Only ones who know

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Mensagem por Noir Dekker em Dom Jan 21, 2018 9:41 pm

Only ones who know
A roleplay é iniciada pelo post de Noir Dekker, seguindo por Serena Adamatti. Estando, portanto, FECHADA para os demais. Passando-se esta em 21/01, num BAR. O conteúdo é LIVRE. Atualmente, as postagens estão EM ANDAMENTO.



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Re: Only ones who know

Mensagem por Noir Dekker em Dom Jan 21, 2018 9:55 pm

Finalmente foi presenteado com um dia de folga. Não deu por conta própria, mesmo que quisesse em diversos momentos ao longo dos anos, mas amanheceu um dia pacífico. Pelo turno da manhã, pela primeira vez, não despertou com a saliva na língua, o que representava o pecado da gula consumindo-o. Por sua vez, no entanto, entendia-se que aquela - a gula - agia de maneira incomum nele; enquanto na maior porcentagem da população, ela possuía o humano através de uma vontade incessável por ingerir comidas e bebericar líquidos, a ele era o insaciável desejo de matar. Ou melhor, as mortes de seres serem vingadas. Essa era a vontade do espírito, que o habitava.

Como de conforme, desde que o sol estivesse pleno no céu, ocupava-se e ocupava as horas em seu trabalho. Isto é, prestando serviços ao hospital público de Nova Iorque. O irônico era que Noir vivia em constante dualidade: por um lado, depositava as forças para preservar a vida dos enfermos, já do outro, em subjugar a existência dos impuros. Já que não houvesse sequer um ato ilegal, o tempo resumiu-se a cuidar daqueles que já preenchiam as alas. Por não gostar de se manter parado por muito tempo, e, assim, fazer algo, passeava dentre os corredores gélidos. Centenas e mais centenas de portas foram abertas, seguido pelo o questionar "está tudo bem?". De fato, se importava com o bem-estar dos terceiros, transmitindo a empatia com a expressão facial.

No término do expediente, de frente à porta do estacionamento fechado do prédio, pôs-se a visualizar a atmosfera. O astro-rei cansou-se após 12h de irradiação e já começou o processo para deitar-se. A coberta era a coloração dos céus, alternando entre um laranja nítido e tons marinhos. Aos poucos, a escuridão intensificava-se e, ao mesmo tempo, os alvos pingos espalhavam-se no breu. Neutro. Tudo estava tão neutro, desde o odor da poluição industrial até a corrente de ar, que chacoalhavam as madeixas escuras de Dekker. Por essas horas, o costume era sentir um odor mais forte, além de atrativo, guiando-o para uma batalha. Contudo, nada existia.

O que fazer, então? Indagou-se. Com a elevação da perna direita, contornou o assento da moto o suficiente para depositá-la no outro lado da mesma. Assim, sentou-se. A conexão entre a chave e a ignição estabeleceu previamente, só obrigando-o a torcer. O ruído do rouco do motor, a primeiro instante, foi alto, mas nada que incomodasse. As mãos apoiaram-se ao guidão e deu, verdadeiramente, a partida. Sem um rumo pré-definido. A baixa transição de automóveis permitia-o facilmente desviá-los. Por cerca de 30min, cruzou algumas vielas da Staten Islands, as mais perigosas por sinal. Pelo o que incrível que pareça, crendo inicialmente de que havia uma falha em sua detecção sobrenatural, havia a paz.

Bom...

O jeito era tirar proveito das circunstâncias. O objetivo projetado mentalmente era o ócio e abusou do mesmo em um bar. A propósito, estar bar foi o cenário de uma briga, no qual Noir pôde assistir de tão perto, e sem fazer interferências senão gritar por "BRIGA, BRIGA, BRIGA, BRIGA". O cheiro de cachaça pobre ainda infestava o ambiente, nada de novo para a realidade de um estabelecimento de terceiro mundo. A passos lentos, o homem direcionou-se ao balcão. Encarou-se frente à frente com o espelho atrás de um gordo e careca, que trabalhava com o barman. — Uma cerveja. — Em um tom baixo, entretanto, o suficiente para que fosse ouvido, solicitou por uma bebida. Durante o tempo em que o copo era cheio, os perspicazes olhos do rapaz correram pelos metros interiores. Enfim, achou uma feição sutilmente familiar.

— Outro copo. — Assim que recebeu o copo, pediu por outro. Sem o segundo fosse depositado acima do balcão de madeira escura, tomou-o das mãos do mais velho. Tendo um recipiente em cada mão, o físico deslocava-se entre os bêbados para que chegasse à mesa mais ao canto, próximo da ligação das paredes. — É o que dizem. — Ao notar que ela estava perdida nos próprios pensamentos, elevou o timbre para buscar a atenção. Quando obteve, expôs um genuíno sorriso de canto, absorvido por persuasão. — A briga nunca acaba. — Insinuou-se com a fala a fim de que a fizesse reconhecer quem o moreno era: o único rapaz ao seu lado, no dia em que a de cabelos rosados cobrou o dinheiro a um qualquer. — Posso? — Depois de tocar a sola do copo no plano da mesa, com o olhar indicou a cadeira no outro lado.



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Re: Only ones who know

Mensagem por Serena Adamatti em Dom Fev 11, 2018 1:43 am





are you insane like me?





O cansaço impregnava-se ao corpo como uma segunda pele após o longo dia que tivera, dividindo espaço com a raiva crescente aparentemente injustificada. Sufocava, de certo modo. Serena havia chegado em casa apenas alguns minutos antes, e a câmera, por alguma razão, ainda estava pendurada em volta do pescoço dela, esquecida momentaneamente, como se já fosse uma parte de seu corpo infectado. Às vezes, achava que era; ela mal conseguia se lembrar de um momento em que o objeto não estivesse ao alcance de suas mãos ágeis.

No momento, os membros detinham uma finalidade diferente, no entanto. As pontas dos dedos tocavam as têmporas, massageando. Mas ela não sentiu nenhum alívio real. Em seu íntimo, sabia do que precisava — o que realmente promoveria uma mudança positiva em seu humor — mas a incerteza sobre o ato em si pairava sobre sua cabeça como uma nuvem negra e desagradável; seus olhos haviam contemplado tantos, tantos viciados durante seu crescimento que a possibilidade de se tornar um ainda lhe parecia simplesmente inaceitável. Ao mesmo tempo, o simples ato de afastar-se das práticas que moldavam o vício provava-se ser uma tarefa igualmente impossível, e ela sabia que estava lutando uma batalha perdida. Maldito vírus.
Antes que a consciência pudesse pará-la, Serena pousou a câmera sobre a mesa e bateu a porta atrás de si quando deixou o pequeno apartamento mais uma vez.

O táxi foi estranhamente rápido. Começo a pensar que o bar é como um imã e ela, o metal — quase que literalmente, parando para refletir, tendo em vista que parte do corpo (vulgo braço e olho esquerdos) da italiana deu lugar ao material metálico que quase consumiu-a por inteiro alguns anos antes. Imã e metal. É uma comparação bastante justa a se fazer, atrevo-me a dizer, uma vez que aquela era a terceira vez na semana que Serena encontrava-se como ocupante da mesa do canto da espelunca conhecida como O Holandês Voador, um barzinho de frequentadores duvidosos. Estava ela mesma no processo de se tornar um deles, curiosamente. Oras, aquela mesa poderia muito bem ter seu nome nela, tantas eram as vezes em que fizera uso do móvel. Àquela altura, tal como o hábito pedia, o membro destro envolvia com cuidado o objeto vítreo sobre a mesa, levando-o aos lábios de tempos em tempos conforme saboreava o alívio promovido por tal ato. Estava começando a sentir uma tontura leve. Sorvia o líquido ali contido com estranha tranquilidade e, ao terminar, o erguer de dois dedos anunciava o desejo por mais um copo. E outro, e outro e outro.

Com a ponta dos dedos, colocou de volta ao seu lugar uma madeixa castanha rebelde, concedendo um maior campo de visão a si mesma, coisa de muito valor em um lugar como aquele. Era um estabelecimento decadente, sem dúvida, mas servia bem. A atração ao lugar acentuada pela abstinência do álcool era irresistível demais àquele ponto, sobrepujando as inúmeras promessas de não render-se à nenhum tipo de vício que Nova Iorque pudesse oferecer a uma jovem adulta vivendo sozinha. Assim sendo, era vista ali com crescente — e preocupante — frequência.

Podia sentir os efeitos já não tão sutis do álcool que consumira, mas a alteração promovida pela substância no sistema era mais que bem-vinda; era necessária. Serena encontrava-se em constante estado de estresse — não a irritação comum enfrentada por grande parte da humanidade devido aos problemas do dia a dia, não, não. Muito além disto. Este era ocasionado, sobretudo, pela atenção especial exigida pelo vírus tecnorgânico, que impossibilitava o uso de boa parte de seus poderes em tempo integral. "Impossibilitar" não era bem o termo...absorver, talvez, seria mais apropriado. Era como um parasita permanente, simples assim. O braço e o olho esquerdos, que as capacidades mentais permitiam manter escondidos de vistas curiosas, eram lembretes dolorosos do que ocorreria caso parasse de reprimir os avanços do vírus, ainda que momentaneamente. E diante da irritação direcionada ao universo perante a própria impotência, encontrava duas formas de alívio imediato: beber, ou brigar. Mas o que estava se tornando em razão de tais práticas?

Nada, era o que dizia a si mesma. Ainda era apenas ela; uma garota de gênio difícil com problemas demais e controle de menos tentando se fazer encaixar o universo nova-iorquino. Não se daria ao luxo de um auto julgamento àquela altura, não depois de ter finalmente encontrado um tipo tênue de equilíbrio naquele modo de viver. Ela merecia. Merecia o direito a uma vida normal. Merecia um desconto pelo abuso do álcool e a presença nas lutas clandestinas. Afinal, o que mais ela tinha?

O copo ficou vazio; ela nem percebeu que estava bebendo enquanto refletia a confusão da própria vida, mas ali estava a prova. O barman estava de costas para ela, deliberadamente passando um pano em um copo ao longe, e ela não encontrou em si a vontade para andar até ele. Xingou. Ficou olhando para o copo vazio, então, desejando que ele se enchesse novamente — o que, é claro, não aconteceu; Serena era telepática e telecinética, mas não era nenhum deus.

Quando ela viu o rapaz, mais especificamente os dois copos que ele tinha em mãos, pensou que poderia chorar de satisfação. Ela o conhecia; tinha certeza que conhecia, a mente registrou em algum lugar, mas estava embriagada demais para se obrigar a lembrar no momento, e a promessa de álcool que ele trazia a estava distraindo. Ela desviou os olhos do copo que ele pousou na mesa para seu rosto, e notou, resignada, que os olhos eram azuis.

Você é um anjo? A pergunta se devia inteiramente ao fato de ele ter-lhe garantido o que ela mais desejava no momento, mas ela não tinha certeza se tinha dito em voz alta. Apesar de não se importar, achava que sim; a confirmação veio pelo comentário alheio em seguida, e ela agarrou o copo conforme gesticulava para que ele se sentasse, um movimento calmo. É o que dizem. Era cerveja. Ela gostava mesmo era de uísque, mas a cerveja produziria o mesmo efeito.

Ela ponderou as palavras seguintes do outro com uma perplexidade interior muito bem disfarçada; a briga nunca acaba. Com aquilo ela poderia expressar concordância: a briga nunca acabava. Mas ficou tensa diante da hipótese de que o outro saberia de sua participação nas lutas clandestinas da cidade. Ninguém sabia; ela cuidava muito bem disso. Todavia, ele tinha olhos inteligentes, percebeu, e parecia referir-se a alguma outra coisa. Ela tomou um gole generoso antes de tornar a falar, dosando as palavras com cautela, oculta por um sorriso fácil.

— Conheço você — Serena gabava-se da capacidade incomum de soar inalterada mesmo estando bêbada; o que parecia incapaz de ocultar, no entanto, era o sotaque, que ficou bem evidente na voz. Disse a verdade. Tinha uma lembrança vaga de uma briga particularmente feia, um hospital, e um enfermeiro, mas as coisas pareciam flutuar na mente dela sem uma ordem certa, sem sentido, e não queria se forçar a lembrar. Talvez o outro lhe fizesse o favor.



been in pain like me?


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can you feel... can you feel my heart?

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Re: Only ones who know

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