+ never call the evil

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Re: + never call the evil

Mensagem por Blake Darkcastle em Seg Abr 17, 2017 6:44 pm


Self-Control
O céu estava colorido por um tom particular de preto, um sombrio negror que lembrava o luto. Seus cabelos dourados eram bagunçados pelo tempo, porém pouco a figura pálida importava-se. Suas roupas habituais e caras estavam confortáveis e protegiam-no do frio que a noite trazia. O loiro sentia-se diferente, sua mão foi levada à cabeça, seus dedos mergulharam dentre os fios, numa tentativa falha de obter alívio da dor intensa na sua cabeça. Algo estava diferente, às vezes, era como se o mutante perdesse por completo a noção das coisas ao seu redor. Blake não fazia ideia da rua onde estava, muito menos para onde ia. Ele não queria aproximar-se de ninguém, muito menos falar com ela, sentir suas emoções, ler seus pensamentos, ter de tocar em alguém. Não, gritou o empresário consigo mesmo, dando um leve soco na própria têmpora, recostando-se a uma parede. Isso tem de parar! Precisa lutar contra isso, Blake!, bradava sua própria voz. Seria sua consciência? Engolindo em seco, o moreno levou a mão a testa suada e retirou o excesso de seu suor, fechando os olhos e tentando manter controle.

Faziam-se quantos anos desde que Blake conseguira por conta própria dominar todos os seus poderes? ”Prive-se de todos os poderes e foque-se apenas nos mentais, que são os mais difíceis...”, era a sua regra suprema. Manipular o fogo, a água e a terra era algo simples, divertido até. Seu dom de absorver memórias, personalidades e poderes só funcionava com o contato físico, então utilizar luvas era algo simples e fácil até demais. Entretanto, seu desafio supremo era controlar sua telepatia. Por que isso acontecia a ele? Era o que o rapaz pensava consigo mesmo. Logo ele; tão organizado e meticuloso com todas as suas metas, criando objetivos e perseguindo-os veemente, criando planos, métodos variados de obter poder e controle... Tudo isso lhe parecia injusto, surreal.

— Você está no controle. O poder é seu. — Afirmou o loiro falando consigo mesmo, engolindo em seco e abrindo os olhos, percebendo que o mundo não mais girava e ele já tinha noção de onde estava. Para a sua sorte, mesmo em estado de delírio o mutante não perdera celular e carteira. Blake precisava de um drinque urgentemente.

Atravessando a rua, o mutante adentrou na boate de nome clichê e que mais parecia o nome de um prostíbulo e então passou pelas dançarinas eróticas e os desengonçados homens de corpos cheios de músculos exagerados. Sentando-se num banco, o homem apoiou os braços no balcão de granito e soergueu o dedo indicador, atraindo o atendente telepaticamente e então pedindo qualquer coisa de gosto doce e com uma boa dose de álcool dentro. Logo, o rapaz fazia uma mistura com excelente maestria, entregando-lhe um copo de líquido rosa que mais parecia vitamina. Bebericando do mesmo, Blake gemeu baixo pelo delicioso sabor. Como que ele nunca havia experimentado isso em toda a sua vida? Dando uma pequena pausa no drinque, ele percebera que uma mulher acabara de sentar-se ao seu lado. Sem querer parecer intrometido, ele tentou puxar assunto.

— Oi. Já experimentou isso? Não sei o nome ainda, mas é uma delícia. Boa noite, aliás. Blake Darkcastle. — Com um timbre baixo e rouco o empresário estendeu sua mão, um largo sorriso na face. Não era bebida que deixava-o assim, no entanto; o motivo de sua alegria era o fato dele ter dominado completamente seus poderes por agora, era a felicidade de estar no controle, no poder. Blake era um enorme egocêntrico quando se tratava de dominação. Ainda apertando a mão da jovem, ele soltou-a, chamando o atendente.

— Ei, traz outro desses pra essa moça aqui. — Mandou Blake erguendo-se um pouco de seu assento, voltando a sentar-se.



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Re: + never call the evil

Mensagem por Blake Darkcastle em Ter Abr 18, 2017 4:43 pm


Self-Control
Ainda era algo novo para o loiro agir daquela forma, tão receptivo e agradável. Era mais do feitio do líder das empresas Darkcastle ser um homem de humor neutro, de fala articulada e muito bem pensada antes de ser expressa e de vocabulário rebuscado. Entretanto, certas ocasiões pediam mudanças, e o mutante não achou nada ruim aquilo. Apresentando-se como Harley após aceitar o drinque, a moça de aperto firme o questionou sobre os motivos do empresário ter ido até aquela boate. Honestamente? Nem ele mesmo sabia, depois de sair de seu profundo estado de delírio tudo o que ele pensava em fazer era relaxar e beber algo alcoólico, então meio que a primeira opção – a de precisar de álcool – era a correta. De alguma forma, nem as dançarinas de corpos bem delineados ou os homens de corpos musculosos atraíam Blake. Para ser sincero, desde que conhecera o famigerado e discreto líder da Valhala tudo o que o loiro conseguia pensar era no nórdico de longas madeixas. Voltando para a realidade, ele sorriu meio nervoso dando de ombros e contornando a situação apontando com o queixo para o local de luxúria que Harley fitava.

— Isso não faz o meu estilo. Fui criado para ver esse tipo de lugar como um nada. Decidi vir aqui porque precisava de uma bebida, foi um dia longo no trabalho. E você? Parece precisar estar aqui por alguma razão também... se bem que todo mundo precisa de um bom motivo para vir a este lugar... — enquanto dava as suas explicações Blake deu uma melhor analisada no local; era arrumado, colorido demais e tudo beirava ao extravagante, e de alguma forma nem ele nem a jovem de fios dourados pareciam pertencer àquele lugar, como se apenas estivessem ali buscando refúgio, o que era cem por cento verdade, como ele mesmo admitira anteriormente.

Passando o dedo indicador pela borda do copo, ele desviou a atenção das danças frenéticas e do som alto, bebericando um pouco da sua bebida e pondo-a no balcão, mas não sem antes pôr um guardanapo embaixo para que não sujasse o balcão de granito polido – costumes velhos nunca morrem, muito menos o perfeccionismo. Por alguma razão, Blake sentiu-se confortável, um pouco de sua paranoia se dissipou por estar num local tão público e que poderia manchar a sua reputação e então ele apenas apoiou o cotovelo e moveu-se de um lado ao outro no banco, distraidamente. Sem sombra de dúvidas um comportamento feliz demais para o outrora neutro, sério e rígido Blake Darkcastle.



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Re: + never call the evil

Mensagem por Blake Darkcastle em Sab Abr 22, 2017 8:13 pm


Self-Control
A verdade era que Orion não conseguia fixar seus pensamentos por muito tempo. Ele sentia uma súbita necessidade de ser feliz, de procurar em algum lugar sua felicidade e, ao encontra-la, abraça-la com todas as suas forças. O loiro havia sofrido demais com seus problemas e dominando seu autocontrole, ignorando o mundo ao seu redor e tentando não se fixar a ninguém. Talvez, no fundo, Blake sempre soubera que seus poderes poderiam ser controlados, e o motivo para não se apaixonar por ninguém fosse algo mais pessoal, íntimo; talvez o medo de perder a outra pessoa assim como ele perdera seus pais. Ao ser questionado por Harley, ele deu de ombros.

— Bem, minha criação foi rígida, cresci aprendendo a ser o perfeito substituto do meu pai nas empresas da família. Era filho único, então... depois que meus pais morreram tive de levar os ensinamentos deles para o cargo. Bem, liberdade cheguei a ter, porém eu mesmo cortei ela. — O olhar do mutante tornou-se levemente sombrio, suas pupilas dilataram com a lembrança vinda à mente, e então ele fitou a figura de fios loiros, comentando sobre a liberdade que ela tivera de seus pais.

— Liberdade é algo superestimado, entende? Nunca teremos cem por cento de liberdade na vida. Há leis por toda a parte, nossos corpos possuem limitações. É assim que tudo funciona. Como já disse um grande filósofo intelectual... esqueci. — Falou seriamente Blake com o copo em mãos batendo-o levemente no da jovem, fazendo um brinde, porém rindo após esquecer o que iria dizer.

— Bem, Harley, creio que eu precise ir. Ah, e espero que possamos nos ver novamente. Foi bom conhece-la. — Despedindo-se, o loiro pagou a conta da bebida de ambos e com passos calmos ele se dirigiu à saída, saindo do local abafado e respirando o ar puro da noite, fechando os olhos por um momento.

Ele ficaria bem, ele iria conseguir atingir o autocontrole que ele tanto buscava, ele poderia fazer isso. Ao abrir os olhos, ele pegou seu celular e digitou uma mensagem para um motorista vir busca-lo, e então recostou-se numa parede, passando a mão pela testa suada, respirando pesadamente. Ele iria precisar de uma boa companhia depois, e então seu celular foi pego mais uma vez, seu indicador deslizando pela tela e hesitando tocar no botão de chamada. Estava estampada a foto de Orion. Ele poderia mesmo confiar no nórdico? Ele discou para o loiro, sentindo os olhos marejados.

— Blake! — a voz alta do loiro soou animada, de forma que tudo o que o mutante fez foi suspirar, desligando o celular em seguida.

Assim que o carro chegou, Blake abriu a porta e adentrou no carro rapidamente, pedindo para ser levado para casa imediatamente, o que o motorista fez.



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Re: + never call the evil

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