[20173103] The good, the bad and the dirty [+18]

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[20173103] The good, the bad and the dirty [+18]

Mensagem por Convidado em Sex Mar 31, 2017 4:45 pm

The good, the bad and the dirty
A ROLEPLAY É INICIADA PELO POST DE Archibald Forchhammer, SEGUINDO POR Morrighan Hailey O'Keefe. ESTANDO, PORTANTO, FECHADA PARA OS DEMAIS. PASSANDO-SE ESTA EM 31/03/2017, Conference House, Staten Island. O CONTEÚDO É SOMENTE PARA MAIORES. ATUALMENTE, AS POSTAGENS ESTÃO EM ANDAMENTO.


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Re: [20173103] The good, the bad and the dirty [+18]

Mensagem por Noir Dekker em Sex Mar 31, 2017 5:18 pm





Unaware, I just did what I always do
A corrupção é tão comum quanto o gás oxigenado, o qual tem como definição "o sustento da vida humana". A formalidade em ser apresentada a esse elemento é por volta dos dias de berço, onde são formados os corruptos e corrompidos, desde os princípios das próprias existências, influenciadas pelo o ambiente pré-disposto, cercando-o. Tudo tem base na influência que todas ao redor exercem; seres humanos não são excluídos disso, na verdade, sendo nomeados como, talvez, o fator principal. Todos estão sujeitos a irem de encontro à podridão, só é uma questão de tempo.

A corrupção, desde o primeiro instante em que portou uma entidade consideravelmente maior que si, sempre o despertou. O tirava do leito da sanidade para ser levado ao senso de justiça com as próprias mãos; em seu caso e peculiaridade, era a vingança encarnada sobre uma fisionomia masculina. Quem ousasse desfrutar do soturno inocente, sem sentido pré-escrito, ele surgiria em sua frente e olharia na profundidade das suas pupilas de ébano. Você, como uma pessoa educada, corresponderia ao olhar, e com insegurança miraria o fundo da cavidade ocular, vislumbrando o pretume. E veria mais nada, pelo resto dos dias.

Mas não pense que ele é uma pessoa boa. Não. Não. Digo, que é o contrário. O que faz, mesmo sendo um serviço público, faz para o próprio, alimentando-se das almas dos pecadores.

A rotina dele era conviver com ele, cujo o mesmo ocupou boa parte do interior dotado de intangibilidade. Não conseguia controlá-lo plenamente, nem podia. Ao menos, a lição adquirida após muito dialogar com ele , foi que só deveria seguir os instintos, abandonar os devaneios decadentes. Somente fazer o que deve fazer. Assim, ele se estabilizaria.

Com isso em psique, a musculatura facial foi contraída e as narinas acompanharam o fazer. A essência que inalava foi exatamente comentei outrora: corrupção. Corrupção empoeirada. À noite movia-se, usando da motocicleta para mais rápido deslocamento, além de ser o seu veículo oficial. O odor falecidos, de fungos e bactérias, simbolizando decomposição, vinham de Staten Islands. Devido a gravidade, o odor forte e distinguível, fácil de achar e difícil de perder.

Conforme os raios quilométricos retrocediam, a presença dava o seu "olá". Em alguns momentos, muitos pontos do rosto do homem carbonizavam-se, transfigurando-se, literalmente. A visão de que o visse era simples, porém, assustadora: o crânio esquelético rodeado de chamas. Enfim, bastou estar em frente ao cenário que a transformação estava completa. Por causa do pacto de sangue feito com o original, o corpo e mente respondiam aos seus chamados. Pela primeira vez, o controle total e absoluto da criatura era dele. Sem problemas, retornou a forma humana.

Tomou a casa entre o campo visual. Parecia tudo normal, nenhum alarme policial. Com o celular em mãos, investigou a respeito da mesma; a resposta cedida a ele foi surpreendente.

Uau. Só alguns anos atrasados. Comentou em seu próprio sistema mental, enquanto as falanges tocavam a maçaneta da porta. Havia deixado a motocicleta em canto, escondida de olhares. Verificou ligeiramente se alguém pairava na rua. Ninguém. O aço da trinca foi incendiada em seguida. Isso possibilitou a entrada dele.

Vageou pelos cômodos, analisando cada detalhe obsoleto do que enxergava na escuridão. A fagulha na ponta do polegar serviu de lanterna, mas também de como denúncia. A audição alertou-o de um som vindo das costas. No instante em que girou, uma frigideira impactou contra o peitoral. — Ah. Que isso? — Ao mesmo tempo em que recuava, buscando recompor a postura, indagou. Erguendo os olhos, fitando sob cílios, avistou uma silhueta feminina vindo para em sua direção.

— Quer parar com isso? — Segurou o objeto, o que impediu o ataque. Ela forçou a retirada da frigideira, e ele não deixou. Por fim, o mais alto ateou chamas no metal, desfazendo-o em um líquido viscoso. Atirou-o longe. — O que você tá fazendo aqui, garota? — Séria foi a maneira em que a questão soltou-se das cordas vocais dele, perpassando os lábios finos e róseos, articulada pelo maxilar.
Wanna make it through the night

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Re: [20173103] The good, the bad and the dirty [+18]

Mensagem por Convidado em Sab Abr 01, 2017 2:03 am

If you wanna start a fight,y ou better throw the first punch

horário desconhecido, Local desconhecido.

Hey! Olha por onde anda! — Disse o homem, em sua voz rouca e grave como um trovão, enquanto fuzilava por um momento, com uma expressão carrancuda, a garota que havia chocado seu ombro com o dele. — Desculpe! — Respondeu a garota, voltando-se de frente para o velho e acenando com a palma da mão esquerda aberta, enquanto a direita escondia-se no bolso frontal do moletom cinza claro que utilizava.

Achou que o homem de terno era um grande mané, um excelente dominador da arte da ignorância e da burrice, apesar de perceber só de olhá-lo que respirava e exalava cifras americanas, desde a marca de seus sapatos de couro até o gel de cabelo que utilizava. A garota voltou ao seu trajeto inicial, sorrindo discretamente enquanto baixava a cabeça e retirava do bolso uma carteira de couro falso marrom. Talvez o homem rico não fosse tão rico assim, ou fosse apenas mão de vaca. De qualquer maneira, encontrara 100 dólares na carteira e alguns cartões de crédito. Seus lábios entortaram-se num sorriso torto, revelando os dentes meio amarelados por conta da quantidade de café que bebia diariamente, e um som de estalo com a língua ecoou entre seus dentes, que somente ela foi capaz de ouvir.

O cash mais próximo ficava a 20 metros de onde havia ocorrido o assalto, durante esse trajeto, descobrira algumas informações básicas do homem de terno, como por exemplo que ele era burro o suficiente para deixar a senha dos cartões anotada num papel junto ao bolso, e que uma carteira de motorista havia sido a peça chave para que pudesse se passar por ele, e não a reconhecessem caso houvesse câmeras no cash do banco.

Jogou a carteira de motorista fora quando avistou o cash, e então fora só felicidade. Um cartão atrás do outro, pequenas quantias é claro, porque não queira que o dinheiro fizesse volume em suas vestes. Aquele dinheiro seria o suficiente para uma semana ou duas, a depender de suas necessidades. Quando deu-se por satisfeita, olhou para a câmera e a desativou, arrancando-a de seu pequeno suporte atirando-a ao chão. Andou mais alguns metros e avistou um grupo de mendigos encolhidos num canto, deu-lhes os cartões e a respectiva senha de cada um. Dissera que havia roubado de um homem rico, e que em cada um dos cartões havia pelo menos 800 dólares para as necessidades deles. Os mendigos estranharam a boa ação da garota, mas Morrighan os fizera acreditar baseados numa falsa memória implantada, que dizia que qualquer estranho que lhes oferecesse algo bom, eles receberiam de bom grado.

A menina saiu despedindo-se alegremente dos mendigos, alguns dos quais já corriam para o cash e comprovavam ao ver a cor do dinheiro a veracidade das palavras da irlandesa. Havia feito sua boa ação do dia e estava com 1.200 dólares nos bolsos, seu estômago deu o sinal de que já havia processado o cachorro quente que comera mais cedo e que estava disponível para uma nova refeição.


Achava que as pessoas em Manhattan estavam acostumadas a serem roubadas, elas sequer pareciam ligar muito para quantos dólares ou quais cartões perdiam, e começava a acreditar na teoria de que as operadoras de cartão gastavam mais fazendo novos cartões, do que pagando o salário dos funcionários. Deixou cerca de 20 dólares em cima da mesa e levantou-se, quase imprensando as próprias pernas no espaço entre a mesa de mármore negro e a espuma revestida de plástico do banco onde estava sentada. Aquele havia sido um dos melhores jantares que havia tido na vida — decidira experimentar algo novo, porque sentia-se com sorte — e percebeu que tinha sido bom sair da rotina, mesmo que fossem raras as ocasiões em que fazia.

O sentimento de que poderia ter toda NY ás seus pés era mágico e excitante ao mesmo tempo. Viver de roubar, ela poderia fazer aquilo pelo resto de sua vida, poderia sobreviver daquela forma, e talvez nunca ficasse velha, porque novos — e belos — rostos nasciam todos os dias, ela apenas precisava vê-los e pronto, era uma pessoa totalmente nova. Seu trabalho era retirar dos ricos para sustentar a si mesma — e aos que necessitavam tanto quanto ela — não tinha horário ou ritmo de trabalho definido. Ia quando queria — ou quando precisava — não possuía residência fixa, mas os lugares onde morava eram sempre melhores do que qualquer casa comprada com o próprio dinheiro.

Ela sempre evitava chegar tarde em "casa". A noite era um domínio que provavelmente jamais lhe pertenceria, e os que trabalhavam naquele horário, geralmente faziam bem mais do que roubar. O ônibus para Staten Island sairia em dez minutos, a irlandesa comprou o bilhete de uma entediada vendedora, que mascava chiclete da mesma maneira que uma vaca ruminava, e a ideia de serem parentes distantes perpassou-lhe os pensamentos, sorrindo ironicamente da própria piada e dirigindo-se a catraca que dava para o embarque.

Quem a visse jamais diria que era uma mendiga, porque estava vestida como uma pessoa comum: o moletom e a calça jeans haviam sido substituídos por um visual que condizia mais com sua idade, composto por um short jeans claro, com sua cintura envolvida em uma camisa xadrez vermelha, coturnos pretos e uma cropped sem mangas da mesma cor. A garota subiu os degraus do ônibus com o mesmo ar presunçoso que sempre parecera pertencer a seu rosto desde o dia em que nascera. Mesmo que ali houvessem possíveis vítimas, ela não tinha razões para assaltá-los. Morrighan nunca roubava mais do que precisava para um dia ou uma semana, a ganância não fazia parte dos que vivam nas ruas, e com ela não seria diferente.


O sol já se punha no horizonte preenchido de nuvens acinzentadas e árvores secas e retorcidas quando o ônibus a deixara em frente a uma loja de baguettes, em Tottenville. A garota descera os degraus e observara o veículo ir para longe, até sumir de sua vista. Ela atravessara a rua, chegando a entrada de um ferro velho e caminhando pela calçada de concreto rachado em direção ao lado direito do ferro velho, onde encontrou um espaço vazio, entre o muro de uma casa e as grades do ferro velho onde pudesse pegar seu último transporte.

Quem estivesse passando ali naquele momento, talvez não tivesse reparado em como uma garota de 19 anos havia sumido "do nada". Ela simplesmente estava caminhando por aquele beco, como se nada a preocupasse e de repente já não estava lá, como se nunca houvesse sequer percorrido aquele trecho, fazendo os mais céticos crerem que estavam ficando loucos ou que simplesmente precisavam de um bom descanso.

Morrighan quase nunca utilizava a maçaneta de entrada da casa, porque ela sempre fazia questão de surgir na sala de estar. Mas naquele final de tarde ela decidira ser tradicionalista: criara uma chave, uma chave que se encaixasse perfeitamente na forma da fechadura e deixou seus dedos moverem a maçaneta fria e polida, empurrando a porta de madeira como um ranger típico dos filmes de terror, permitindo que o cheiro de madeira adentrasse suas narinas e impregnasse suas roupas. A casa onde estava hospedada até que descobrissem sua presença era tida como mal assombrada. Aparentemente um homem não muito contente com sua empregada, acusou-a de ter cuspido nela. Claro que nada disso havia sido comprovado, mas como o racismo ainda era muito persistente naquela época, e principalmente no sul, a empregada havia "sofrido um acidente" e quebrado o pescoço, desde então o fantasma de seu patrão e o dela perambulavam por aquela casa, atraindo a curiosidade de turistas e dos fanáticos por entidades sobrenaturais.

A irlandesa não acreditava muito naquelas coisas, mas já presenciara algumas experiências pertubadoras, tais como seu pé sendo puxado durante a noite,panelas caindo na cozinha — sim eles haviam decorado a casa de modo que se assemelhasse a uma residência o máximo possível, mas Morrighan não usava nada daquilo — vultos e entre outras coisas mais que fariam qualquer um ficar de cabelo em pé.

As velas e qualquer tipo de iluminação natural ou artificial se acenderam na sala, enquanto a morena anunciava sua chegada para os prováveis fantasmas que ali viviam. Ela subiu as escadas rangentes de madeira e direcionou-se para o quarto onde ficava — e que era o menos atormentado pelas entidades — e mantinha algumas pequenas relíquias, tais como material de leitura, um rádio a pilha para ter a companhia de outras vozes em noites onde não se sentisse muito corajosa e material de higiene pessoal. Aproximou-se do criado mudo onde deixava o rádio e apertou o botão, escutando uma música calma e melancólica que combinava com o início da noite, apanhando sua pasta e escova de dentes e descendo as escadas em direção a cozinha, onde escovava os dentes — sim a casa era "dela" então poderia fazer o que bem entendesse quanto a preferir escovar os dentes na pia da cozinha ao invés do banheiro — antes de deitar-se para dormir ao som da voz do locutor, que embalava a garota ao som de sucessos teen da atualidade.

A porta de entrada da casa rangeu, como se mais alguém houvesse entrado no recinto. Morrighan ignorou, porque era comum que os fantasmas se divertissem movendo janelas e portas ou derrubando objetos. — Não está muito cedo para vocês acordarem não? — Murmurou para si mesma, enquanto observava a lua subir através da janela empoeirada da cozinha. Mas algo lhe dizia que não eram os fantasmas que estavam despertos. Um vulto em chamas, uma chama flutuante passou pelo corredor central da casa, chamando a atenção da garota, que no mesmo instante largou a escova dentro de um copo e limpou a boca suja de espuma esbranquiçada nas costas da mão esquerda.

Morrighan apanhou silenciosamente uma frigideira enferrujada, e caminhou na ponta dos pés até o corredor, olhando para a esquerda e a direita atrás da chama misteriosa. Seus fantasmas não tinham o costume de invocar fogo ou projetar qualquer tipo de fogo, afinal eram apenas fantasmas. E logo a garota se perguntou se haveria um intruso em sua residência.

A suspeita se fez comprovada quando o avistou perdido na escuridão, sem saber qual lado seguir, e quando a irlandesa iria dar seu bote, a figura virou-se, assustando-a e fazendo errar o alvo: em vez da cabeça do garoto, havia lhe acertado o peito.

A menina tremia igual a uma vara verde, porém segurava o objeto como se fosse sua espada e seu objeto de proteção maior, encarando aquela figura que se prostrava diante dela — Quem diabos é você? — Perguntara, após finalmente criar coragem. — E o que está fazendo aqui? — Ameaçou-o com a frigideira outra vez, mas aquilo apenas causara um bocejo no desconhecido, que segurou o objeto e o fez derreter na mão da menina, como se houvesse despejado metal quente em sua mão.

Uma exclamação de dor fora ouvida enquanto ela largava o objeto no chão, causando um barulho incômodo em quem compartilhasse a casa além deles dois. Sua magia entrou em ação, o local logo deixou de avermelhar-se e tomou a cor normal, sem deixar cicatriz ou qualquer resquício de uma queimadura de pele, como se nada daquilo houvesse realmente acontecido. — Eu moro aqui. — Respondeu num muxoxo, cruzando os braços como se irritada pela destruição de um brinquedo. Quem era aquele garoto? Seria um dos funcionários que trabalhavam no local? E o que ele estava fazendo ali, àquela altura da noite?

 


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Re: [20173103] The good, the bad and the dirty [+18]

Mensagem por Noir Dekker em Seg Abr 03, 2017 12:51 pm





Unaware, I just did what I always do
A matéria e todos os conteúdos físico-químicos, que o compõem, nunca souberam ter uma atitude contra o elemento natural do fogo. Com grandes porções de calor acumulada em mesmo uma pequena chama, muitos itens curvam-se perante dela. Desde os primórdios dos tempos, a maioria da quantidade populacional, independente do gênero ou raça, convivia com a aversão ao fogo. Todos sabem que manipulá-lo não é uma das tarefas mais fáceis, tanto que pode custar a sua vida no processo, sendo tomado por intermédio da carbonização gradativa e crescente de cada milímetro do seu corpo, a nível molecular e particular, o que, obviamente, não é coisa que dê para impedir; o fogo é o elemento dos rudes e nem todos são rudes. A violência lhe define, incinerando quaisquer matérias quando a vontade lhe vem. No entanto, quando tem ao mesmo como o seu aliado, a carbonização torna-se, assim como o próprio elemento, um amigo muito íntimo. Quem geralmente é próximo às labaredas não tem um temperamento muito agradável, muito quente às vezes; literalmente, donde surgem os seres detalhados com um transtorno pelo gosto em atear fogo nas coisas, formalmente nomeados “incendiários”.

Ele é fogo. Ele é incêndio.

Desde que teve o primeiro contato com as chamas, já se sentiu devidamente atraído pela mesma. Os movimentos sutilmente balançados, em uma forma curvilínea, na extremidade – ou cabeça preta – do fósforo, conduzindo uma dança sem acompanhante, mas totalmente provocante para que alguém a tirasse ao centro do salão de baile. Mas, o contato é perigoso. Aquela mulher – a chama – tem a carne quente depois para o tato, levando seus parceiros a condutas distintas; geralmente ao falecimento. Só que ele foi paciente, ficou a metros de distância só com os globos oculares fixados em sua forma escultural, vendo-a dançar, enquanto clamava por seu nome, seguido por um “me pegue, seja meu dono”. Ele foi tão paciente, aguardando acerca de duas décadas para poder beijá-la, isto no instante em que o seu organismo era ocupado por algo mais além do que a própria a alma. Ou melhor, a substituição de almas foi completada naquele dia em específico, o qual nunca vai tirar da mente, sempre vai estar reservado em algum canto da turbulência; precisamente, no qual onde as falanges passearam em curvas, ao mesmo tempo em que portavam uma caneta de tinta preta, ou avermelhada (não me lembro ao certo, tenho a memória curva. Desculpa.). O nome foi assinado ao fim do papel. A fixação visual permanecia no homem à frente de si, na beirada da cama hospitalar. Ele tocou o aparelho que prevalecia a vida momentânea dela, e desligou. Ele cerrou os olhos, sentindo um contato sutil nos beiços entreabertos.

O beijo da Morte nunca é percebido.

Esses insanos pensamentos rondavam os circuitos mentais, do sistema neurológico dele, ao se deparar com a cena em que o metal atingia o estado e procedimento de fusão, bem na mão da mais baixa: com o aquecimento proporcionado pela palma dele, o material metálico do objeto, que ela manejava – frigideira enferrujada -, perdeu o estado caracteristicamente sólido, assemelhando-se a uma forma parecida com o magma – metal líquido -. Além de viscoso, era denso, ficando assim a cada segundo que o fogo corroía a ferrugem exterior da frigideira, ainda na mão alheia. Na cabeça do homem, a risada ecoou por cada parede, ricocheteando. O habitante achou uma cena engraçada, principalmente quando viu a face assustada da garota em frente ao hospedeiro.

”Que patético.” A sua voz era idêntica a do hospedeiro, só que ninguém ouvia, exceto o próprio; era mental, mas nem mesmo os telepatas captavam tais mensagens. Era espiritual. ”O que você vai responder?” O fantasma questionou Forcchammer, enquanto encarava-o diretamente no rosto. Na visão dele – Forchhammer –, a visão era alternada entre um clone – representação do espírito -, até fixar-se a Morrighan. — Sou eu. — Não conteve o sarcasmo como saturação à resposta, demonstração a cada letra solta. O mesmo também transparecia nas expressões faciais dele, com o arquear do cenho destro, e a outra ostentava estática e na pose padrão. Deu de ombros, afastando-se. — Obviamente. — A audição absorveu o ruído da frigideira queimada sendo lançada ao chão. Vasculhou a moradia, olhando a poeira acima de alguns móveis.

— Mas acho que já percebeu isso. — As pontas dos dedos deslizava sobre alguns planos, arrastando o pó. De relance, olhou-a sobre os ombros, de canto. — Não é? — Prosseguiu, indagando à mesma maneira de outrora. Cala a boca. Fez o mando, contrastado em timbre visivelmente autoritário, ao espírito invasor, este que ainda posava a gargalhar, porém, naquele momento, referente à queimação. Cara chato da porra. Revirou os olhos para si, ao mesmo tempo em que bufava os gases comprimidos nos pulmões, libertando um sopro. Suspirou. Tô fodido. Vou tomar multa de invasão domiciliar. Nesse momento os sons irritantes eram outros: a latência das solas dos pés do fantasma, o qual insistia em fazê-lo, impaciente. Durante isso, fisicamente, Archibald necessitou apoiar a cabeça com o palmo. A cada batida de pé, era uma pulsação agoniante na cabeça. “Ela tem cheiro bom, Motoqueiro. Do tipo que sinto atração...” Zarathos não conseguia manter-se calado.

Não era uma tarefa simples dividir a mente e o corpo com ele.

Mas, de fato, ela tinha um aroma bom. Afrodisíaco. Concluiu, em devaneio. — O que eu faço aqui? — Retomou a voz. Além do mais, voltou a proximidades dela, adentrando novamente no campo de visão, centrando-se ao meio. A ocultação do peitoral, do que já era realizado pela regata branca que vestia, sobreposta pela jaqueta de couro, deveu-se ao cruzar dos membros braçais, de fronte ali. Desfez a compostura séria, retornando eles à normalidade. Passos para frente foi dados por ele, enquanto a via ir para trás, seguindo o mesmo ritmo. Só que não esperou que uma parede fosse surgir no trajeto traseiro para imobilizá-la. Postou-se na frente da mesma, cercando-a com os braços, ao por as palmas contra o plano vertical, nas laterais do pescoço dela e acima dos ombros alheios.

Entre piscadelas bem espaçadas, com ambos os olhos, olhou-a diretamente nas orbes. Discretamente, pendeu a cabeça ao diagonal. A ironia correu os beiços masculinos, exibindo um sorriso dotado disto. Mas, ao mesmo tempo, de malícia. Quebrou mais ainda o espaço entre os corpos de ambos, quase tocando os torsos. Não diferente fez o rosto, este que rumou pelo flanco, até a área em torno do ouvido. Ela escutou o som mínimo de ele umedecendo os lábios, usando da língua para. Ficou quieto por tempos antes que desse sua resposta. — Vim fazer uma visita à moradora, oras. — Usufruiu da informação cedida sobre a desconhecida estar a morar naquele cenário pecaminoso. Nitidamente, o murmúrio foi falado. — Não gostou da surpresa? — Sem desfazer a perversão na rouquidão da baixa voz, rebateu a indagação.
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Re: [20173103] The good, the bad and the dirty [+18]

Mensagem por Convidado em Qua Abr 05, 2017 4:01 am

If you wanna start a fight,y ou better throw the first punch

horário desconhecido, Conference House.

Medo.

Com certeza, uma palavra com vários significados, como qualquer outra. Amor por exemplo. Amor pode significar o ato de sentir atração por outra pessoa (acho que o que sinto é amor por ele) como também pode ser um apelido carinhoso para alguém que se ama (amor, vamos sair hoje?). Amor vem do latim Amare, como boa parte dos idiomas latinos e do italiano. Significa gostar de alguém ou de algo, sentir afeição.

Diferente do medo, que também tem raiz latina: metus. Receio, inquietação, apreensão. Todos esse significados podem ser atribuídos a palavra medo, que também pode se referir a algo provindo da idade média.
Mas o medo ao qual se refere aqui, é aquele em seu sentido mais simples: a desconfiança e o sentimento de ameaça, de qualquer forma que se pode ter diante de alguma situação.

O medo, mesmo que indiretamente, foi responsável tanto por salvar vidas (excesso de medo quase sempre salva alguém de um destino cruel) ou por acabar com elas (a falta do medo de navegar por águas desconhecidas levou Cristóvão Colombo para as Américas). Medo que se transformou em coragem quando todas as esperanças já haviam se esvaziado, medo que se transformou em desespero quando se não via mais alternativa, medo que ampliou a mente humana a pensar em novas possibilidades quando algo iminente estava tão perto, que fez uma tentativa aleatória dar certo quando ninguém mais acreditou.

O medo é incrível e perigoso. Pode não parecer, mas medo, assim como esperança e coragem, são o que movem o mundo. A falta de medo leva pessoas a se tornarem audaciosas, altruístas e corajosas. O excesso de medo as torna paranoicas, assustadas e retraídas. Medo deve ser dosado, deve ser enraizado junto ao sentimento mais primitivo do ser humano: o de sobrevivência. De saber quando se deve deixar o medo falar mais alto que a razão e a coragem e seguí-lo a risca, ou quando se tem certeza de que não se deve confiar nele.


Sadie raramente tinha medo de algo, medo não. Receio de algo, ou alguém. Medo ela nunca teve, porque seu medo era mais coragem do que medo em sua essência. Era uma dessas pessoas que diante de um susto não reagia com um grito, e sim com um soco ou pontapé, o que viesse a sua mente primeiro.

Mas há uma primeira vez para tudo, e essa, foi a primeira vez que Sadie teve medo de alguém.

Algo cutucava o fundo do seu cérebro. Alguém. Sua hospedeira? Provavelmente sim, de alguma forma ela sabia o que havia além daqueles olhos, no fundo daquela voz. Ela ensinara a platinada a ver além das aparências, a quase enxergar a alma das pessoas e identificar seus "semelhantes" a dizer quem era confiável de outras eras e com quem tinha desavenças, de todos os níveis. Sadie mal conseguia encarar o garoto a sua frente — mais alto que ela, claro — por mais que dois ou três segundos, e quando se esforçava, a vontade de fugir de sua presença quase fazia suas pernas criarem vida e fugirem por ela. A irlandesa encontrava-se frente a frente a morte literalmente.

Seus anfitriões nem apareceram naquela noite. Talvez até mesmo eles tivessem medo de quem quer que fosse aquele garoto. Não encontrava palavras para expulsá-lo de sua casa, de sua temporária casa. E quando as encontrava, perdiam-se em sua língua como peixes que seguem o curso do rio e despencam de uma cachoeira, uma atitude suicida e cruel da natureza com os pobres animais que ela mesmo selecionara e evoluíra baseada em testes rígidos de sobrevivência e de aptidão.

A casa não estava silenciosa, porque seu rádio poderia ser ouvido diante do silêncio que se formava entre os dois, uma voz distante que cantava baixinho...como um fantasma que chama os perdidos para sua armadilha através de uma voz suave e melodiosa. A coruja rasgou duas vezes numa árvore, um prenúncio de morte para os mais supersticiosos, e em seguida voou para longe, poupando a si mesma de saber o desfecho daquela história e deixando apenas o vento sussurrar entre as frestas da casa como uma voz do outro lado que assobia para seus moradores de carne em osso. O som da frigideira despencando no chão ainda ecoava nos ouvidos de Sadie, num loop infinito, como uma melodia insistente que não sai da cabeça, a menos que você escute outra música cuja melodia seja mais insistente que a anterior, e assim progressivamente.

Eu quem? Quem diabos é você? — A desconfiança em sua voz era evidente, já que se forçava para não tremular as palavras e demonstrar uma fraqueza que se evidenciara ao dar um passo para trás, e deixar que uma forma neon arroxeada a separasse de seu interrogador e invasor de sua residência, nutrindo uma semente de esperança que sequer fora plantada iluminada com as possibilidades de escapatória. — Não faço a menor ideia de quem seja você, e essa é uma propriedade privada. — Ressoou autoritária, quase como se possuíssem em mãos o testamento que dizia que a Conference House pertencia a ela — Não minha, é claro. Mas isso não vem ao caso. Eu não sei quem é você e nunca vi na vida, então se não for muito incômodo, saia daqui por favor. Caso seja algum viciado ou até mesmo mendigo, eu posso deixar você dormir no outro quarto, por essa noite. Amanhã, quando o sol nascer, você dá o pé. Fui clara? — Ela sequer pensara na possibilidade de ser um garoto comum, que também usava das mesmas artes do assalto e furto que ela para sobreviver nas ruas, e que aquela parede translúcida arroxeada o assustaria e até mesmo causaria revolta nele para com ela, e sua atitude estúpida daquele dia, do resto daquela semana, havia sido desfazer a barreira que os separava. Uma escolha da qual ela se arrependeria segundos depois.


Nenhuma de suas habilidades parecia funcionar diante daquele ser. Nada nela funcionava, sua consciência, sua razão, seus sentimentos. Apenas o instinto de sobrevivência parecia estar em atividade, e a garota deixara-se levar por sua hospedeira, que não parecia só conhecer o garoto, mas o que havia em seu âmago.
Assemelhava-se a uma dança de tango, se ambos se conhecessem e houvesse a música apropriada: o pé esquerdo dela para trás, o direito dele para a frente. O cervo recuava, certo de sua morte e que sua última visão seria o leão o devorando: primeiro atacando seu pescoço, de maneira que garantisse uma morte rápida, e em seguida servindo-se de seu estômago, músculo e intestinos, largando o cadáver fétido de sangue oxigenado quando se satisfizesse, e deixando suas sobras para as hienas, que riam da morte do cervo, como se este fosse apenas mais uma — e era mais uma — das inúmeras vítimas de um leão que assassinava para manter-se alimentado e no topo da cadeia alimentar, rasgando com seus dentes afiados e amarelados pedaços do cervo que já não sentia mais nada, que já nem tinha mais consciência. E quando as hienas se sentiam satisfeitas, os abutres, reis da carniça, aproximavam-se para sua vez de se alimentar. Um cervo morto alimentava três espécies, e ainda servia de receptáculo para o nascimento e desenvolvimento de mais uma, era uma troca justa.

Oxigênio prendeu-se entre seus alvéolos quando sentiu o frio das pedras antigas que formavam a parede tocarem-lhe a nuca e os braços desnudos. Foi quando percebeu que aquele seria seu fim, que seria morta, de alguma forma por aquele garoto desconhecido que a fizera sentir medo pela primeira vez, um medo que era mais do que medo, era terror, era pavor e desespero por estar em sua presença, tudo ao mesmo tempo.

Seus olhos correram o canto esquerdo e direito, assustados e desesperados por uma saída, respectivamente. Estava enjaulada entre os braços do garoto. Seus olhos pareciam obrigá-la a focar-se neles, e enxergar a face da própria morte como última imagem que veria com vida, uma sensação que a agoniava e a fazia querer gritar e empurrar aquele garoto para longe. Ela deveria matá-lo se precisasse usar seus dons para escapar de seu encalço?

As pálpebras fecharam quando o rosto aproximara-se mais de sua pele, e ela inclinou o pescoço para o lado oposto, já preparando-se para a mordida fatal que o que agora achava ser um destes fanáticos por histórias de terror que se achavam vampiros pudesse pressionar seus falsos caninos de porcelana, caros e brancos como marfim contra sua veias, de modo que fizesse o liquido escarlate que corria nas veias de todos os seres que respiravam em terra, água ou mar, derramar-se através das perfurações e dar uma nova cor aquela palidez característica de Sadie.

Mas o que se sucedeu foi ao contrário: o calor da respiração se chocava contra as sensibilidade das terminações nervosas sob a pele da irlandesa, de modo que ela percebesse que suas intenções não seriam mordê-la — ao menos não tão cedo. — e sim brincar com a presa antes de se satisfazer, como muitos gatos faziam, naturais a sua maneira. — Eu já disse, que não conheço você. — A voz irritada saiu entre dentes, uma coragem enlouquecida misturada a uma tentativa desesperada de livrar-se do perigo formou-se na garota, que reunira todas as forças possíveis para pressionar a mão direita, fechada em punho, entre as costelas do garoto, a famosa boca do estômago, que se obtivesse efeito, ele se inclinaria e ela poderia dar-lhe uma joelhada para que caísse no chão, mas como não estava certa daquilo, prosseguiu-se a ideia de antecipar o próximo movimento, apoiando os braços na paredes, assim como as costas e erguendo o joelho destro, que atingiria em cheio as partes baixas de seu adversário, fazendo-o urrar de dor como já tinha visto — e feito — tantas vezes antes, e que mais uma vez — em legítima defesa — não faria tanta diferença.

 


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Re: [20173103] The good, the bad and the dirty [+18]

Mensagem por Noir Dekker em Sex Abr 07, 2017 10:01 pm





Unaware, I just did what I always do
A presença humana de gênero masculino despertava uma sensação desconfortável nela. Isso era visivelmente transpassada na face feminina, a qual se encontrava em uma condição de aversão. O temor originava-se a pressão, tanto física quanto psicológica, imposta pelo o de mais altura. Não que importava-se com tal, afinal, tendia apresentar uma aura intimidante, que não costumava esconder. Do mesmo modo, já era natural o feitio, porque, no caso, dele, abrigar uma fera infernal precisava manter seus aliados perto e os inimigos mais perto ainda. Era uma das poucas filosóficas que podiam descrevê-lo desde o momento em que o espírito retornara-lhe ao corpo, depois de segundos de falecimento prematuro.

Em sua história, aqueles que não têm ciência desta, ela referia-se a um garoto que sempre teve tudo do bom e do melhor, mas não se contentava com objetos luxuosos; a vida aparentava estar vazia como o vácuo no espaço exterior à estratosfera terrestre. O preenchimento para encontrou nos males da humanidade, orifícios incomuns criados a bel-prazer. As drogas. Droga em geral não importando qual o moreno ingeria do jeito requerido e instruído pelo o maior. Devido ao dinheiro herdado pela descendência familiar, nunca faltou um cigarro de maconha para fumar, uma carreira de cocaína para inalar com mediação de um cilindro pequeno.

No entanto, o próprio cigarro, fruto do tabaco, foi a sua perdição.

Ele rendeu-lhe o pior dos males: a doença. Doença, ou peste nos termos que digo, um dos seguidores do apocalipse, juntamente à morte, à fome e à guerra. A constância na atividade do fumo foi o percursor no escurecimento dos pulmões, simbolizando a deterioração das células locais, cujas foram substituídas por outras. Eram malignas até em sua tonalidade, vista por aparelhos tecnológicos como negra. Preto é a cor da morte. O tratamento químico não bastou para mata-las, já que eram desenvolvidas demais para a morte a simples remédios. A cirurgia de retirada era inviável, pela razão de que os órgãos afetados já não eram mais só os pulmões, mas, sim, boa parte do sistema respiratório. Não tardou muito para os digestivos serem pegos pelos malefícios, levando em conta sua proximidade.

Nos últimos dias de determinado ano, o qual ele apagou da memória, vivia acima de um leito. O leito não era familiar. Não era confortável como que tinha em seu quarto, pelo contrário, era tão duro que podia ser confundido com uma mesa de pedra. As dores corporais assolavam-no, fazendo-o desfrutar de pontas dolorosas em cada extremidade do ventre e dorso. A sensação tida era que agulhas grossas rapidamente perfuravam sua carne, atravessando o que dava a sentença da vida, já fraca e curta.

A vulnerabilidade era previsível, uma gripe qualquer poderia mata-lo como uma facada diretamente no coração.

A fisionomia reagia da pior forma possível à peste que o infernizava. A comida não parava no estômago, sofrendo de desnutrição. A musculatura corporal e atlética tornou-se raquítica mediante à circunstância dos tempos. O vômito era acompanhado pelo líquido vital, de tom escarlate, assim como as tossidas grossas que dava, as quais pareciam que ia expelir os pulmões a qualquer momento. A cena era mais do que trágica. A dificuldade em respirar não foi um evento que tardou a ocorrer.

E a linha foi finalmente cortada.

O aparelho, que tinha a responsabilidade em demarcar a fraqueza nos batimentos cardíacos dele, anunciou por um chamamento o esperado: a linha totalmente horizontal. A referência disso era o falecimento, pois as tremulações na linha são as palpitações vasculares. Porém, não morreu. No minuto seguinte, a linha instabilizou curiosamente, o que espantou todos os médicos e enfermeiros, que se aprontavam a retirá-lo da cama e leva-lo ao necrotério.

O que ninguém sabia, exceto o “morto”, foi uma conversa instantes ao último cerrar de pálpebras. Tal como não foi visto por ninguém, exceto por ele. Foi a primeira aparição dele, feita nos confins da mentalidade masculina. O cenário era alvo como uma representação singular do que seria o paraíso para Forchhammer, já que não acreditava um plano bondoso a todos, e, sim, a um plano regular, separado a cada um, onde aguardaria até outro chamado de vida. O homem a frente de si tinha uma aparência física idêntica igual a de Archibald, identificando-se como “ele”.

A conversação durou éons, mas no plano real era questão de segundos. Enfim, retornando ao diálogo, a primeiro instante a carne dele carbonizou, além de suas vestes, transfigurando a uma existência monstruosa, trajada por vestes de motoqueiro – jaqueta de couro, calça jeans e blá blá blá -. Não havia nem mesmo mais músculos, só a camada óssea, esta sobrevestida por um traço chamativo: chamas. Sem mais delongas e frases a trocar, ele lançou um papel. Um contrato com letras grafadas na font times new roman, de tamanho 11 e cor negra. Mandou que Archibald lesse-o com a maior cautela e assim o fez. A atenção foi chamada por uma cláusula em especial, a qual explicava algo que deveria fazer: “dar-lhe a alma para ele dar-lhe a vida eterna”.

“Eu aceito.” Foi a resposta dada, enquanto os movimentos do palmo, com auxílio de uma caneta ornamental com caveiras metálicas, transcreviam seu nome completo no campo requerido. Como frase final, ele informou-o: “Você não estará mais sozinho. Deverá aprender a lidar com uma particularidade que conviverá contigo a partir de hoje. Você terá reação natural de adversidade diante a um mau inocente. Será alimentado da raiva e entre outros sentimentos negativos. Serão como jogar álcool em uma fogueira. Você não será só você.” Sumiu. E ele acordou, sanado de quaisquer coisas que delimitavam sua linha da vida. Renasceu.

Os recorrentes devaneios retornavam a atormentá-lo a cada dia passado desde o ano esquecido. É obra da função reativa do cérebro em não deixar-nos esquecermos do que somos verdadeiramente. O que descobriu mais tarde, desde o primeiro instante em que respirou fora da instância feminina de sua progenitora, ele não era só um. Corpo, mente e almas, todos divididos com uma entidade demoníaca. Foi o escolhido para portar o espírito da vingança de um anjo caído, nomeado Zarathos. Todavia, informações assim só vazaram quando mais precisava como agora quando foi perguntado quem era.

— Sou o carrasco dos pecaminosos. — Poético soava a resposta entrecortada por pausas para respirar. Libertou o gás em um suspiro pesado como o próprio chumbo. — Aquele julga os ascendentes e decantes. — Prosseguia no mesmo ar, aparentando estar recitando uma poesia que inventou naquela hora. — Vejo através do que a carne tem a oferecer. Enxergo as linhas horrendas transcritas acima do papel que são as almas humanas. — O olhar era estreito pelas pelo tecido dérmico fino que recobria os globos oculares. — Sou a reencarnação de toda a podridão da humanidade. — Tenebroso foi o ar transmutado com as falas dele. Por fim, findou o discurso de identificação, ao mesmo tempo em que ainda a sustentação friamente séria. Além do mais, a seriedade contrastava o timbre vocal rouco.  — Mas pode me chamar de Archibald se quiser. — Quebrou a barreira punidora com o que foi dito atualmente. O mesmo ocorreu com a maneira em que era visto, ficando mais neutro do que outrora.

E nem mesmo essa reformulação de visão foi o suficiente para reformular a ofensiva dela. Sem que pudesse prever, ele foi alvejado por dois golpes seguidos: primeiramente, o murro distribuído no centro estomacal, fazendo recuar os meados superiores a frente e perdendo, obviamente, a compostura; para findar, a perna curvada dela impactou no espaço entre as dele, atingindo o ponto mais sensível de uma fisionomia masculina. Chutar o saco é maldade. Disse para si mesmo em transferências mentais. Até o espírito invasor captou o pensamento, gargalhando com o ataque brutal sofrido pelo receptáculo. Vai se foder, cara. O sofrimento agoniante deu-se ao ter o tato de atacante. A necessidade tida no instante foi abrigar o par de testículos com a palma, a fim de neutralizar a dor. Não demorou a ela se espalhar por todo o corpo, dando uma turbulência no intestino e todos os membros do sistema digestor. Era comum a ânsia em vomitar com isso, mas supriu esta.

A sorte de Archibald era deter uma regeneração incomum em comparação aos ademais, livrando-se da agonia que era ter o saco chutado. Só que foram segundos de dor lacerante, que tendia tardar mais para findar. De canto, acompanhou a fuga daquela que alegava residir na casa mal assombrada de Staten Islands. Vadia. Zarathos confirmou a opinião formada sobre a mesma. Veremos o que ela esconde. Complementou. A velocidade acima do normal permitiu a interceptação, barrando a passagem dela a onde desejava fugir. — Olá, de novo. — Bruscamente, ergueu-a pelo colarinho da blusa. Os pés ficaram suspensos. O encarar de ambos eram feitos diretamente aos rostos. — Olhe no fundo dos meus olhos, garota. — A ordem era clara demais para ser pedida por uma segunda. E foi atendida.

O olhar adentrou o fundo do físico da platinando, transpassando os limites da mente, até chegar à caixa mais resguardada de qualquer ser humana. Além de tranca. Graças a aptidão fraca em arrombamento, ou seja, queimar o cadeado, vislumbrou o conteúdo. Zylen... Foi o que encontrou dentro da armação funda e composta por madeira. Estava escrita em um papel já amarelado. O que tem esse nome? As verdades por trás do mesmo foram reveladas. Episódios dos quais desejava cair no esquecimento retornavam involuntariamente à psique da maga. Revia a cena da morte do amado por inúmeras vezes, até que a loucura profanava a exatidão.

— Uau. — Foi o comentário após o término do filme baseado em fatos reais. Delicadamente, pôs ela no chão com a extrema cautela. Deu passos para trás, afastando-se. — Sinto muito. Não deveria ter me intrometido assim. — Sinceramente, implorou pelo perdão. — Mas, agora, posso saber teu nome, loira?
Wanna make it through the night

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Re: [20173103] The good, the bad and the dirty [+18]

Mensagem por Convidado em Sex Abr 14, 2017 12:23 am

If you wanna start a fight,y ou better throw the first punch

Conference House, 00:00.

A primeira vez em que Cassandra ouviu falar no conceito de bem e mal, de Deus e demônio, tinha sete anos. Naquela época seus cabelos eram alguns tons mais escuros do que o platinado incomum atual, era o que poderia ser chamado de “loiro morango”.

Por definição, o loiro morango é algo que está entre o loiro médio e o ruivo. E talvez esse fosse o motivo pelo qual, ainda muito nova, Sadie recebera o apelido de cachinhos dourados, de seus parentes e conhecidos deles, que frequentemente elogiavam os fios dourados que se derramavam por seus ombros em direção ao final de cintura, próximos o bastante para que lhe fizessem cócegas nas coxas quando estavam molhados.

“Já te disseram que seu cabelo é maravilhoso?” “O que você fez nele? É lindo!” “Cabelo virgem é outra coisa não é?” “Você roubou as chamas do sol e as colocou em sua cabeça? Seu cabelo reluz o sol como a água reluz os raios direcionados a ela” “Nunca corte ou passe qualquer química no seu cabelo, ele é perfeito assim, e quem disser que não, está mentindo.” Essas e outras frases eram corriqueiras para Sadie e sua mãe, que chamavam a atenção por onde passavam pela incrível semelhança — Apesar do tom do loiro de sua mãe, ser um pouco mais escuro que o dela — e beleza peculiar. Sua mãe era norueguesa, e os membros de sua família apenas casavam com outros noruegueses, tendo se tornado a primeira dos Löwenstrøm a quebrar a tradição secular — a duras penas, tendo sido expulsa e deserdada da família após receberem a notícia de que a filha mais velha apaixonara-se por um irlandês e fugiria com o mesmo para a América.Amaldiçoada por seus pais e avós, Andromeda recebeu cartas de ameaças e xingamentos de parentes dos quais não ouvira falar por um bom tempo, ao menos, enquanto estava grávida de Sadie, tendo cessado as ameaças quando a garota completou dois anos — e seguido o próprio coração, independente das dificuldades que havia passado nos primeiros meses de casada.

Não era a primeira vez que estava indo à catedral, seu pai a levava frequentemente, ensinando-a que ela precisava acreditar em um ser superior, independente da religião que escolhesse, e que essa escolha deveria ser feita levando em consideração sua visão de mundo, e na qual acreditava sentir-se confortável. Mas enquanto a habilidade de discernimento não aflorava no âmago de seu ser, Sadie era levada para a igreja católica, sem relutar ou fazer birra, talvez porque visse Steven recusando-se a ir e a maneira como seus pais reagiam não era lá muito positiva ou agradável. Cassie aprendera bem cedo o significado de “se não pode vencê-los, junte-se a eles”, ainda que em algumas situações, fosse extremamente desconfortável tomar esse tipo de atitude.

Naquele domingo o sol brilhava em sua máxima intensidade, provavelmente aproveitando-se da primavera agradável que fazia para colaborar com o crescimento das flores e alegrar os que banhavam-se com seus raios logo quando nascia e quando punha-se a dormir novamente. A brisa soprava forte, levantando saias e sacudindo flores multicoloridas dos jardins da cidade de Nova York, um espetáculo natural no Central Park que só os que passavam por aquele ponto turístico tinham a oportunidade de observar.
A igreja estava decorada da mesma forma que todas as vezes anteriores, exceto na época da páscoa ou das datas cristãs/católicas ao longo do ano. Bancos de madeira envernizados, dispostos em duas fileiras avançavam contra o primeiro degrau da igreja, onde haviam catorze pedestais dourados reluzentes diante da fraca e trêmula luz que suas velas emitiam, a cera ora pingando ora escorrendo sem a menor pressa no tapete vermelho com bordas também douradas, que ia de uma ponta a outra da catedral. O altar era todo trabalhado em ouro, — impressionante como nenhum ladrão ainda não quisera entrar e assaltar aquele lugar, com toda aquela ostentação de dourado tão típica à igreja católica, principalmente na idade média — com detalhes feitos de modo perfeccionista e organizado, apesar de que o que mais chamava a atenção naquele altar, era a caixa dourada de 60 centímetros de altura por 50 de largura, firmemente pregada ao espaço destinado a ela, onde dentro encontrava-se o corpo de Cristo: óstias, pequenos discos feitos de farinha e água e assados em um forno, colocados um a um dentro de uma taça dourada e que serviam para representar o corpo do salvador de todos os pecadores que nasceram e que ainda estava para nascer, uma irônica alusão ao canibalismo, se vista pelo ponto de um ateu, mas que era uma forma de conectar-se ao divino para quem acreditava.

Fiéis de todas as idades e tamanhos preenchiam os espaços vazios dos bancos, sentados de maneira respeitosa e silenciosa diante do padre, que pregava o sermão sobre a inveja e a cobiça, usando-se do conto de Caim e Abel, os filhos de Adão e Eva, para exemplificar a lição da semana.

Os pé de Cassie sacudiam no espaço que os separava do chão, observando os próprios sapatinhos cor de rosa e as meias finas brancas em seus pés, com as mãos apoiadas no banco onde estava sentada, seu irmão à sua esquerda e a mãe à direita, com o pai ao lado dela. Para a garota aquele assunto pouco interessava, porque mesmo que entendesse algumas passagens do que estava ali — e então Caim, com inveja da atenção que seu irmão recebia e a preferência do mesmo pelos pais assassinou o irmão — aquilo pouco parecia aplicar-se a ela, afinal uma garotinha de sete anos provavelmente jamais saberia o que é sentir inveja de um irmão por este ter uma certa preferência pelo pais, mesmo que fizesse e se esforçasse para chamar a atenção para si mesma.




A loira encostou a cabeça no ombro do irmão e rolou os olhos em direção ao rosto do mesmo. Steven não parecia inquieto naquele momento, ele estava prestando atenção no sermão do padre, causando na irmã uma suspeita nos motivos que o estariam levando a exibir aquele comportamento tão incomum a ele — em geral Steven não prestava atenção em nada do que não fosse de seu interesse, e talvez fosse por isso que ele e Sadie eram tão diferentes um do outro — e que talvez até fizesse os pais ficarem aliviados, mas que seria um prelúdio para algo que o irmão mais velho faria mais tarde.

Steven ignorara completamente os afetos discretos que a irmã insistia em demonstrar publicamente, como se ignorasse ou sentisse repúdio por ela. Sadie estava acostumada a indiferença de seu irmão, mas isso não significaria que ela o amaria menos, pelo contrário, parecia instigar na garota uma forma de desespero por sua atenção de maneira que ela fazia de tudo — desde que estivesse dentro de suas capacidades e não chamasse a atenção dos pais — para conquistar um olhar do garoto, ou que o mesmo notasse sua presença nos menores detalhes de sua rotina, o que dava ao loiro a chance de transformar a irmã numa espécie de escrava por atenção.




Após saírem da missa, a família entrou no carro que estava estacionado em frente a igreja e dirigiu em direção a sua residência, os adultos silenciosos, vez ou outra discutindo banalidades segundo as crianças, e os irmãos O’Keefe incomodados, ou ao menos Sadie O’Keefe estava incomodada.
Quem era o demônio mamãe? — Perguntou a garota, aproximando-se do banco do passageiro onde a mãe estava sentada, lendo um panfleto velho que estava guardado no porta luvas, a mulher dobrou-o num suspiro, como se fosse desconfortável falar sobre aquele assunto com a filha.

O demônio Sadie, antigamente, bem antes de eu e você existirmos, não era mau. Ele já foi um anjo, como todos os anjos que servem ao Senhor. Mas esse anjo era invejoso, ele queria tomar o lugar de Deus só para ele. E para isso ele convenceu alguns outros anjos a se colocarem contra Deus, só que não deu certo, porque Deus expulsou todos eles e esses anjos foram condenados a viver no inferno, que é um lugar ruim onde as pessoas com os piores pecados vivem, e esse anjo que liderou essa revolta contra Deus se tornou o líder deles. — Explicou a mulher, sentindo-se satisfeita por ter dado uma resposta completa, e torcendo para que a garota não lhe perguntasse mais nada, porque uma enxaqueca terrível havia se formado e a única coisa que desejava era poder tirar um cochilo após dois comprimidos de aspirina.

Eu discordo. — Comentou Steven, que parecia alheio a toda conversa naquele momento. — Se alguém era contra Deus, deveria ter sido ouvido, e se houve gente que concordou com o demônio, era porque Deus não estava agindo corretamente. Não houve inveja. Quem colocou Deus no comando de tudo? Essa história foi criada para que não questionássemos autoridades maiores, como o padre, e obedecéssemos sem pensar duas vezes.

O que se seguiu após a fala do garoto, fora uma verdadeira batalha de palavras, onde Steven terminou de castigo por duas semanas — não que ele se importasse, sua irmã trabalharia para ele em segredo — e sem a sobremesa do jantar que ocorreria naquela noite. Os argumentos do irmão de repente começaram a fazer sentido para Sadie, que nunca havia visto a história por aquele olhar, e um desejo de defender o irmão se acometeu dentro de si mesma, mas o medo de ser repreendida pelos pais e ter o mesmo fim que Steven a amedrontara, e a loira preferiu ficar calada, descobrindo mais tarde que o irmão poderia estar, de fato, certo.




Lembranças de uma infância há muito esquecida, principalmente porque a maioria destas lembranças continham Zylen envolvido, foram reativadas devido a presença — agora maligna, sim ela podia reconhecer isso, porém não sabia como — que a encurralara naquela parede fria e arenosa, e que parecia saber render alguma conversa.

Você é algum tipo de padre? — A sobrancelha esquerda erguera-se num arco, enquanto o dedo indicador da destra apontava para o peito do moreno, desconfiando da veracidade das palavras que saíam de seus lábios. Aquela história parecia o tipo de coisa que algum fanático religioso provavelmente diria sobre si mesmo, julgando ser um tipo de justiceiro anônimo que “fazia o bem sem ver a quem”. — Porque de padre, pastor, gente querendo me converter e me alienar, já basta os tiozinho que dão comida lá no beco atrás do Joseph’s burger. — Desviou da presença que impedia sua passagem pela direita, caminhando de braços cruzados em direção a um gaveteiro decorado com uma flor artificial, em um vaso branco com motivos florais extremamente detalhados, assemelhando-se a porcelana chinesa, uma vaga ideia de como deveriam ser os objetos de decoração na época em que os corpos de seus fantasmas viviam e serviam-se dos cômodos daquela residência.




Uma ideia estranha ocorreu-lhe pela cabeça: a ideia de achar toda aquela situação — no caso, a de estar encurralada com um completo desconhecido, porém bonito, sem, provavelmente alternativa de escapatória — quase excitante, produzindo em sua mente imagens aleatórias das quais se recorda de ter visto quando mais nova, quando seus hormônios ainda explodiam dentro de seu corpo como pequenas supernovas, e como um berçário de estrelas parecia seus pensamentos: muldirecionais, e com várias definições, ora lascivos, ora engenhosos ou brilhantes a depender das circunstâncias a serem utilizados.

“Devo estar ficando louca.” Pensou consigo mesma, sacudindo a cabeça rapidamente da esquerda para a direita, um movimento que provavelmente chacoalhara o cérebro dentro da caixa craniana, e que a faria ser repreendida pela mãe, se ainda estivesse vivendo com a mesma. — Então, Archie. Vou te chamar de Archie porque esse seu nome é muito grande e muito complicado de se pronunciar, tenho certeza que deve estar acostumado a ser chamado por apelidos. — Expôs, ao colocar a mão sobre o móvel de madeira e observar o garoto adiante contorcer-se com o chute. — Esse é o seu nome? Hum, legal. — Arqueou os lábios numa falsa expressão de tristeza, mais de conformidade do que de ironia, fechando os olhos por um momento e suspirando de uma forma que provavelmente se arrependeria.

A sensação de excitação pareceu preencher todo o seu estômago, aquela fração de segundo fora o suficiente para que repenssasse sua atitude para com Archie, imaginando que havia pego pesado de mais com ele, mesmo sendo um desconhecido, e que até então este não havia feito nada com ela para que pudesse agir daquela forma.

A libido pareceu alterar sua capacidade de raciocínio, e ela conseguia sentir suas mãos e pés agitando-se com os hormônios do prazer lentamente liberados percorrendo seu corpo apenas ao visualizar os flashes das situações hipóteticas em que poderia se encontrar com ele. Sua primitividade falou mais alto, e ela acusou-se culpada de reagir tão violentamente a alguém que possuía uma abordagem tão pouco comum naqueles dias, e que poderia ser facilmente confundida com um assédio caso a vítima houvesse sido alguém não-tão-mente-aberta como ela achava que estava sendo.

Ei cara, foi mal o... você sabe. Eu realmente não quis fazer isso, é que você meio que me assustou com essa atitude “vou te comer quer queira ou não” sua aí. — Postrada ao lado do moreno, ela estendeu-lhe a mão direita, para que se apoiasse na mesma e se erguesse, enquanto a esquerda desconfortavelmente removia escamas de sua pele localizadas na nuca, um movimento repetitivo e que parecia não incomodá-la apesar do local já apresentar uma vermelhidão que não poderia ser vista sem um foco de luz direcionado naquela parte.

Fosse ironia do destino, ou fosse o plano do garoto convencê-la a acudí-lo — não tinha como saber que ela faria isso, a menos que ele fosse algum tipo de vidente e tivesse previsto aquela atitude solidária dele — no fim das contas Sadie fora recapturada por seu interrogador, não porque ele apanhou sua mão e a atirou ao chão, coisa que poderia ter feito, e só então a garota estaria completamente impossibilitada de se livrar do mesmo, mas porque repensou a atitude solidária e se afastou a passos largos quando o viu erguer-se, imaginando a possibilidade de retaliação que poderia vir a ocorrer quando se tornasse ereto novamente.

Fugir de alguém é uma sensação agoniante, principalmente quando se há obstáculos a sua frente. Quando se foge de alguém, a pessoa que está fugindo (o fugitivo) sempre olha para trás para verificar o quão longe está de seu perseguidor, e quando não está realizando essa sondagem, verifica o caminho a sua frente, o que dá brecha para que seu cérebro produza a ideia de que o perseguidor pode capturá-lo no exato momento em que o fugitivo não está olhando para trás.

Foi o que ocorreu com Sadie, que preferia ter sido puxada pela camisa para trás — o que provavelmente a teria excitado, mesmo que a ideia de não saber o que ele faria com ela a assustasse, mas não tanto quanto a excitasse — ao invés de trombar com a figura que surgira a sua frente como passe de mágica, desta vez com uma atitude mais severa e rígida — que a irlandesa não ousara contestar, pois achou que ele estava no direito de vingar-se dela, da forma que achasse mais adequada — que podia ser vista claramente em seu rosto graças a luz do luar que entrava pela sua janela.

Seu rosto ergueu-se conforme o corpo era suspenso no ar, esticando o pescoço para trás em quase totalidade, evitando que a pele das costas mãos dele encostasse na pele daquela região da irlandesa, tendo sua camisa como forma de ser erguida e a força de Archibald como fator responsável pelo feito. Jamais passou por sua cabeça que o garoto a sua frente tinha tamanha força, levando em consideração a magreza peculiar e os braços franzinos, ela não duvidava que ele fosse capaz de levantar mais que um engradado de cervejas por viagem.

Seus olhos se focaram no rosto de Archie, como se ela desejasse ter a visão de assassino antes de morrer como pista para que os que encontrassem seu corpo desfalecido e rígido no dia seguinte o capturassem o mais rápido possível. Seus pés balançavam no ar, e seus braços inutilmente guiavam suas mãos mais inúteis ainda em direção ao punho do garoto, apertando-o com a pouca força que tinha — já que o medo de morrer era maior, e aquilo lhe retirava toda a força e qualquer concentração para que pudesse reagir — numa tentativa fraca e desajeitada de que o moreno deixasse de estrangular a garota com a própria camisa, debatendo-se como um peixe fora d’água, Sadie não queria ter sido tão vulnerável como foi no momento em que olhou nos olhos de Archibald.




Não poderia haver imagem pior para alguém que estava tentando livrar-se de seus traumas, do que revivê-los com a mesma intensidade de como se fosse a primeira vez. Archibald reacendera na mente de Sadie, atropelando a reencarnada que vivia dentro da garota e derrubando todas as correntes, amarras, muros e fendas que impediam que Cassandra relembrasse a morte de Zylen como se afugentasse um bando de pássaros para longe, um sacudir de mãos e os animais voavam para longe como se fugissem do perigo iminente. A irlandesa vira-se mais uma vez no palco daquele teatro, Zylen dizendo-a que ficaria tudo bem, mas que suas palavras eram desmentidas no momento em que perdera o controle do fogo e o mesmo se espalhara através do local, incendiando tudo e todos que ficassem para trás, exceto ela, e que essa exceção ao fogo fora a causa para sua prisão, mas também fora a chave para descobrir a existência do Romeu de sua reencarnada, que a tirara do cárcere e a libertara, mesmo que ambos nunca mais tenham se visto desde aquele momento.

A cena repetiu-se várias e várias vezes, e parecera que Sadie ficara presa durante eras naquele looping do qual ela não poderia se livrar nem alterar. Parecia que a cena se repetiria como uma fase de jogo: enquanto ela não descobrisse a chave para a próxima passe, reviveria a morte de Zylen quantas vezes fosse necessária para que sucumbisse a própria loucura.

Ainda era noite quando a garota gritava desesperadamente, percebendo que sua voz estridente estava tão alta que poderia chamar a atenção — que atenção, se a casa havia sido construída no meio de uma pequena floresta? Mesmo que a ouvissem, atribuíram o som aos fantasmas que ali viviam, ao invés de alguém que estava em perigo — seus olhos ardiam como se fogo houvesse sido posto neles, e ela não sabia se lacrimejava da ardência das órbitas — sentia-se cega, apesar de ainda poder enxergar, mesmo que em desfoque — ou da dor que se reacendera em seu coração com força total.

Sadie caiu de joelhos aos pés de seu interrogador, as mãos no rosto e visivelmente abalada por lembranças terríveis demais para serem descritas, seu corpo tremia e sua cabeça latejava de dor, a respiração curta e acelerada, ela sentia que desmaiaria a qualquer momento por falta de oxigênio ou devido a dor emocional, refletida em sintomas físicos que sentia momento. Seu pescoço doía devido a inclinação da cabeça, e um anel vermelho circundava-lhe o região onde o tecido pressionou a pele, mas sem machucá-la. A irlandesa não moveu-se durante algum tempo, sentindo a dor do luto voltar junto das lembranças, o desejo de vingança que nunca fora concluído, e que agora havia voltado-se para ele.

O vaso de flores artificias caiu no chão, assim como as gavetas do gaveteiro, e as panelas da cozinha saíram em fila pela porta, prontas para atacar o homem a qualquer momento. As janelas abriram-se as persianas voavam como cabelos de uma dama ao vento forte. Sadie ergueu os olhos vermelhos e visivelmente doloridos para Archie, encarando-o com a fúria de 1000 viúvas que haviam acabado de perder o único filho e encaravam o assassino frente a frente.

Eu pedi desculpas a você por ter te chutado — Pronunciara numa voz baixa e trêmula, a língua enrolando-se na hora de articular produzir as palavras. — Precisava mesmo ter feito isso comigo? Precisava ter me feito relembrar a morte dele?! — A interrogação berrada fora o fator decisivo para que todas as panelas se chocassem contra a cabeça do desconhecido, não só sua cabeça, como o resto do corpo. Frigideiras, panelas, pratos e demais utensílios domésticos jogavam-se contra Archibald diversas vezes, obrigando qualquer um que estivesse na mesma situação a proteger-se contra os ataques, obedecendo a particular rebeldia e revolta da garota, que após seu breve momento de extravasamento — ela não quera machucá-lo de verdade, apesar da excitação estar momentaneamente abafada pela tristeza, raiva e revolta, o medo de que tivesse de ver Zylen implorando para que fosse salvo novamente ainda a assustava — permitira-se voltar a chorar pela morte do falecido distante. Murmurando entre as mãos a resposta para a pergunta. — Sadie. Sadie O’Keefe.

 


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