Projeto Zumbi-S

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Projeto Zumbi-S

Mensagem por Rorschach em Seg Fev 12, 2018 1:18 am

Projeto Zumbi-S

POUCO SE SABE como funciona a comunicação entre as plantas. Troca de nutrientes específicos com apoio de fungos no solo, liberação de odores nas folhas, mudança em sua coloração e muito mais meios que a espécie humana ainda não compreende o que significa. Apesar de tudo isso, consideram o reino vegetal como algo de pouca importância além da providência de oxigênio e a essencial participação da cadeia alimentar. Além do mais, não haveria bacon sem gado, e nada de gado sem grama — por enquanto.

Fazendo parte do Verde, Nikolai acaba sendo afetado pelo humor das plantas. Não que elas se sintam tristes ou tenham momentos de raiva como o homem, e sim, de forma direta, sobre a situação mais importante delas. Hera Venenosa sentia a ameaça às suas protegidas, todas da cidade. Algo de muito errado estava prestes a destruir a balança do ecossistema de uma maneira muito superior às empresas, quase alcançando o nível de um desastre natural.

Curiosos e nem um pouco preocupados com o imoral, cientistas americanos produziram uma combinação de dois problemas em uma só cobaia. Aplicaram um tipo de vírus zumbi a uma pobre mulher ao mesmo tempo que a uniam com uma amostra de simbionte. Imaginavam que aquilo os concederia um Nobel e os marcaria na história da humanidade; todavia, apenas encerrou suas vidas.

A zumbi simbionte escapou e começou a destruir, consumir e assimilar toda forma de vida que encontrava. Espalhando-se como em um filme de terror clichê, embora as autoridades não tenham notado. O alvo principal da cobaia fugitiva não era uma prioridade, além do mais, eram apenas plantas. Em dado momento, a zumbi se fixou a uma árvore e fez dela sua armadura viva no centro de seu reino de plantas carnívoras gigantes.

Quanto tempo levaria para os fungos serem infectados e assim se espalharem por todo o estado? O Verde sabia que não muito.


  1. A cobaia possui todos os poderes de um simbionte comum mais o vírus zumbi que a permite sobreviver a ferimentos letais (exceto cérebro), ausência da necessidade de respirar e água, capacidade de infectar através da mordida e sangue.
  2. Se a cobaia for morta, suas “proles” também morrem no processo.
  3. Ela infectou quase uma floresta inteira, alguns animais e todos os cientistas do projeto, cerca de vinte.
  4. Escolha o lugar no mundo onde fica essa floresta, basta que seja possível de Nikolai ir até lá.
  5. Se suas plantas controladas por você forem mordidas pela cobaia ou suas proles, as mesmas também serão infectadas. Isso também vale para você, ou seja, evite isso se quiser permanecer no controle de seu personagem.
  6. Dependendo do seu empenho na missão, esporos com o vírus serão ou não espalhados pelo globo. O destino do Verde está em suas mãos.
  7. Prazo de quinze dias para postar em sua missão, ou acabará sofrendo consequência irreversíveis. Apesar disso, não tenha pressa, ou sofrerá ainda mais caso não faça um bom texto.
  8. Mínimo de três mil palavras.
  9. Imagem para inspiração.







Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Projeto Zumbi-S

Mensagem por Nikolai Petrov em Sab Fev 17, 2018 9:55 am




Green

always win



Nikolai deitou-se no gramado espesso e confortável de seu jardim, criado com a ajuda de seus poderes para que seus “filhos e filhas”, nomenclatura carinhosa que Hera dera às plantas, pudessem crescer com rapidez e florescessem sem quaisquer problemas. Sem vestir qualquer roupa, o moreno deixava sua pele bege dar lugar ao verde tom de floresta enquanto absorvia os nutrientes solares requeridos por sua fisiologia diferente, um óculo escuro protegia sua visão dos raios ultravioletas enquanto seus compridos fios ruivos estavam amarrados num coque simples, suas pernas abertas e o corpo em contato constante com a natureza criada no quintal de sua residência. Os fones em seus ouvidos tocavam Linger, do The Cranberries, enquanto ele relaxava, respirando do ar puro do início do dia. Foi então que, estranhamente, o coração do ruivo foi apertado e ele retirou o óculo, vendo que uma de suas plantas apodrecia, seu verde primoroso escurecendo em velocidade recorde e desfazendo-se como papel queimado.

Com os lábios entreabertos em surpresa, Hera tocou na folha, sentindo uma ardência em seus dedos, como se houvesse tocado num fio desencapado ou mergulhado no oceano ártico. Estreitando o cenho, o híbrido umedeceu os lábios e respirou de forma descompassada, sentindo no âmago de sua alma uma estranha sensação. Parecia que algo ruim estava prestes a acontecer, como se todas as plantas estivessem com sua estrutura básica em polvorosa, antevendo algo de muito errado no ecossistema do mundo, e o próprio Verde parecia clamar por ajuda na língua apenas as suas criaturas conseguiam ouvir – e Nikolai estava nesta parca lista. Sabendo o que deveria fazer, o ruivo saiu dali e vestiu seu robe, abrindo seu computador e pesquisando incessantemente pelos sites de pesquisa sobre problemas envolvendo o desmatamento ou a queimada de florestas, mas não havia nada tão grandioso quanto a urgência que as suas amadas plantas lhe passavam.

“Preciso resolver isso com as minhas próprias mãos”, falou para si mesmo Hera ao fechar as abas de pesquisa, abrindo uma nova e procurando pelos sites de sobre empresas ativamente envolvidas na manipulação do DNA vegetal, experiências genéticas e afins, tentando encontrar alguma que chamasse a sua atenção. Foi então que ela por fim apareceu, Tagruato, uma empresa fundada em 1945 por Kantaru Tagruato e que hoje em dia é liderada por Ganu Yoshida, que recentemente havia inaugurado uma subsidiária das empresas Tagruato em Londres, sendo tal subsidiária a responsável por inovações nos campos das experiências genéticas como forma de descobrir a cura para diversos males que apetecem a humanidade. Segundo muitos, era um motivo de celebração; para outros, ruim para o Verde, que era a principal vítima das intensas pesquisas, além, claro, das já conhecidas perfurações da Tagruato no solo do oceano. Com seus olhos esverdeados fixos no site oficial da empresa que congratulava a criação do laboratório que ficava bem próximo a floresta conhecida como Epping Forest.

Só podia ser aquilo! Paralelamente, Nikolai dedilhou algumas poucas vezes e utilizou de sua perspicácia inerente à sua personalidade e foi então que encontrou: alguns sites menores de publicações simples e locais de Londres falavam sobre o surgimento de animais mortos pela floresta nos últimos dias, assim como algumas plantas aparentemente queimadas, mas nada muito grave para ser noticiado em cadeia nacional ou que se espalhasse para fora do país. Apesar do pouco burburinho quanto a empresa e aos estranhos, porém pequenos acontecimentos ao redor do novo laboratório, Petrov tinha certeza de que aquela empresa era a responsável pela sua intuição aguçada e a agitação das plantas. Seu poder não podia se estender até a floresta em si, por conta disto ele teria de cuidar daquele problema com as suas próprias mãos, indo até o local – a floresta – e acabando com a festinha daqueles cientistas malucos.

A ação seguinte de Nikolai foi pegar sua mala e colocar suas roupas, ligando enquanto isso para a companhia área e agendando o próximo voo para Londres. Sua voz era calma, tranquila, o ruivo buscava não passar emergência nem agendar um voo urgente, afinal qualquer descuido e ele poderia estampar a face nos jornais como o “Bin Laden do Verde”. Terminando de reunir suas roupas, ele decidiu dar uma rápida passada em seu jardim antes de ir embora. Com os olhos arregalados e soltando as duas malas das mãos, Hera não conteve um baixo suspiro de temor ao ver diante de si todo o seu jardim completamente morto, as folhagens enegrecidas como que queimadas e o gramado cinzento, desprovido de vida.

— Irei eu mesmo cuidar deste problema, isso eu prometo aos meus filhos. — Assentiu com veemência o ruivo antes de pegar suas malas e sair a passos firmes para fora dali.




A viagem fora tranquila, exceto pelo voo cansativo e das duas turbulências. Assim que chegou a Londres, imediatamente Nikolai reservou um quarto no hotel e tratou de comprar um ingresso para uma viagem típica de turistas com direito a guia. Ele iria, claro, mas desviaria da rota quando fosse necessário para chegar até o laboratório na floresta. Meticuloso, Petrov revisava durante todo o voo e enquanto ia ao hotel como seriam os seus passos, como destruiria a empresa de dentro para fora e como cuidaria do que quer que houvesse lá dentro e que estava dando problemas no Verde. Enquanto trocava de roupas após um longo banho, fitava o papel com o local e hora exatos para que começasse o tour. “Breve”, dizia ele para si mesmo, “breve irei pôr um fim nisso tudo”, completava ele com os olhos fixos. Pondo calça jeans, uma camisa preta de poliéster, boa para movimentos físicos e para o calor, e, por fim, tênis, o ruivo se via pronto para o que viria. Como complemento, ele pegou uma mochila com água e frutas.

Só por garantia, ele decidiu que levaria uma arma, e a forma como ele conseguiria seria bem prática. Saindo do hotel, avistou dois policiais bastante atraentes e bem posicionados – como era comum aos britânicos –, sérios. Aproximando-se, Nikolai abriu um sorriso galante para ambos.

— Eu acho que estou perdido, sabe para onde fica o Big Ben? — Perguntou o ruivo com uma atuação digna de Oscar. Os dois policiais se entreolharam e, assim que se viraram para ditar a posição, discretamente Petrov puxou a manga da camisa e deixou o pulso esquerdo à vista, cuja derme se entreabrira e dela saiu uma pequena flor semelhante a um lótus, que secretara um perfume de inigualável poder. Sob o efeito da droga, os dois automaticamente se viram enfeitiçados pelo odor da plantinha. — Ponham as suas armas dentro da minha mochila, agora! — Ordenou o ruivo e, assim que o fizeram, ele fechou a mochila e sorriu para ambos, piscando o olho. — Obrigado.




Dirigindo-se para longe da entrada do hotel, o ruivo seguiu seu caminho até ao parque Hyde, onde lá já havia um grupo de turistas babacas tirando fotos, somente à espera da partida do ônibus vermelho de dois andares exclusivo para as visitações por toda a cidade. Sem mais delongas, Nikolai pegou uma maça de sua mochila – escondendo no fundo dela as duas armas – e então foi junto com o grupo, perfeitamente encaixado entre eles – apesar dos fios ruivos e beleza serem bastante chamativos. Por horas, o passeio se conteve a locais mais famosos e no centro de Londres, somente para depois se encaminhar para o bosque e floresta conhecido como Epping. Até lá, Hera já estava mais que irritado, apesar de disfarçar muito bem e decidir tirar algumas fotos para se enturmar e fingir ser só mais um turista.

— Estamos chegando agora a floresta Epping, pessoal, podem descer, iremos agora comer um pouco numa pousada próxima daqui — fala o guia turístico, descendo do primeiro jipe no qual o grupo estava e então foi na frente, indo a uma pousada grande e bela, parecendo bastante abastada e pronta para alimentar o pequeno grupo de aproximadamente trinta turistas. Nikolai, já olhando para a copa das árvores à sua esquerda, já criava planos para poder se dirigir até o laboratório discreto e bem escondido na floresta, longe de tudo e todos – onde provavelmente eram feitos testes desumanos e terríveis.

Descendo do primeiro jipe da fileira, Nikolai automaticamente já foi pondo sua mochila nas costas e se dirigiu pela comprida campina de vegetação erma. Haviam algumas frutas, barras de cereais e as duas armas pegas pelos policiais mais cedo, já que provavelmente Nikolai teria de enfrentar seguranças armados. As árvores pareciam fracas, de alguma forma, suas energias vitais pareciam fora de sintonia e o ruivo até mesmo podia sentir por todo o seu corpo um calor infernal oriundo de sua empatia com as plantas, além de sons de sucção, ruídos de estalos – como se fosse algo de madeira sendo partido – e outras coisas nojentas, parecendo tecido molhado sendo espremido. Com o nariz franzido pelo forte odor, a cada passo firme do protetor do Verde ele se via indo para cada vez mais perto de onde vinham aqueles sons bizarros.

À medida que ia se aproximando, percebia que o verde primoroso ia arrefecendo sua tonalidade, tornando-se um cinza devastador e sem vida. Ainda podia sentir as raízes e as plantas lhe obedecendo, apesar de estarem fracas demais para ouvi-lo e obedecê-lo com todo o empenho. Pela primeira vez, Nikolai se sentiu acuado dentro de seu próprio território, sem conseguir pleno controle de suas amadas plantas e, como forma de conseguir bons soldados, Petrov decidiu ir até os turistas. Retornando o caminho com passos rápidos, assim que surgiu na extensa campina, o guia turístico acenara, chamando-o meio elétrico, parecendo preocupado.

— Você está doido? Não pode desviar da rota, a floresta é muito extensa e pode... — enquanto falava, o guia fora distraído pelo súbito beijo do ruivo, que segurava com seus dedos firmemente a derme do outro, impossibilitando-o de negar o ato. À medida que o beijo evoluía, mais feromônios eram liberados por Hera Venenosa, deixando o guia turístico de pele branca, cabelos loiros e grossa barba por fazer, completamente absorto no papel que iria desempenhar.

— Traga os turistas para cá, quero que traga todos eles e os coloque em fila! — Ordenou Hera e apontou com o queixo para a pousada na qual todos comiam. Obedecendo-lhe fielmente, o homem saiu e gritou para que todos o seguissem, que era importante. Imediatamente, todos o seguiram e vieram até onde Nikolai estava os esperando, de braços cruzados, a seus pés o gramado crescia exponencialmente e pequenas raízes silvestres saíam do solo, flores de um forte pigmento roxo se abriam, secretando uma espécie de pó amarelado que deixavam todos ali à mercê dos feromônios de Petrov, de forma que eles apenas não se abriam com mais facilidade a seus comandos, como ficavam viciados no ruivo. — Venham comigo, você, guia, fique ao meu lado, você é forte. — Mandou Nikolai enquanto se virava para encarar a imensidão de floresta que ele e seus fantoches teriam de cobrir.

Todos iam quietos, andando com cautela e se espalhando enquanto iam procurando pelo o que quer que fosse o responsável pela morte precoce de plantas e árvores naquela floresta. Ninguém parecia se ater àquilo, bem debaixo de seus narizes, como já era típico dos seres humanos – machucar a natureza e só perceber o efeito negativo depois dela se revoltar e gritar por ajuda, destruindo tudo em seu caminho. Enquanto iam seguindo o caminho de plantas mortas, Nikolai por fim se viu diante de um laboratório. Tratava-se de uma instalação de concreto com muros feitos de arame farpado com cercas elétricas. Estranhamente, tudo estava desativado, sem nenhuma luz ligada e com os altos postes de luzes fluorescentes desligados. Havia um pequeno incêndio do lado leste, onde o local parecia ter sido destruído por algo bastante forte. Decidido a invadir o local e obter informações, Petrov abriu suas mãos na altura de seus cotovelos, e então concentrou-se, fazendo pequenas raízes de coloração marrom saírem de suas palmas, enroscando-se umas nas outras, agarrando o portão – todo retorcido e amassado, impossível de alguém passar pelo mesmo – e então o revirando, abrindo passagem.

Assim que se viu livre, adentrou o local, seus olhos atentos quanto a todo mundo ali que o seguiam. Podiam ser trinta pessoas mais o guia turístico, mas, caso várias morressem ali, as chances de Hera vencer seja lá a monstruosidade concebida naquele lugar diminuiriam drasticamente. A porta de entrada, uma pesada porta de aço, estava no chão, o corredor tinha bastante sangue espalhado pela parede e até mesmo o teto, provando que seja lá o que tivesse nascido naquele laboratório era bastante forte, além de ter um apetite voraz por morte. Chegando a uma ampla sala cheia de controles, Nikolai foi até o computador principal e acessou as câmeras com poucas dedilhadas, vendo que na parte direita do prédio – onde ficavam as pesquisas e experimentos – havia câmera nenhuma funcionando. “Bem, só pode ser por aqui”, pensou consigo mesmo o ruivo, com o queixo dando a ordem para que todos ali o acompanhassem.

— Peguem o que puderem usar como armas, fiquem atentos e não façam barulho! — Gritou o ruivo, indo na frente e retirando de sua mochila uma das armas, olhando rapidamente o cartucho e vendo que tinha doze balas no revólver.

Avançando pelo extenso corredor, não havia muita iluminação, de forma que as poucas luzes que funcionavam piscavam como se fosse Natal, o que não ajudava nem um pouco a situação tensa. As mãos do ruivo suavam à medida que ele ia se aproximando cada vez mais do centro de pesquisas. Atrás de si, trinta e uma pessoas, algumas segurando pedaços de barras de aço, outros porventura acharam os machados emergenciais, enquanto grande maioria nada tinha em mãos. Nervoso, Nikolai estreitou os olhos assim que chegou ao salão de pesquisas. Era uma sala redonda com computadores de última geração, uma espécie de câmara com luzes amarelas onde cabiam uma pessoa e uma espécie de motor ou gerador completamente destruído ao canto. Petrov odiava laboratórios, de fato, eles lembravam seus últimos momentos de vida quando fora descoberto por seu chefe e, após sofrer nas mãos deste, acabara por ser lançado num tonel de plantas radioativas.

Enquanto analisava fixamente a câmara, cujo líquido negro escorria em abundância, por fim a distração de Hera é cessada com um som alto acima de sua cabeça. Todos olham para cima, e eis que o teto cede e um homem cai no chão, seu jaleco rasgado e sujo de líquido escarlate e com a pele coberta por uma tintura negra, parecia senciente e movia-se, sua boca parecia a de um tubarão e sua língua era gigantesca. Suas garras sem nenhuma dificuldade dilaceraram um dos turistas que estava mais próximo do monstrengo, que emitia um rugido amedrontador e, enchidos de coragem, dois dos homens avançaram. O primeiro enfiou seu machado no ombro da criatura, cuja reação foi completamente nula, o segundo bateu insistentemente no peito do homem e, avaliando o seu oponente à distância, Nikolai focou em sua cabeça, apontando-lhe o revólver, disparando. Assim que levou o tiro, ele caiu para trás.

— Quando os atacarem, mirem na cabeça! — Gritou Nikolai, indo na direção do corredor pelo qual viera, mas, assim que o fizera, viu mais das criaturas vindo correndo. — Fechem as portas! — E, depressa, o ruivo pegou um dos pedaços de cano que um dos turistas havia pego e então passou a bater com força na câmara de onde havia o líquido responsável pela fusão. Ele não era como o líquido que parecia cobrir e infectar o cientista que ele acabara de matar, porém, tinha uma vantagem: era inflamável.

A segunda porta, arrombada e que sem sombra de dúvidas era o local pelo qual o monstro havia escapado, estava livre de monstros infectados, então foi por lá que o grupo foi e, esperando pacientemente da porta os doutores infectados passarem pela outra porta fechada pelo seu grupo de fantoches, Nikolai sorriu de canto e jogou o cigarro aceso – pego de um dos turistas – no líquido, ateando fogo imediatamente ao local e então correndo para onde seu grupo o esperava. E, a cada passo de Nikolai, ele podia sentir os bichos irritados o perseguindo, mesmo com seus corpos em chamas, porém bem mais lentos e debilitados. Em determinado ponto, eles caíram mortos no chão e deixaram de segui-lo, e foi aí que Hera parou e foi até seu grupo, esperando-o próximo da zona leste, onde havia o incêndio.

— Algum sinal do monstro? — Perguntou Petrov com o corpo repleto de suor, pegando uma maça e mordendo-a com fome. Todos no grupo acenaram negativamente. Dali de onde estavam era possível avistar o andar de baixo, onde o fogo a tudo consumia, inclusive vários dos doutores e alguns seguranças, que inquietos ficavam se movimentando, tentando sair das chamas, apesar da maioria estar presa nos canos.

— O que faremos? — Perguntou o guia turístico, fitando Nikolai com real preocupação. — Deveríamos chamar mais pessoas, quem sabe a polícia e...

— Não! — Respondeu Nikolai imediatamente. — Esse vírus possui as pessoas e está matando toda a floresta, até eles chegarem a esse laboratório todos já estariam infectados. Somos apenas nós. — Retrucou Hera, deixando ele e todos os outros calados. “Eles estão um pouco mais controlados sobre seus próprios corpos e vontades, acho que preciso dar mais feromônios para eles”, pensou consigo mesmo o ruivo ao aceitar uma garrafinha de água de uma idosa. “Todos eles vão morrer, infelizmente”, falava consigo mesmo o ruivo, observando cada um ali esperando ordens. Sem mais delongas, Nik limpou o suor da testa e foi para longe dali, indo por um corredor e descendo as escadas rumo à floresta, onde ali a mata estava ainda mais morta e, o pior, infectada.

Tomando coragem, Nikolai foi na frente, utilizando as plantas criadas em seu próprio corpo para amassar e criar uma passagem pelo muro de arames e então adentrar a floresta, onde todas as plantas misteriosamente estavam mortas ou então deformadas, como por exemplo a flor com tentáculos que arrancou a mão de um dos fantoches, deixando-o sangrando até a morte. Foi uma cena grotesca, ver uma pessoa agonizando até a morte, mas nada o meta-humano pôde fazer além de acabar com o sofrimento do pobre coitado, secretando uma toxina que aliviou suas dores e o matou instantaneamente. A maioria deles estavam com medo, o efeito aprazível dos feromônios indo embora, mas, assim que secretou mais de seu veneno sedutor, automaticamente todos lhe obedeceram mais uma vez, se tornando mais obstinados a seguirem seu chefe rumo à morte certeira.

Com passos cautelosos e a atenção redobrada naquela região, eis que todos ouvem um barulho nos galhos. Atentos, alguns utilizaram seus celulares como lanternas, procurando pela origem do som. Até que, subitamente, Nikolai é surpreendido quando um dos cientistas pula de um galho alto e cai com os pés em seu peitoral, fazendo seu corpo se chocar com força no chão. Atordoado, como defesa raízes saíram por todo o antebraço do ruivo, de forma que os dentes mordiam ferozmente as raízes e não o próprio corpo do meta-humano, sendo assim veneno algum chegava à corrente sanguínea de Hera. Com o pé direito no estômago do bicho e as mãos segurando as do doutor infectado, finalmente seu intento é alcançado e o homem é jogado para trás, caindo no chão e levando várias machadadas na cabeça de um de seus fantoches, caindo morto. Fitando-o, Nikolai rapidamente olha ao seu redor, em busca de qualquer criatura, mas sem encontrar nenhuma. Com a arma agora em mãos, o ruivo prossegue com o caminho, acompanhado dos sobreviventes daquele verdadeiro pesadelo. Por óbvias razões, Petrov se sentia dentro de um game, de preferência Resident Evil, com todo aquele clima de “fuja dos zumbis”.

— Fiquem atentos, mais deles podem vir! — Vociferou irritado o ruivo enquanto amarrava seus fios compridos em um alto coque improvisado e tentava controlar melhor a sua respiração. Virando-se para a direção pela qual ia, Hera Venenosa ia percebendo que o caminho iria piorar à medida que se aproximasse da cobaia principal daquele projeto falho.

Nikolai entendia bem sobre experimentos que envolviam genética, afinal a empresa para a qual trabalhara no passado havia pego soldados e utilizado uma rara planta mesclada a um vírus como forma de criar um soro para criar o soldado perfeito. Isso havia custado a vida de Petrov, fazendo-o ser morto e atirado num tonel enorme com o composto, ressuscitando com seus poderes sobre as plantas. Agora, o meta-humano não iria recuar nem um único segundo para cumprir o seu objetivo de exterminar os cientistas que se achavam no direito de fazer experimentos com quem bem quisessem, violando leis e invadindo a vida e o corpo de seres humanos, além de poluir o verde – típico destas empresas. Ainda com onze balas e na sua primeira arma, o ruivo voltou-se para seus fantoches e então assentiu, indo na frente.

Seus passos mal faziam barulho, afinal grande parte da vegetação havia morrido ou então se comportava de forma anormal, precisando que Nikolai literalmente criasse raízes de seu corpo e brigasse com a outra planta, cortando-a em inúmeros pedaços de gosma negra ou então afastando-a do caminho. À medida que ia avançando, parecia que ele não iria encontrar nada. Nenhum grito gutural, rugido ou rosnado de zumbi, tudo parecia ermo demais, sem nenhum vestígio de criatura desumana e violenta criada em laboratório. Foi então que, ao virar-se para trás, o russo viu rapidamente; um dos últimos do grupo ser puxado por uma espécie de gosma nojenta e negra, que o puxou para a mata fechada. Em seguida, outro, depois mais outro. Com sua arma erguida, logo o ruivo tratava de mirar na mata fechada à sua direita, buscando atingir o monstro, até que ele finalmente se revela.

Em hipótese alguma, Nikolai estava pronto para se deparar com aquela mulher. Tinha cabelos dourados, apesar destes estarem sendo cobertos pela matéria negra e viva que se alastrava por todo o seu corpo, deixando-a com uma enorme boca capaz de engolir uma cabeça humana sem problema algum. Como se isso não fosse suficiente, dois doutores infectados estavam logo acima da mulher, nos galhos, com suas línguas enormes e vermelhas babando em excitação da caçada e, assim que pularam, automaticamente o pequeno grupo de Petrov passou a atirar pedras, dando passos à frente de forma corajosa, apesar do ataque brutal dos homens. Um pouco mais afastado do bando de humanos suicidas – graças aos poderes de Hera Venenosa que os incitou a serem leais –, o russo de fios capilares ruivos mirava e atirava na mulher que, de todas as formas, buscava anular as balas, criando matéria do nada com seu líquido negro e, antes que pudesse perceber, o seu pé direito era pego por um pedaço daquela substância e, como reação automática, inúmeros espinhos e raízes cobertas por veneno cresceram em sua perna, afastando o que quer que fosse aquela substância negra e tóxica.

“Bem, pelo menos minha pele não está ardendo e ele não tem dentes, provavelmente a infecção é pela mordida das proles da mulher!”, falava para si mesmo o ruivo, fazendo cálculos mentais sobre como se aproximar da mulher sem se infectar. Fechando um dos olhos, o russo recuou vários passos e mirou um pouco melhor, atingindo um tiro no ombro da mulher que, surpreendentemente, possuía como brinde regeneração, seu ferimento ia se fechando a velocidade recorde. Enquanto isso, vários fantoches de Nikolai eram massacrados e até mesmo comidos pelos dois cientistas dominados pela substância oriunda do corpo da mulher. Eram poucos os que estavam sobrevivendo, mas, ainda leais e com o efeito dos feromônios de Petrov em seus organismos, eles mesmo feridos tomavam a frente, protegendo-o e ganhando tempo para que ele enfrentasse sozinho a sua oponente.

Correndo com empenho em alcança-lo, a mulher fechou uma das mãos em punho, cujo tamanho variava de acordo com a coisa feia que cobria a sua pele. Com os braços estendidos e mãos fechadas em punho, Nikolai concentrou-se e logo sua pele tornava-se completamente verde, pequenas vegetações – ou seriam pelos? – cresciam por seu peitoral e braços e raízes cobertas por espinhos venenosos alongavam-se e perfuravam diversas partes do corpo da mulher e, com um grito de esforço, o meta-humano criava ainda mais raízes de seu corpo, ao ponto de erguer a mulher do chão. Ela se agitava, o cenho franzido e os músculos e mãos crispadas comprovavam o esforço gigantesco e quase titânico que o outro aplicava à sua tarefa de deixa-la ali soerguida no ar só com as suas raízes.

— Rápido, atirem nela! Mirem na cabeça! — Gritou o ruivo, sendo obedecido por um dos turistas que alcançou sua mochila e retirou a segunda arma, atirando diversas na direção da mulher infectada que, justamente pela agitação, parecia desviar de todas as balas. Na última, uma destas entrou pela boca da mulher, que cuspia seu líquido negro e agitava-se ainda mais, fazendo com que as raízes não fossem fortes o suficiente para mantê-la erguida. No solo, ela buscava chegar mais perto de Petrov que, com os dentes cerrados e punhos fechados, criava ainda mais raízes, perfurando como um louco a mulher por completo.

À sua esquerda, seu grupo terminava de abater o segundo monstro, e então avançavam contra a mulher, segurando-lhe os braços, apesar dela morder a maioria deles e até mesmo arrancar a cabeça de alguns e os braços de outros, tamanha a sua força. Soltando o ar de seus pulmões, Nikolai criou uma última raiz que, em seu caminho certeiro, atravessou a cabeça da mulher, sua estrutura engrossando à medida que sua cabeça era literalmente partida em diversos pedacinhos, imediatamente os turistas infectados que se debatiam no chão não mais se moviam, os que a seguravam também caíam ao chão, desprovidos de vida. Pegando as duas armas e guardando-as na mochila, o ruivo fechou e abriu várias as suas mãos, concentrando-se e revivendo o máximo que podia do Verde perdido ao seu redor, fazendo florescer novamente as flores silvestres, a grama e a relva dali, assim como as folhas das árvores, fazendo tal ação por todo o seu caminho até chegar à campina que dava para a pousada onde todos os turistas deveriam ter permanecido.

Não havia ninguém ali, apenas os jipes. Pegando um deles e fazendo ligação direta, o ruivo se encaminhou para a cidade e, largando-o num canto qualquer, voltou para o hotel, onde lá ligou para o aeroporto agendando um voo para Nova Iorque assim que possível. Ainda tirando terra e cheiro de cinzas e mortos de seu cabelo, Nikolai se perguntava se era mesmo legitimado tudo o que ele havia feito. Ele literalmente havia salvado o mundo, certo? Aquele vírus, seja lá qual fosse a origem dele, infectava tudo e todos, seja planta ou homem e, caso ele se alastrasse, o mundo inteiro pereceria diante daquele contágio. Ele havia feito uma boa ação, apesar da morte de dezenas de pessoas – incluindo os vinte cientistas, trinta e um turistas e a mulher; cinquenta e duas pessoas. Ao pensar no Verde sendo destruído e dominado por aquele vírus, automaticamente o coração do ruivo se acalmou: ele havia feito a coisa certa.

O Verde era o importante, acima de tudo e todos.


INFO CLOTHES AND TAGS  



Informações:
Raça: Reencarnado
Personagem: Hera Venenosa (DC Comics)
Vitalidade: 175/400
Nível: 18
Velocidade: 200m/s
Percepção: 300m/s
Perícias:
- Farmácia, nível pedagogo
- Corpo a corpo (krav maga), nível pedagogo
- Lábia, nível calouro
Especialização: Carismático

Atributos:
Força: 20
Inteligência: 30
Resistência: 20
Agilidade: 20
Vigor: 40
Carisma: 25

Poderes:
i. Fitogênese: é o poder de criar plantas, seja do solo ou de seu próprio corpo. Hera consegue com tal poder criar plantas, flores e sementes diretamente de seu corpo, podendo acelerar seu crescimento com os seus poderes assim que tais sementes e plantas tocam o solo. Em ambientes de concreto, ferro e outros locais sem terra para o crescimento de suas plantas, Hera consegue criá-las a partir de seu próprio corpo.

ii. Fitocinese: é o poder de controlar todos os tipos de plantas e flores, terrenas ou não. Hera possui o poder de acelerar o crescimento de plantas, podendo inclusive restaurar a saúde de plantas mortas ou queimadas. É possível também multiplicá-las e dominá-las por completo.

iii. Manipulação de DNA Vegetal: é o poder de alterar o DNA das plantas, podendo criar plantas sencientes e provocar alterações drásticas nas mesmas, como criar monstros e plantas híbridas.

iv. Absorção Solar: como é basicamente uma planta, Hera precisa do sol para poder manter-se vivo, de forma que sua maior fraqueza é a ausência de tal astro. Graças aos raios ultravioleta, Hera consegue curar-se de ferimentos mais depressa e também controlar suas plantas com mais força e plenitude.

v. Controle de Feromônios: é o poder de secretar no ar feromônios capazes de alterar drasticamente as pessoas ao seu redor, deixando-as excitadas e suscetíveis aos encantos de Hera, basicamente um controle mental.

vi. Secreção de Toxinas: poder que permite à Hera o poder de secretar toxinas extremamente venenosas de seu corpo, deixando sua pele e, principalmente, seu beijo, fatais ao toque.

vii. Imunidade à Toxinas: Hera possui total invulnerabilidade contra quaisquer tipos de venenos, fungos, toxinas e bactérias conhecidas.

viii. Mimetismo Vegetal: como seu corpo é literalmente uma planta viva, Hera consegue transformar seu corpo e metamorfoseá-lo à imagem e semelhança de diversos tipos de plantas, de forma que é possível alterar o pigmento de sua pele (útil para mascarar sua pele verde), cor dos cabelos, olhos e pelos, e também lhe concede o poder de criar, por exemplo, venenos em seu corpo, fabricar toxinas, esporos, fibras e vitaminas específicas que todas as plantas e flores possuem.

vix. Empatia Vegetal: é o poder de conseguir encontrar plantas mesmo abaixo do solo e escondidas em paredes e outros locais, podendo senti-las, sabendo do que elas precisam e também se estão saudáveis ou não, assim como poder sentir se elas estão machucadas ou não.

xx. Atributos Físicos Ampliados: graças ao físico diferenciado, Hera honra seu nome e pode escalar paredes e ter a mesma agilidade e elasticidade de suas amadas plantas, permitindo-o ter grande força, assim como uma velocidade acima da média.
avatar
VILÕES
34

Manhattan, New York, USA

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum