[20170422] Impossible Year

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Re: [20170422] Impossible Year

Mensagem por Steven Abraham O'Keefe em Sab Abr 22, 2017 10:50 pm

Onomatopeia
snif snif
19h33min

Em uma residência comum para uma família de classe média, quatro moradores jantavam em uma mesa de madeira comprida e velha. Em breve quebraria com um simples empurrão que recebesse. Como todo retângulo, tinha quatro lados para cada um se sentar, mas haviam duas cadeiras em um dos lados maiores. Essa era a organização que haviam feito para que pudessem assistir à televisão que ficava na direção do lugar vago. Ninguém ficaria de costas ou na frente dos demais.

A programação da noite era assistir o jogo do time para qual a casa torcia e competia no momento. Eles tinham preferidos para todos os esportes com bola, quando não havia bola, torciam para os mais atraentes — que eram decididos pela mãe e filha mais velha —, o que nem sempre agradava os homens da casa.

Durante um grito de alegria e surpresa atordoou todos os presentes na mesa, os demais acompanharam ao perceber o motivo: um ponto naquele jogo banal. O mundo estava um caos e as pessoas se preocupavam com o fato de uma bola entrar no cesto. Não sabiam os ignorantes que aquela rotina nada produtiva seria a causa do fim deles.

Toc, toc.

O volume da TV permaneceu o mesmo, ninguém se importava em escutar a voz daquele que batia na porta. Entre eles, o mais novo foi quem se voluntariou para atender quem quer que fosse. Os outros três mantiveram seus olhos vidrados em homens correndo atrás de uma bola, derrubando uns aos outros de vez em quando.

Com sua voz ainda fina pela pouca idade, o garoto de sete anos disse ao abrir a porta:

— Quem é?

Um arrepio percorreu a espinha da mãe das crianças, ela lembrou de seu filho, então procurou escutar sua voz. Depois de conseguir tirar sua atenção do programa de TV, ela pôde ouvir o menino falando e uma voz calma, como de uma senhora, respondendo-o. “Deve ser a sra. Green da casa em frente perguntando se estamos bem como sempre”, pensou a mulher, aliviada por se ver muito bem em seu papel de mãe.

Ainda na mesa, a irmã mais velhas sugava um fio comprido de macarrão até sua boca. Ela amava isso, pois sempre a fazia lembrar de A Dama e o Vagabundo, faltando apenas um rapaz dois anos mais velho por quem se apaixonou há uma semana. Seus sonhos com ele não terminavam apenas em uma refeição, mas ela jamais os realizaria, pois pretendia esperar que ele fosse até ela como sua mãe dizia ser o certo a ser feito em um relacionamento.

Quando o macarrão era completamente levado para o interior de sua boca, um som nada educado era produzido. Sua mãe a encarava com raiva em seus olhos, já o pai gargalhava pela falta de educação da menina. Então aquele som se repetiu, mas ninguém havia colocado comida na boca. Mais uma vez todos escutaram macarrão sendo sugado.

Os mais velhos se entreolharam, confusos, assustados. Desligaram a TV para poderem rastrear a origem do som. Quando levaram seus olhares na direção de onde seus ouvidos diziam vir aquele barulho, surpreenderam-se com a filha deles, apavorada e imóvel.

Slurp.

Todos gritaram. Não conseguiam compreender o que estava acontecendo. Nesse momento, lembraram do garoto na porta. Correram atrás dele, puxando a toalha da mesa sem querer, derrubando tudo no chão, incluindo pratos e copos. Tudo quebrou, mas ninguém escutou nada. Precisavam verificar o mais novo.

A porta estava fechada, o menino estava caído no chão, no meio de uma poça de sangue. O próprio sangue.

BAM!

O barulho de alguém caindo assustou ainda mais os três medrosos. Mais uma vez o som estava vindo de alguém parado, nesse caso, o menino morto. Se tivessem neurônios não destruídos pelo conteúdo televisivo, poderiam relacionar aquele fenômeno sobrenatural com delay que ocorre em áudios de séries e filmes.

— Pai, o que está acontecendo? — perguntou a garota que desejava poder pensar outra vez em cães, macarrão e um beijo cinematográfico.

O pai abriu a boca e a moveu para responder, mas nada disse, ou ninguém escutou. Tudo ficou silencioso mesmo com todos se esforçando para gritar. Começaram a bater nas paredes, e nada escutaram. Pareciam que estavam na TV, um programa sem graça de uma família típica e, por isso, o dono do controle apertou o botão “Mudo”.

Quando conseguiram se acalmar por um instante, uma quinta figura apareceu entre eles. Ninguém o reconheceu, nem tinham como. Escondido em roupas pretas e uma máscara preta com círculos branco na frente, alguém que deveria ser um homem não muito alto, apontou uma pistola para eles. Não houve tempo para reagirem.

BANG! BANG! BANG!

Três disparos, quatro corpos. Um homem de preto e muitas personalidades.

Sem fazer qualquer barulho, o assassino saiu pela porta da frente. Ele esperava por ninguém, aliás, em um mundo com tantos fantasiados, não havia motivo para ele ser especialmente escolhido para ser suspeito de algo e, até onde sabia, havia feito nada demais até que se provasse o contrário.
vitu

_________________


help
Alguém consegue me ouvir? Claro que não, é uma mensagem de texto, mas eu a escrevo pensando, é difícil... Por favor, salve-me. Não sei por quanto tempo conseguirei me esconder daquela coisa... daquele monstro. Socorro!

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