um comentário arrogante de que não se assustava com minha voz verdadeira e um pouco da sua própria história como um doente mental. Pude apenas ficar surpresa quando ele terminou, abrindo minhas pálpebras em seu máximo durante um sorriso. Meus cabelos brancos cobriam o ombro direito por conta de a cabeça estar pendida naquela direção. Acabei lambendo meus lábios antes de dizer:

— Blake, Blake Darkcastle. Seu nome, correto? Estou surpresa por alguém riquinho como você ter alguma semelhança com meu melhor amigo do hospício — referia-me ao O'Keefe. — Vou ser sincera. Gosto dessa tua coragem. Não é algo que Steven tenha de sobra.

As írises do albino, agora amarelas por causa de meu controle atual, desviaram do rosto do maior para o café dele. Com um simples e rápido ajustar no pescoço, fiz com que aquele conteúdo quente voasse na direção da garçonete que limpara a limonada do chão. Aumentei a quantidade do líquido para que fosse capaz de prendê-la em um casulo de café quente, afogando-a enquanto sua pele era cozida. Poderia deixa-la ali até que morresse depois de meio minuto, ou um pouco mais. Contudo, sabia que o bom samaritano não permitiria isso, então fiz com que a garçonete fosse esmagada por uma pressão colossal que a bebida fervente provocou, reunindo-a — com o café — em um espaço cúbico igual ao da xícara de Blake. A garçonete-bebida flutuou, de acordo com a minha vontade, até o recipiente do loiro.

— Não vou te machucar, garotão. Mas também não fique se achando. — Outra gargalhada escapou de mim quando terminei minha frase. Minha voz falhava, tornando-se sombria em um momento e jovial em outro. Estava chegando minha hora de voltar ao sótão de minha casinha, os aposentos de meu castelo.

Enquanto ria, minha garrafa de cerveja falhava como a tela de uma TV em um canal com sinal ruim. Sua imagem se borrava em linhas pretas e cinzas, fazendo o chiado típico para aqueles que ainda assistiam televisão com antena. Isso era eu transformando a garrafa em um copo com suco de limão.

Inclinei-me para trás, deixando minha cadeira encostada no chão apenas por duas de suas quatro pernas. Minhas pupilas amarelas se esconderam ao darem uma volta no interior da cabeça. Quando retornaram, a coloração voltou ao normal e eu não estava mais presente.

— Desculpa, disse alguma coisa? — Perguntou o pobre albino sem fazer ideia de tudo que havia acontecido, acreditando que passou somente por mais um de seus apagões que lhe causavam amnésia.


personalidade — Ymir
(Manipulação da Realidade)

I'm you, I'm me, I'm everything you wanna be

_________________


help
Alguém consegue me ouvir? Claro que não, é uma mensagem de texto, mas eu a escrevo pensando, é difícil... Por favor, salve-me. Não sei por quanto tempo conseguirei me esconder daquela coisa... daquele monstro. Socorro!

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Blake Darkcastle em Ter Abr 11, 2017 3:10 pm



I'm running out of time
Por um momento, fiquei realmente impressionado com a demonstração dos poderes de Ymir. Pelo o que pude notar ela tinha sua própria gama de poderes, assim como Steven, o que significava que todas as suas personalidades eram poderosas e perigosas. Por sorte, a mulher gostava de mim, inclusive me achando corajoso e me livrando de ter de lidar com ela bem ali. Após a trágica morte da garçonete, a mesma fora transformada em café (?) e ficou dentro de minha xícara, a qual atirei longe acertando dentro do cesto de lixo, buscando agir discretamente. Assim que Steven finalmente voltou ao normal, perguntou o que estava acontecendo, parecendo um pouco distraído. Quantas vezes será que isso acontecia com ele? Quantas vezes as personalidades voláteis dele assumiram o controle e mataram de forma desornada utilizando os milhares de poderes que ele possuía? Provavelmente foram muitas vezes.

— Nada demais. Beba sua limonada, garotinho. — Falei com ele de forma quase paternal, abrindo um pequeno sorriso e piscando o olho, pedindo um copo de café para viagem. Pelo o visto, nossa pequena jornada maluca chegava ao fim. Peguei o pequenino bloco de notas que eu sempre levava para ocasiões em que dar meu número ou endereço fosse necessário e então anotei meu número e e-mail, entregando a Steven.

— Aqui está, caso precise de mim ou simplesmente precise de bons conselhos para livros. Preciso ir agora. — Despedi-me do garoto enquanto pagava pelos dois cafés e a limonada e então me colocava de pé, apertando a mão do jovem e indo embora.

Algo de bom havia sido despertado em mim, algo que eu ainda não conseguia decifrar. Talvez a necessidade os distúrbios de Steven tivessem despertado em mim uma empatia que eu pouco expressava para com todas as pessoas ao meu redor. Havíamos passado por situações semelhantes, sendo enviados a locais horrendos – manicômios – por termos poderes diferentes que afetavam diretamente as nossas emoções. Enquanto enfiava as mãos em meus bolsos, engolia em seco e sentia meus olhos lacrimejarem, até que apoiei a mão na porta de meu carro, sem conseguir respirar. De repente o luto parecia ter voltado, assim como a sensação de estar em uma realidade diferente e estranha, que não me pertencia. Por fim abri a porta do carro e adentrei-o, dando a partida e saindo do estacionamento do shopping com um peso nos ombros, o qual não parecia haver como sobrepuja-lo.

copyright 2013 - All Rights Reserved for DiLua
avatar
VILÕES
25

Manhattan, New York, EUA.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Getting Sick

Mensagem por Conteúdo patrocinado

Conteúdo patrocinado

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum